ACOMPANHE-NOS     Campo Grande News no Facebook Campo Grande News no X Campo Grande News no Instagram Campo Grande News no TikTok Campo Grande News no Youtube
ABRIL, QUARTA  01    CAMPO GRANDE 27º

Economia

Alta de até 56% no querosene pressiona voos e pode encarecer passagens

Combustível chega a 45% dos custos das aéreas, limita novas rotas e governo já prevê impacto nas tarifas

Por Ângela Kempfer | 01/04/2026 17:23
Alta de até 56% no querosene pressiona voos e pode encarecer passagens
Airbus da Latam no Aeoporto Francisco de Matos Pereira, em Dourados (Foto: A. Frota)

O reajuste de até 56% no querosene de aviação (QAV), anunciado nesta quarta-feira (1º) pela Petrobras, acendeu um alerta imediato no setor aéreo. A avaliação das companhias é direta: o aumento pressiona custos, dificulta a abertura de novas rotas e pode chegar ao bolso do passageiro.

RESUMO

Nossa ferramenta de IA resume a notícia para você!

A Petrobras anunciou reajuste de até 56% no querosene de aviação, gerando alerta no setor aéreo. Somado à alta de 9,4% de março, o combustível pode chegar a 45% dos custos operacionais das companhias. A Abear prevê redução de voos e limitação de rotas, enquanto técnicos do governo estimam aumento de até 20% nas tarifas. Para amenizar o impacto, a Petrobras ofereceu parcelamento do reajuste em até seis vezes a partir de julho.

A Abear afirma que o impacto é estrutural, não pontual. Com o novo reajuste somado à alta de 9,4% registrada em março, o combustível passa a representar cerca de 45% dos custos operacionais das empresas. Na prática, quase metade do que custa manter um avião no ar vira combustível.

O efeito em cadeia já é esperado. Segundo a entidade, a alta tende a reduzir a oferta de voos e limitar a expansão da malha aérea, o que afeta diretamente a conectividade no país. Em termos simples, menos rotas e menos frequência. E, claro, passagem mais cara. Técnicos do governo já trabalham com a possibilidade de aumento de até 20% nas tarifas.

O ponto mais sensível é que o preço do QAV no Brasil segue a lógica internacional, mesmo com mais de 80% da produção sendo nacional. Ou seja, o mercado interno continua refém do preço do barril de petróleo e das tensões externas, como a recente escalada no Oriente Médio envolvendo o Irã. Tradução: o problema não nasce aqui, mas a conta chega aqui.

Diante da pressão, a Petrobras tentou amortecer o impacto com um mecanismo de parcelamento. Distribuidoras poderão pagar cerca de 18% de aumento imediato em abril e dividir o restante em até seis parcelas, a partir de julho. Na prática, funciona como um “empréstimo” para evitar um choque imediato no caixa das empresas aéreas.

A própria estatal admite que a medida busca preservar a demanda e evitar uma desaceleração mais brusca no setor. Internamente, a discussão envolve até flexibilizar a forma de cálculo dos preços, que hoje é mensal, para uma média trimestral, ainda em análise.

Apesar disso, o alívio é limitado. O custo não desaparece, só é empurrado para frente. E esse detalhe importa. Porque, no fim, alguém paga essa conta. E historicamente, esse alguém costuma ser o passageiro.

Hoje, segundo a Anac, o combustível representa cerca de 30% dos custos totais das companhias. Esse número agora tende a subir rápido. E quando combustível sobe nesse nível, não existe mágica operacional que segure o impacto por muito tempo.