Brasileiros triplicam gastos na Copa e apostas atingem 34% da população
Movimentação em dias de jogos é relevante, como em 14 de junho, quando a média por apostador chegou a R$ 524
A participação dos brasileiros em apostas esportivas cresceu de forma acelerada durante a Copa do Mundo. Segundo um levantamento da fintech Klavi, com base em dados do Open Finance do Banco Central, a parcela da população que enviou dinheiro para plataformas de apostas chegou a 34,8%, mais que o triplo dos 11% registrados em maio, segundo reportagem da Folha de São Paulo.
RESUMO
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Apostas esportivas cresceram aceleradamente no Brasil durante a Copa do Mundo. Segundo levantamento da fintech Klavi, 34,8% dos brasileiros enviaram dinheiro a plataformas de apostas, ante 11% em maio. O valor médio por usuário chegou a R$ 272 diários, com pico de R$ 524 em dias de jogos do Brasil. Mais de 60% das transferências ocorreram após as 18h, e os 10% maiores apostadores movimentaram até 20 vezes mais que os demais.
O estudo analisou uma base de aproximadamente 1,2 milhão de pessoas e identificou um aumento expressivo no volume financeiro movimentado ao longo do torneio. O valor médio depositado por usuário, por exemplo, alcançou R$ 272 em um dos dias analisados, acima da média de R$ 188 registrada antes da competição. Desde o início da Copa, esse patamar diário de depósitos não voltou a ficar abaixo desse nível.
O levantamento também mostra picos de movimentação em dias de jogos relevantes, como em 14 de junho, quando a média por apostador chegou a R$ 524, um salto associado ao calendário da seleção brasileira. As transações consideradas incluem apenas apostas feitas em plataformas regulamentadas, sem contabilizar o mercado clandestino.
Outro dado que chama atenção é a concentração dos depósitos no período noturno. Mais de 60% das transferências acontecem após as 18h, justamente quando ocorrem as principais transmissões dos jogos. Pela manhã, sem partidas, o volume cai para cerca de 10%. A Copa, com jogos distribuídos entre o meio-dia e a noite, acaba reforçando esse padrão de consumo contínuo.
O estudo ainda aponta desigualdade no comportamento dos apostadores. Uma pequena parcela de usuários, os chamados “high rollers”, concentra grande parte dos gastos: os 10% que mais depositam chegam a movimentar valores até 20 vezes superiores aos dos demais apostadores.
Especialistas em saúde mental alertam que o aumento da atividade durante a noite pode estar associado a comportamentos de risco. Pesquisadores destacam que esse é um período em que há menor supervisão social e maior vulnerabilidade para decisões impulsivas, o que pode agravar quadros de dependência em jogos.
O avanço das apostas durante eventos esportivos também reacende o debate sobre publicidade e regulação no setor. Em outros países, há regras mais rígidas para veiculação de anúncios, especialmente em transmissões ao vivo e em horários com público infantil. No Brasil, as restrições ainda são limitadas a exigências de advertência nas peças publicitárias.
Plataformas e emissoras de transmissão esportiva estão sob monitoramento de órgãos públicos diante de suspeitas de práticas consideradas abusivas em campanhas de marketing, especialmente durante a Copa. Empresas do setor afirmam atuar dentro da legislação e defendem que o mercado ainda está em fase de consolidação no país.


