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Economia

Frigorífico em recuperação judicial demite 350 funcionários por falta de caixa

Empresa acumula dívida de R$ 120,8 milhões e terminou 2025 zerado

Por Gustavo Bonotto e Maristela Brunetto | 14/08/2026 21:34
Frigorífico em recuperação judicial demite 350 funcionários por falta de caixa
Área interna do frigorifico paralisado; Balbinos chegou a suspender as atividades antes da recuperação judicial. (Foto: Reprodução processual)

A Balbinos Agroindustrial iniciou a demissão de funcionários na manhã desta sexta-feira (14), em Sidrolândia, a 71 quilômetros de Campo Grande, em meio à paralisação da produção e à recuperação judicial aberta por uma dívida de R$ 120,8 milhões. Trabalhadores que chegaram ao frigorífico formaram fila diante do setor de Recursos Humanos para os procedimentos de desligamento. A empresa atribuiu os cortes à falta de dinheiro em caixa, mas não informou quantas pessoas serão dispensadas nesta etapa.

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A Balbinos Agroindustrial iniciou demissões em Sidrolândia nesta sexta-feira (14), em meio à paralisação da produção e a uma recuperação judicial por dívida de R$ 120,8 milhões. A empresa afirmou ter chegado ao limite financeiro e não conseguir sustentar os cerca de 350 funcionários sem produção regular. O caixa zerou em dezembro de 2025 e a empresa encerrou o ano com prejuízo de R$ 47,7 milhões.

A Balbinos informou que mantinha cerca de 350 trabalhadores mesmo sem produção regular e afirmou que não conseguiu mais sustentar a folha. Na nota divulgada nesta sexta-feira, a empresa diz que “chegou ao limite de sua capacidade financeira”. O frigorífico também atribui a situação à falta de recursos para recompor o capital de giro e retomar os abates.

O comunicado afirma ainda que a decisão ocorreu depois de tentativas para preservar os empregos. “Mantivemos nossos compromissos e preservamos os empregos durante todo o tempo em que tivemos condições para isso”, diz trecho da nota. A declaração ocorre dez meses depois de pecuaristas recorrerem à Justiça para cobrar pagamentos por bois entregues ao frigorífico.

Cinco produtores entraram com ações entre 17 e 28 de outubro de 2025 e apontaram falta de pagamento de mais de R$ 2 milhões pela compra de bovinos. Naquele período, a Balbinos suspendeu as atividades e concedeu férias coletivas aos funcionários. Um dia depois das primeiras reportagens sobre as cobranças, a empresa pediu proteção judicial para reorganizar as dívidas.

No pedido, o frigorífico declarou passivo de R$ 120.849.519,51. Desse total, R$ 107,6 milhões correspondiam a débitos inscritos na PGFN (Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional), a maior parte relacionada ao Funrural (Fundo de Assistência ao Trabalhador Rural). A empresa também informou naquele momento que mantinha 350 empregos diretos e outros 250 indiretos.

A Justiça autorizou a recuperação judicial em dezembro de 2025. O plano apresentado neste ano prevê o pagamento de 30% das dívidas, com dois anos de carência e prazo de até 15 anos para quitação. A proposta depende da continuidade das operações e da geração de receita para o pagamento dos credores.

Os números apresentados no processo já mostravam deterioração das contas antes das demissões. O caixa caiu de R$ 107.706,37 no fim de outubro para zero em 31 de dezembro de 2025. A empresa encerrou o ano com prejuízo acumulado de R$ 47.708.923,09 e também registrou resultado negativo em janeiro.

A recuperação judicial também recebeu questionamentos de credores sobre o patrimônio informado pela Balbinos. Meses antes de declarar a dívida milionária, o capital social passou de R$ 600 mil para R$ 30,6 milhões. Desse aumento, R$ 30 milhões apareciam no balanço de setembro de 2025 como valor ainda a ser integralizado pelo sócio José Márcio Fedes.

Credores pediram documentos para comprovar a entrada desse dinheiro na empresa e um deles apontou possível simulação de patrimônio no processo. O caso também chegou ao MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul), que encaminhou à Polícia Civil questionamentos apresentados por um pecuarista com crédito de R$ 1,8 milhão. Na ocasião, o Campo Grande News procurou a polícia para saber se havia investigação aberta, mas não recebeu resposta.

Em junho, quando a unidade voltou a ficar paralisada, a manutenção dos cerca de 350 postos de trabalho já era tratada como incerta. A empresa sustentava que não tinha acesso a recebíveis usados para financiar a compra de gado e outras despesas e buscava recursos para voltar a operar.