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Economia

Cadeia da celulose injeta R$ 3,7 bilhões em pequenos negócios de MS

Mais de 800 empresas locais forneceram produtos e serviços para operações industriais em 2025

Por José Cândido | 17/06/2026 13:32
Cadeia da celulose injeta R$ 3,7 bilhões em pequenos negócios de MS
Equipe da Ita Renda Mineração celebra a expansão dos negócios em Mato Grosso do Sul. A empresa está entre os fornecedores que cresceram impulsionados pela demanda gerada pela cadeia produtiva da celulose, ampliando operações, investimentos e oportunidades de emprego na região. (Foto divulgação)

O avanço da indústria de celulose em Mato Grosso do Sul tem produzido efeitos que vão além dos números de exportação e da produção industrial. Em 2025, um conjunto de 824 pequenas e médias empresas sul-mato-grossenses movimentou R$ 3,7 bilhões em contratos ligados às operações da Suzano no Estado, revelando a dimensão da cadeia econômica formada em torno do setor florestal.

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Em 2025, 824 pequenas e médias empresas de Mato Grosso do Sul movimentaram R$ 3,7 bilhões em contratos com a Suzano, gigante do setor de celulose. Só em Três Lagoas, 532 fornecedores geraram R$ 1,7 bilhão, enquanto em Ribas do Rio Pardo outros 503 parceiros responderam por R$ 2 bilhões. O aquecimento econômico impulsionou negócios em RH, pavimentação e alimentação industrial, gerando empregos e ampliando a renda regional.

Os dados mostram como a presença da indústria tem contribuído para a expansão de negócios locais em diferentes segmentos, da alimentação industrial à gestão de recursos humanos, passando por obras de infraestrutura, manutenção, transporte e prestação de serviços especializados.

Somente em Três Lagoas, 532 fornecedores movimentaram R$ 1,7 bilhão ao longo do ano. Em Ribas do Rio Pardo, outros 503 parceiros comerciais responderam por R$ 2 bilhões em contratos. Como muitas empresas atendem simultaneamente as duas unidades industriais, o total consolidado alcança 824 fornecedores distintos distribuídos por diversas cidades de Mato Grosso do Sul.

O movimento ajuda a explicar uma transformação econômica observada principalmente na região leste do Estado, onde a expansão da indústria de base florestal tem impulsionado a criação de novos negócios e ampliado a demanda por serviços locais.

Em Três Lagoas, a trajetória do Grupo Foco RH exemplifica esse processo. A empresa atua na área de recursos humanos e mantém contratos com a indústria desde 2013. Ao longo desse período, ampliou estrutura, equipe e carteira de clientes, acompanhando o crescimento da atividade econômica regional.

Fenômeno semelhante ocorreu em Ribas do Rio Pardo. Atuando no fornecimento de agregados de basalto e serviços de pavimentação, a empresa comandada pelo empresário Esmeraldo Dito registrou aumento de aproximadamente 30% no quadro de funcionários. Além da expansão da equipe, a necessidade de atender padrões técnicos mais rigorosos impulsionou investimentos em processos, qualidade e segurança operacional.

Em Água Clara, os reflexos também chegaram ao setor de alimentação. A Cozinha Industrial Roltrec, especializada no fornecimento de refeições para operações industriais, viu o faturamento triplicar nos últimos anos. O número de colaboradores passou de 18 para 35 funcionários, acompanhado da ampliação da estrutura física e da adoção de novos padrões de controle sanitário e gestão.

Os exemplos ajudam a ilustrar um dos principais efeitos econômicos observados nos municípios que recebem grandes investimentos industriais: a formação de uma rede de fornecedores capaz de distribuir renda e gerar oportunidades para além dos limites das fábricas.

Cadeia da celulose injeta R$ 3,7 bilhões em pequenos negócios de MS
Unidade industrial da Suzano em Mato Grosso do Sul. A operação movimenta uma ampla cadeia de fornecedores e contribui para a geração de empregos, renda e oportunidades de negócios em diversas regiões do Estado. (Foto divulgação)

A expansão recente desse movimento está diretamente ligada à consolidação das operações da celulose em Mato Grosso do Sul. Em Três Lagoas, a companhia mantém duas linhas de produção que somam capacidade superior a 3,2 milhões de toneladas anuais de celulose. Já em Ribas do Rio Pardo, a nova unidade inaugurada em 2024 completou seu primeiro ano cheio de operação em 2025 produzindo 2,58 milhões de toneladas, volume acima da capacidade inicialmente projetada.

Grande parte dessa produção é destinada ao mercado internacional, exigindo uma ampla estrutura logística e de serviços que envolve transportadoras, empresas de manutenção, fornecedores de equipamentos, alimentação, construção civil e diversas outras atividades econômicas.

O resultado é um efeito multiplicador que se espalha por diferentes municípios do Estado. Enquanto a celulose segue como um dos motores das exportações sul-mato-grossenses, centenas de pequenas e médias empresas encontram na cadeia produtiva uma oportunidade para crescer, gerar empregos e ampliar sua participação na economia regional.