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Economia

Cesta básica sobe tanto que comer fora pode ficar mais barato que em casa

Pesquisa do IBGE mostra que alimentação fora do domicílio ficou 0,09% mais barata em Campo Grande

Por Izabela Cavalcanti e Antonio Bispo | 12/05/2024 12:22
Vários tipos de saladas em buffet de restaurante de Campo Grande (Foto: Divulgação)
Vários tipos de saladas em buffet de restaurante de Campo Grande (Foto: Divulgação)

A alimentação fora do domicílio ficou 0,09% mais barata em Campo Grande, ao mesmo tempo que a cesta básica - para quem cozinha todos os dias, subiu. Isso leva a crer que com o andar da carruagem pode compensar mais comer fora do que em casa. Mas na prática não tem sido bem assim. A opção de comer em restaurantes acaba sendo mais uma questão de praticidade e falta de tempo e, não, de gastar menos.

Segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), a alimentação fora do domicílio desacelerou de 0,20% em março para 0,11% em abril. O lanche caiu de 0,43% para 0,13%, o subitem refeição (0,06%) teve variação superior à observada no mês de março, que foi de - 0,06%.

Em contrapartida, a cesta básica vendida em Campo Grande aumentou 0,37% em abril, passando a custar R$ 732,75 para o trabalhador, de acordo com o Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos). O preço acomete 56,10% do salário mínimo, que é de R$ 1.412.

O analista de tecnologia da informação, Bruno Monteiro, de 33 anos, é um exemplo de quem acha que vai gastar mais se comer fora.

“Eu não sei o que está mais caro, comer em casa ou fora. Mas acredito que fora, todos os dias, não compensa. O valor sairia superior ao que a gente gasta em casa”, disse.

Ainda de acordo com ele, no mês gasta entorno de R$ 700 no mercado para ele e a esposa. “Se nós dois fôssemos comer fora todos os dias passaria fácil dos mil. Como em restaurante só em ocasiões especiais”, explicou.

Consumidores sentados em frente a lanchonete, na Rua Barão do Rio Branco, em Campo Grande (Foto: Antonio Bispo)
Consumidores sentados em frente a lanchonete, na Rua Barão do Rio Branco, em Campo Grande (Foto: Antonio Bispo)

Para a dona de casa, Fernanda Souza Carvalho, de 38 anos, também não é fácil. Ela mora com mais quatro pessoas, entre elas duas crianças.

“Impossível a gente sair para comer fora. Mesmo que seja de vez em quando, pesa no nosso bolso. A gente que é pobre tem que se contentar em comer em casa mesmo. O mercado já fica o olho da cara, imagine comer em restaurante? O gasto com comida fica perto de mil reais, porque tenho duas crianças. Então pesa bastante”, lamentou.

Mais prático - Na visão do economista Eugênio Pavão, se alimentar em restaurantes se torna uma opção mais viável.

“A alimentação fora de casa se dá por necessidade de trabalhadores que se deslocam para longe de suas casas, além da questão de tempo para cozinhar a comida”, disse.

Mas, ele lembra que por outro lado os consumidores acabam economizando em outras áreas. “Com exceção da marmita, que geralmente é feita à noite para levar no dia seguinte, a alimentação em restaurantes, lanchonetes se torna uma opção viável, reduzindo os custos com transportes, gás, energia elétrica, supermercado”, pontuou.

Eugênio também explica que a queda nos preços da alimentação fora de casa, indica que a demanda por este serviço diminuiu (lei da oferta e procura), quanto menor a demanda, os preços tendem a cair, quando maior a demanda, os preços tendem a se elevarem.

“Em Campo Grande observamos a tendência de queda de preços tanto em restaurantes populares, como estabelecimentos mais caros. O Sesc reduziu o quilo da refeição de 49,99 para 29,99. Alguns alimentos mais baratos indicam que a produção de refeições está tendo redução de custos”, explicou o economista.

A pesquisa do Dieese mostra que houve queda no preço da manteiga, que reduziu o preço em 2,18%. A banana teve queda de 4,63%; feijão carioca (-3,21%); carne bovina (-0,63%) e arroz agulhinha (-0,51%).

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