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Economia

IA desenvolvida em MS põe empresa de biocombustível entre finalistas em inovação

Tecnologia desenvolvida pela equipe de Dourados automatiza a conferência de documentos de caminhoneiros

Por Viviane Monteiro, de Brasília | 13/03/2026 15:55
IA desenvolvida em MS põe empresa de biocombustível entre finalistas em inovação
Caminhões estacioanados em uma das plantas da Inpasa (Foto Divulgação)

Um sistema de inteligência artificial desenvolvido pela produtora de biocombustíveis Inpasa em Mato Grosso do Sul reduziu de 15 para dois minutos o tempo de análise de documentos de caminhoneiros que acessam usinas de etanol de milho da empresa. A solução, criada para automatizar a conferência de motoristas e veículos, colocou a companhia entre as finalistas do 9º Prêmio Nacional de Inovação da CNI (Confederação Nacional da Indústria).

RESUMO

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A Inpasa, produtora de biocombustíveis em Mato Grosso do Sul, desenvolveu um sistema de inteligência artificial que reduziu de 15 para dois minutos o tempo de análise documental de caminhoneiros em suas usinas. A inovação colocou a empresa entre as finalistas do 9º Prêmio Nacional de Inovação da CNI.O sistema automatizado, implementado em todas as seis unidades brasileiras do grupo, realiza a verificação de documentos por aplicativo ou portal. A tecnologia, que já processou mais de 84 mil conferências de veículos e 33 mil de motoristas, beneficia cerca de 18 mil profissionais mensalmente, além de gerar impactos socioambientais positivos.

O sistema confere documentos como CNH (Carteira Nacional de Habilitação) e dados de motoristas terceirizados, transportadores e clientes, que passam por consulta antes de acessar as usinas para o carregamento e distribuição dos produtos da companhia. A partir de março de 2025, a inovação passou a ser implementada em todas as seis unidades brasileiras do grupo, que opera com capacidade de produção de 6,2 bilhões de litros de etanol por ano e receita próxima de R$ 23 bilhões.

A verificação ocorre por aplicativo ou portal, por meio dos quais os motoristas podem enviar previamente seus documentos e os do veículo. Robôs realizam as validações necessárias para que, quando o motorista chegar às usinas, toda a documentação esteja regularizada para acessar as unidades produtivas e realizar o carregamento. O sistema também cruza informações com diferentes bases e órgãos, garantindo mais agilidade e confiabilidade na verificação.

Em Mato Grosso do Sul, a usina está presente em Dourados desde 2022, integrando a expansão da empresa e do setor de biocombustíveis no Estado. A CNI informou ao Campo Grande News que a tecnologia foi inscrita pela Inpasa (MS) na categoria “IA para produtividade – grande empresa”. É a única finalista do Estado entre os 59 projetos selecionados no país.

A premiação será entregue em 26 de março, no 11º Congresso de Inovação da Indústria, no WTC, em São Paulo. O programa é fruto de parceria entre a Mobilização Empresarial pela Inovação (MEI), da CNI, o Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas) e o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação.

Desembaraço

Os projetos finalistas são de empresas de diferentes portes, ecossistemas de inovação e pesquisadores de 17 estados reconhecidos pelos investimentos e resultados em inovação.

O gerente de tecnologia da Inpasa Brasil, Marco Smanioto, afirmou que a solução tecnológica originada na unidade de Mato Grosso do Sul abriu caminho para o grupo ampliar o uso de automação e hiperautomação (combinação de inteligência artificial e robôs de software) na conferência de documentos de motoristas e veículos transportadores dos produtos fabricados pela empresa no Brasil. Com isso, a necessidade de trabalho manual foi reduzida. Além de tornar o fluxo mais rápido, a automação permitiu a realocação dos oito funcionários que antes se revezavam na conferência manual dos documentos.

“Essa foi a primeira tecnologia de mais de 100 automações já desenvolvidas pela companhia. Ela começou focada na conferência automática de veículos e motoristas. Hoje, toda essa verificação é feita de forma 100% automática, baseada em RPA (Automação Robótica de Processos), o que abriu caminho para implementarmos outras conferências em cadeia”, disse Smanioto, que não quis detalhar os investimentos em ciência e tecnologia do grupo no Estado.

“Quando fizemos a inscrição do prêmio, todo esse processo ainda estava em fase de testes no Estado. Por isso indicamos Mato Grosso do Sul como origem da iniciativa. Naquele momento, o projeto ainda não existia em outras unidades, como Sinop ou Campinas.”

A unidade de Sinop, em Mato Grosso, é hoje a maior unidade de produção de etanol de milho da América Latina e uma das maiores do mundo do grupo. Os testes não são conduzidos ali porque qualquer erro pode gerar grande impacto na operação, devido à dimensão e ao volume de produção. Já a usina de Mato Grosso do Sul, que está entre as três maiores do grupo, reúne maior número de engenheiros e pesquisadores.

Segurança

“Geralmente, nossos projetos piloto são feitos em Mato Grosso do Sul. Temos algumas automações rodando apenas no Estado porque é uma planta relativamente nova e temos acesso mais próximo à operação. Por isso, muitos testes acabam sendo feitos ali antes de serem replicados para outras unidades.”

Segundo Smanioto, a conferência visual dos documentos não era totalmente segura e ainda deixava margem para fraudes de documentos pela análise física e manual.

“A tecnologia foi desenvolvida por nós utilizando ferramentas de mercado, como Python e inteligência artificial do Google. Ela se encaixa dentro do uso do nosso ERP.”

Outras empresas podem adotar soluções semelhantes, embora os códigos tenham sido desenvolvidos pela própria equipe da Inpasa.

Agilidade no fluxo

Antes da automação, oito funcionários analisavam manualmente cerca de 300 cadastros por dia. O processo levava, em média, 15 minutos por verificação e era realizado em vários turnos ao longo de quase 24 horas para atender à demanda. Com o novo sistema, o tempo de análise caiu para cerca de dois minutos.

A mudança beneficiou diretamente cerca de 18 mil profissionais que realizam serviços todos os meses para as usinas. Embora não sejam funcionários diretos – já que incluem motoristas terceirizados, transportadores e clientes – todos passam pelo processo de conferência antes de acessar as unidades produtivas.

Desde a implementação da ferramenta, a empresa já realizou aproximadamente 84 mil conferências automatizadas de veículos e mais de 33 mil de motoristas.

Impacto socioambiental

Além de racionalizar os processos logísticos, a tecnologia também gera impactos socioambientais positivos. Entre eles estão a redução do tempo de espera com caminhões ligados, do fluxo nas rodovias e das filas nos pátios das usinas.

“Muitas vezes, quando a documentação era reprovada, o motorista precisava retornar em outra oportunidade ao local, gerando deslocamentos desnecessários e custos logísticos adicionais”, disse.

Outro ganho ocorreu para os colaboradores que antes trabalhavam em jornadas praticamente contínuas, divididas em turnos ao longo de 24 horas para realizar as conferências. Com a automação, esses profissionais passaram a se dedicar a atividades mais estratégicas e foram realocados para outras funções dentro da equipe de faturamento.

Segundo Smanioto, a tecnologia finalista nasceu em paralelo ao projeto do CSC (Centro de Serviços Compartilhados), instalado em Campinas, no interior paulista. O local concentra a área administrativa do grupo, centralizando gestão e governança.

“Escolhemos Campinas principalmente pela disponibilidade de mão de obra e mobilidade. Assim, acabamos concentrando todo o time nessa unidade.”

A engenheira Gabriela Fernandes Vieira, especialista da CNI, afirmou que o prêmio busca reconhecer iniciativas de inovação que aumentem a competitividade da indústria brasileira.

A Inpasa mantém oito biorrefinarias agrícolas – duas no Paraguai e seis no Brasil – e prevê novas unidades em um programa de investimentos superior a R$ 5 bilhões.