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Economia

Com frigoríficos sob pressão, governo anuncia missão para abrir mercado coreano

Vistoria sanitária prevista para agosto é tratada como passo decisivo para ampliar exportações da carne bovina

Por Jhefferson Gamarra | 27/07/2026 15:54
Com frigoríficos sob pressão, governo anuncia missão para abrir mercado coreano
Trabalhador da JBS durante processo de embalagem para exportação de produtos (Foto: Divulgação/JBS)

A pressão enfrentada pelos frigoríficos brasileiros, incluindo plantas sul-mato-grossense, após o esgotamento da cota anual de importação de carne bovina pela China levou o governo federal a acelerar a busca por novos mercados. Nesta segunda-feira (27), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) anunciou que a Coreia do Sul enviará, no próximo mês, uma missão sanitária para inspecionar frigoríficos brasileiros, etapa considerada decisiva para a abertura do mercado sul-coreano à carne bovina do Brasil.

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou que a Coreia do Sul enviará uma missão sanitária ao Brasil em agosto para inspecionar frigoríficos brasileiros, passo decisivo para abertura desse mercado à carne bovina nacional após 17 anos de negociações. O anúncio ocorre em meio à crise nos frigoríficos de Mato Grosso do Sul, que reduziram abates em até 40% após o esgotamento da cota anual chinesa de importação.

O anúncio ocorre em um momento delicado para a indústria frigorífica de Mato Grosso do Sul. Com a cota chinesa praticamente encerrada para 2026, frigoríficos instalados no Estado reduziram em até 40% o ritmo dos abates, algumas unidades suspenderam temporariamente as operações e outras recorreram a férias coletivas diante da queda na demanda para exportação ao principal comprador da carne bovina brasileira.

Com frigoríficos sob pressão, governo anuncia missão para abrir mercado coreano
Presidente da Coreia do Sul, Lee Jae-Myung, no Palácio da Alvorada, durante agenda com o presidente Lula (Foto: Ricardo Stuckert)

Durante encontro com o presidente da Coreia do Sul, Lee Jae-Myung, no Palácio da Alvorada, em Brasília, Lula afirmou que, após quase duas décadas de negociações, os dois países chegaram a um compromisso concreto para avançar nas tratativas.

"Em 2025, o Brasil exportou quase 2,5 bilhões de dólares em produtos agropecuários para a Coreia. Após 17 anos de negociação, temos agora o compromisso concreto de realização de missão sanitária ao Brasil no próximo mês. Passo decisivo para o acesso dos frigoríficos brasileiros ao mercado coreano", declarou.

O Brasil tenta abrir o mercado sul-coreano para a carne bovina desde 2008. A inspeção sanitária é considerada uma das etapas mais importantes do processo, pois permitirá às autoridades coreanas verificar se os frigoríficos brasileiros atendem às exigências sanitárias e de qualidade impostas pelo país asiático.

A abertura desse mercado ganha ainda mais relevância diante do cenário vivido pela indústria frigorífica sul-mato-grossense. Neste mês, a Iguatemi Beef, em Iguatemi, e a unidade da JBS em Campo Grande interromperam temporariamente os abates e concederam férias coletivas aos funcionários. Outras empresas reduziram a produção entre 35% e 40%, segundo o Sindicato das Indústrias de Frios, Carnes e Derivados de Mato Grosso do Sul.

O principal motivo é o encerramento da cota anual chinesa de importação de carne bovina. A partir do limite estabelecido, os embarques que chegarem à China ficam sujeitos à incidência de uma tarifa de 67%, resultado da alíquota regular de 12% somada à sobretaxa de 55%, tornando as vendas economicamente menos atrativas.

Além disso, o setor enfrenta baixa oferta de animais prontos para o abate e preços elevados da arroba, fatores que pressionam ainda mais as margens dos frigoríficos.

Diante desse cenário, empresas passaram a direcionar esforços para ampliar as vendas a outros mercados, como Estados Unidos, Oriente Médio, Reino Unido e mercado interno. A possível abertura da Coreia do Sul passa a integrar essa estratégia de diversificação.

Para Mato Grosso do Sul, a ampliação do número de compradores internacionais pode representar uma alternativa importante para reduzir a dependência do mercado chinês. A China é o principal destino da carne bovina exportada pelo Estado e respondeu por US$ 773,6 milhões em compras no ano passado.

Embora o setor avalie que a demanda chinesa deve voltar a ganhar força a partir do último trimestre, quando os frigoríficos começam a preparar os embarques para a cota de 2027, a abertura de novos mercados é vista como uma forma de dar maior estabilidade às exportações brasileiras.

Além da carne bovina, Lula e Lee Jae-Myung discutiram a ampliação da cooperação bilateral em áreas como semicondutores, inteligência artificial, minerais críticos, transição energética, saúde, fármacos, cosméticos, cultura, educação e esportes.

A aproximação comercial faz parte da estratégia do governo brasileiro para ampliar parceiros internacionais em meio às mudanças no comércio global e reduzir a dependência de mercados específicos. Para a cadeia da carne bovina, especialmente em Estados exportadores como Mato Grosso do Sul, a missão sanitária prevista para agosto representa o avanço mais concreto das negociações com a Coreia do Sul desde o início das tratativas, há 17 anos.