ACOMPANHE-NOS     Campo Grande News no Facebook Campo Grande News no X Campo Grande News no Instagram Campo Grande News no TikTok Campo Grande News no Youtube
SETEMBRO, QUARTA  09    CAMPO GRANDE 21º

MiAuNews

Após velório de cachorrinha, veja como pets podem ser enterrados com tutores

Despedida simbólica de Lola junto à família levanta discussão; projeto em MS tenta autorizar sepultamento

Por Viviane Oliveira | 09/09/2026 12:36
Após velório de cachorrinha, veja como pets podem ser enterrados com tutores
Lola é velada ao lado dos tutores Antônio Pedro Zardin e das filhas dele, Maria Fernanda e Maria Caroline, mortos no mesmo acidente (Foto: Pax Sudoeste/divulgação)

Velada em um pequeno caixão ao lado dos tutores na última terça-feira (9), a cachorrinha Lola teve uma despedida junto à família - um gesto de sensibilidade da funerária que preparou o funeral. A cadela morreu no mesmo acidente que vitimou Antônio Pedro Zardin, de 42 anos, e as filhas Maria Fernanda, de 15, e Maria Carolina, de 11, um pai e suas duas filhas.

RESUMO

Nossa ferramenta de IA resume a notícia para você!

A cachorrinha Lola foi velada ao lado de seus tutores, Antônio Pedro Zardin, de 42 anos, e suas filhas Maria Fernanda, de 15, e Maria Carolina, de 11, mortos em acidente em Bela Vista, a 324 km de Campo Grande. O sepultamento de animais em cemitérios tradicionais não é permitido em Mato Grosso do Sul, mas um projeto na Assembleia Legislativa tenta autorizar a prática. São Paulo já permite o procedimento desde fevereiro deste ano.

Contudo, mesmo com a cerimônia conjunta, ela não poderá ser sepultada com as tutoras. A prática, que se relaciona com tradições milenares de sepultamentos com pets e tutores, não é permitida em cemitérios tradicionais de Mato Grosso do Sul.

Diante da restrição ao sepultamento, empresa especializada em funerais e sepultamentos de animais, Pet Pax, procurou os familiares e ofereceu gratuitamente a cremação de Lola. "Entramos em contato com a família e vamos fazer uma doação da cremação, para o pet ter o melhor e mais digno fim”, informou a empresa ao Campo Grande News.

Projeto quer permitir – Esta restrição, baseada em critérios sanitários, pode mudar no Estado. Isso porque há proposta em tramitação na Assembleia Legislativa que visa permitir e regulamentar o sepultamento de tutores e animais em jazigos comuns.

Pelo texto da proposta, apresentado pelo deputado estadual Lucas de Lima (PL), a autorização dependeria de pedido do titular do jazigo e, quando houver mais de um responsável, do consentimento dos demais. O procedimento também precisaria ser registrado pela administração do cemitério e seguir normas sanitárias e ambientais.

Entre as exigências está a apresentação de declaração de óbito emitida por médico-veterinário. O corpo do animal deverá ser acondicionado de forma adequada, com cuidados para evitar contaminação do solo e das águas subterrâneas.

A proposta também permite que os cemitérios criem memoriais físicos ou digitais para preservar a lembrança dos animais, além de oferecer cerimônias de despedida.

Na justificativa, Lucas de Lima afirma que o projeto acompanha uma mudança na relação das famílias com os animais de estimação, cada vez mais presentes nos lares como membros da família. O deputado também aponta a necessidade de garantir uma destinação adequada aos corpos dos pets.

São Paulo já permite – Enquanto a discussão continua no Legislativo de Mato Grosso do Sul, São Paulo passou a permitir neste ano que cães e gatos sejam sepultados em jazigos familiares. A lei paulista foi sancionada em 10 de fevereiro, depois que o projeto, apresentado em 2015, foi aprovado pela Alesp (Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo) em dezembro do ano passado.

A legislação deixa para os serviços funerários de cada município a definição das regras para os sepultamentos. Os custos ficam sob responsabilidade da família dona do jazigo ou sepultura. Cemitérios particulares também podem estabelecer normas próprias, desde que respeitem as exigências legais.

Aguardando parecer – Em MS, o projeto continua na CCJR (Comissão de Constituição, Justiça e Redação), responsável por analisar a constitucionalidade e a legalidade da proposta. A última movimentação ocorreu em 11 de março, quando o texto foi encaminhado ao deputado Professor Rinaldo (União Brasil), relator da matéria.

Desde então, a proposta não retornou à comissão com parecer. Procurado pelo Campo Grande News, Rinaldo informou que o documento ainda não está pronto. Questionado sobre quando deverá apresentá-lo, disse que vai verificar e "poderá ocorrer na próxima semana".

Após velório de cachorrinha, veja como pets podem ser enterrados com tutores
Lola durante o velório com a familia (Foto: Pax Sudoeste/divulgação)

Cremação - Conforme Fábio Figueiredo, da Pet Pax, crematório de animais em Campo Grande, a cremação segue um processo semelhante ao realizado em humanos, mas em equipamento destinado exclusivamente aos pets. O serviço custa entre R$ 600 e R$ 2 mil, dependendo do peso do animal e do tipo de cremação, que pode ser individual ou compartilhada.

Na modalidade individual, a família pode receber e guardar as cinzas, inclusive em urnas biodegradáveis que permitem o plantio de uma árvore como forma de preservar a memória do animal. A empresa também oferece sala de despedida, semelhante a um velório, onde familiares e até outros animais da casa podem participar da homenagem. Além de cães e gatos, o crematório já recebeu coelhos, araras, jabutis e outros animais.

Receba as principais notícias do Estado pelo Whats. Clique aqui para acessar o canal do Campo Grande News e siga nossas redes sociais.