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Campo Grande, Sábado, 24 de Agosto de 2019

08/05/2019 06:38

Consumidor recorre a fogão à lenha e placa solar após reajustes de gás e luz

Aumento da gasolina também incha orçamento do comércio e de quem trabalha com transporte

Ronie Cruz
Dona de casa Neuza Jara viu a conta de luz sofrer aumento percentual maior que 40% nos últimos três meses (Foto: Henrique Kawaminami)Dona de casa Neuza Jara viu a conta de luz sofrer aumento percentual maior que 40% nos últimos três meses (Foto: Henrique Kawaminami)

Pouco a pouco, o campo-grandense sente no bolso os aumentos aplicados desde o começo do ano no preço da gasolina, da energia elétrica e, mais recente, do gás de cozinha. O inchaço no orçamento por causa dos reajustes tem feito donas de casa, comerciantes e trabalhadores do transporte recorrerem a alternativas para driblar a situação.

No reajuste mais recente anunciado nesta segunda-feira (6), o preço médio do gás de cozinha em Campo Grande chega a R$ 67,10. O aposentado Edson Jacques, de 80 anos, garante que já encontrou o produto por R$ 75,00 na semana passada. “Isso é um abuso. Não aumentam o salário, mas aumentam a gasolina, a energia e o gás. E a despesa só vai aumentando”, reclama.

Em casa, a dona de casa Neuza Jara, 57, reclama que viu a conta de energia crescer 41% nos últimos três meses. “Em março eu paguei R$ 85, abril R$ 95 e agora a minha última fatura veio de R$ 120, sendo que o consumo é praticamente o mesmo em casa. Já o gás de cozinha eu paguei R$ 67 no domingo antes do reajuste. E agora? Onde vai parar esse preço?”, questiona a dona de casa que passou a vender salgados para complementar a renda.

“Tudo isso subindo e a gente não vê retorno para o cidadão. Do jeito que vai a gente vai ter de voltar a usar fogão lamparina e fogão à lenha”, acrescenta.

Mototaxista consegue driblar aumento do gás e da luz em casa, mas não consegue fugir do combustível  (Foto: Henrique Kawaminami)Mototaxista consegue driblar aumento do gás e da luz em casa, mas não consegue fugir do combustível (Foto: Henrique Kawaminami)

Lamparina ainda não está em uso na casa do mototaxista Valdecir Faria Rocha, 55 anos, mas fogão à lenha tem sido a estratégia dele para diminuir o consumo de energia elétrica e gás de cozinha. “Tem microondas em casa, mas deixamos de usar por causa da energia. E tem fogão à lenha para cozinhar no fim de semana. Durante a semana é no fogão a gás mesmo. Mas fazendo isso a gente já diminui os gastos”, conta.

No caso do gasolina, ele diz que consome diariamente aproximadamente 5 litros para trabalhar como mototaxista. “Nesse caso, não tem como driblar. De imediato, o prejuízo é só nosso. Para o passageiro continua a mesma coisa. Eu acho que deveria ter um controle maior na hora do aumento da gasolina. No último reajuste, saltou de 3,99 para 4,49”, disse.

Litro da gasolina chegou a ser encontrado por R$ 4,50 nos últimos dias na Capital (Foto: Henrique Kawaminami?)Litro da gasolina chegou a ser encontrado por R$ 4,50 nos últimos dias na Capital (Foto: Henrique Kawaminami?)

Diante do aumento nos custos, os proprietários de uma tradicional churrascaria na Afonso Pena resolveram buscar alternativa nos recursos tecnológicos da modernidade, usando placas solares. Para atender as atividades durante o dia, eles investiram neste ano R$ 180 mil no equipamento.

Proprietário de churrascaria diz que reajustes do gás, da energia e do combustível refletiram no movimento de clientes (Foto: Henrique Kawaminami)Proprietário de churrascaria diz que reajustes do gás, da energia e do combustível refletiram no movimento de clientes (Foto: Henrique Kawaminami)

“Com esses aumentos constantes percebemos, inclusive, uma diminuição no movimento aqui na churrascaria. No caso da conta de luz, a gente chegou a pagar R$ 3.600 antes de instalar as placas. Agora, usando a energia que vem da rua só durante a noite, esse valor caiu para algo em torno de R$ 350”, conta o proprietário Nei Antônio Filippin, 38.

Mesmo com o custo menor com a conta da energia, ele diz que o retorno do investimento das placas solares deve ser percebido no orçamento só daqui a três anos após a quitação das parcelas.

Enquanto isso, os reajustes do gás, da energia e do combustível, já refletiram no preço de produção dos principais pratos. “Não é possível calcular exatamente porque também tem a variação da matéria prima nossa que é a carne que também oscila, mas a podemos estimar que o preço médio dos pratos tiveram um aumento de 15% a 20% no valor”, sem repasse ao cliente, calculou o proprietário José Nivaldo Lopes Filho, 38.

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