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Campo Grande, Quinta-feira, 17 de Outubro de 2019

04/06/2019 12:43

Contribuinte trabalhou 5 meses só para pagar R$ 108 bi em impostos em MS

Além de impostos, cidadão ainda vai trabalhar mais um mês neste ano só para pagar os rombos da corrupção no país, revela IBPT

Ronie Cruz
Impostômetro na rua 15 de novembro indica que o brasileiro já pagou neste ano mais de R$ 1 trilhão em impostos (Foto: Marina Pacheco) Impostômetro na rua 15 de novembro indica que o brasileiro já pagou neste ano mais de R$ 1 trilhão em impostos (Foto: Marina Pacheco)

Os sul-mato-grossenses já pagaram neste ano mais de R$ 108 bilhões em impostos e só devem começar a usufruir integralmente de toda a sua renda a partir desta semana. De acordo com estudo realizado pelo IBPT (Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação), cada brasileiro trabalha 153 dias de um total de 365 dias do ano para pagar tributos.

Se for considerado cálculo, até domingo (2), todos os dias trabalhados seriam somente para pagar os tributos do governos federal, estadual e municipal.

O IBPT considerou vários impostos pagos pelo contribuinte, como imposto de renda, INSS, contribuições sindicais, PIS, Cofins, ICMS, IPTU, IPVA, taxas (limpeza, iluminação e coleta de lixo) entre outros.

Em busca de emprego, Vera Lúcia diz que alta carga tributária prejudica os mais pobres (Foto: Marina Pacheco)Em busca de emprego, Vera Lúcia diz que alta carga tributária prejudica os mais pobres (Foto: Marina Pacheco)

Diante do cenário que o estudo apresenta, Vera Lúcia dos Santos Silva, 40, desempregada, acredita que as classes mais baixas são as mais prejudicadas. “Tem rico que deixa de pagar imposto enquanto tem pobre que anda em dia. Quem tem menos é mais prejudicado. E você não vê retorno do imposto que você paga. Só enxerga o que sai. Antes você sobrevivia com um salário mínimo, hoje não dá”, disse.

O estudo também revela que os brasileiros estão trabalhando cada vez mais para pagar impostos. Na década de 70, por exemplo, o período anual consumido pelos impostos era de dois meses; na década de 90 três meses; e a partir de 2010 cinco meses. Isto é, hoje se trabalha mais que o dobro do que se trabalhava na década de 70 para pagar a tributação.

Advogado Joatan Loureiro diz que estrutura e altos salários do funcionalismo público são incompatíveis com a realidade (Foto: Marina Pacheco)Advogado Joatan Loureiro diz que estrutura e altos salários do funcionalismo público são incompatíveis com a realidade (Foto: Marina Pacheco)

Na opinião do advogado Joatan Loureiro, 63, o peso da máquina estatal e dos salários de alguns cargos dos Poderes Judiciário, Legislativo e Executivo é desproporcional com a realidade do país. “Os altos salários de alguns cargos ficaram pesados para a sociedade. Sem desmerecê-los, mas isso acaba sendo imoral. Você vê o tamanho dos prédios de alguns órgãos. Não precisaria de toda essa estrutura. Poderiam ser menores”, observou acrescentando que os impostos poderiam ser distribuídos de forma mais transparente para o cidadão.

Para a estudante Sara Martinez, 19, que acaba de voltar de um intercâmbio de seis meses em Portugal, a alta carga de impostos no Brasil entristece quando comparado a outros países. “Lá em Portugal é diferente porque mesmo pagando menos impostos a qualidade de vida é maior. Achei muito bom isso lá. Mas no Brasil é tudo mais caro”, disse a jovem.

Além dos impostos já pagos, o IBPT estima que o brasileiro vai trabalhar ainda mais um mês (29 dias) neste ano só para pagar os rombos causados pela corrupção no país. No fim das contas, o cidadão que trabalhou por doze meses terá meio ano para usufruir dos próprios rendimentos.

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