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Economia

Ensino superior avança, mas desigualdade racial e de gênero resiste no mercado

Trabalhadores com faculdade recebem mais que o triplo da renda de pessoas sem instrução

Por Kamila Alcântara | 08/05/2026 16:42
Ensino superior avança, mas desigualdade racial e de gênero resiste no mercado
Estudantes no corredor da UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul), em Campo Grande (Foto: Arquivo)

Mato Grosso do Sul ganhou mais trabalhadores em 2025, ampliou a presença de pessoas com ensino superior no mercado e viu o rendimento médio crescer. Mesmo assim, os dados mais recentes da PNAD Contínua (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua) mostram que desigualdades históricas seguem firmes no Estado: homens ainda ganham mais que mulheres e pretos seguem com os menores rendimentos médios.

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Mato Grosso do Sul registrou crescimento de 4% no número de trabalhadores em 2025, passando de 1,41 milhão para 1,46 milhão de ocupados, segundo a PNAD Contínua do IBGE. O rendimento médio chegou a R$ 3.727, sétimo maior do país, mas desigualdades persistem: homens ganham R$ 4.127 contra R$ 3.210 das mulheres, e trabalhadores pretos recebem R$ 3.046, menor média do estado, enquanto brancos recebem R$ 4.527.

Levantamento divulgado nesta sexta-feira (8) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) aponta que o número de pessoas ocupadas no Estado cresceu 4% entre 2024 e 2025, passando de 1,41 milhão para 1,46 milhão de trabalhadores. Desse total, 825 mil são homens e 638 mil mulheres.

O ensino médio completo segue como o perfil predominante entre os trabalhadores sul-mato-grossenses. Em 2025, 488 mil pessoas ocupadas estavam nessa faixa de escolaridade, o maior contingente registrado pela pesquisa.

Ao mesmo tempo, o número de profissionais com ensino superior completo praticamente disparou nos últimos anos. Em 2012, eram 146 mil trabalhadores graduados. Agora, o Estado registra 375 mil pessoas ocupadas com diploma universitário.

Segundo o IBGE, o rendimento médio sobe conforme aumenta o nível de instrução. Quem tem ensino superior completo recebe, em média, R$ 6.632 por mês. Já trabalhadores sem instrução formal têm rendimento médio de R$ 1.824. A diferença é de mais de 260%.

Entre os níveis intermediários, pessoas com ensino médio completo recebem, em média, R$ 2.905 mensais. Para quem concluiu apenas o ensino fundamental, o valor cai para R$ 2.535.

Apesar do crescimento histórico da renda feminina, os homens continuam recebendo salários maiores. Em 2025, o rendimento médio masculino chegou a R$ 4.127, enquanto o das mulheres ficou em R$ 3.210.

O estudo mostra, porém, uma evolução gradual na renda das trabalhadoras. Em 2012, as mulheres recebiam, em média, R$ 2.456. Corrigido pela inflação, o aumento foi de cerca de 30% ao longo da série histórica.

A desigualdade racial também aparece nos dados da pesquisa. Embora Mato Grosso do Sul tenha o 7º maior rendimento médio do País, os trabalhadores pretos continuam registrando os menores salários médios do Estado.

Segundo o levantamento, pessoas declaradas pretas recebem, em média, R$ 3.046. Entre pardos, o rendimento médio é de R$ 3.187. Já entre trabalhadores brancos, a média chega a R$ 4.527.

No total geral, sem distinção de raça, Mato Grosso do Sul fechou 2025 com rendimento médio de R$ 3.727, o sétimo maior do Brasil.

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