ACOMPANHE-NOS    
JULHO, TERÇA  07    CAMPO GRANDE 19º

Economia

Falta de ração em granjas por conta de interdições resulta até em canibalismo

Cerca de 25 mil porcos também deixaram de embarcar para os frigoríficos e a associação estima um prejuízo de R$ 30 milhões à categoria.

Por Adriano Fernandes | 29/05/2018 21:46
Mato Grosso do Sul possui cerca de 300 mil animais na fase de engorda, que estão deixando de ganhar cerca de um quilo por dia. (Foto: Arquivo)
Mato Grosso do Sul possui cerca de 300 mil animais na fase de engorda, que estão deixando de ganhar cerca de um quilo por dia. (Foto: Arquivo)

A entrega de ração nas fazendas de criação de porcos para abate, paralisada desde o início das interdições de caminhoneiros em rodovias no Estado, tem resultado em mortes e até canibalismo entre os animais.

Além da perda de peso, os suínos estariam mordendo, uns aos outros, principalmente no rabo e orelhas, para suprir a falta de alimento. Cerca de 25 mil porcos também deixaram de embarcar para os frigoríficos e a Asumas (Associação Sul-matogrossense dos Suinocultores) já estima um prejuízo de R$ 30 milhões à categoria.

A situação foi tema de reunião com o presidente da Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Desenvolvimento Econômico, Produção e Agricultura Familiar (Semagro), Jaime Verruck.
Uma das reivindicações da associação, durante o encontro, foi a solicitação de escolta aos caminhões que trazem ração e outro insumos às fazendas.

“Nossas granjas já não possuem ração e a região de Dourados é uma das mais impactadas. As granjas que ainda conseguem acesso à comida pra os animais, estão disponibilizando apenas milho triturado. Isso é insuficiente”, comentou o presidente da Asumas, Celso Philippi Júnior.

Os pontos de paralisação que impedem os abates de suínos na região de Dourados, segundo a Asumas, estão em Fátima do Sul, Dourados (quatro pontos), Itaporã e Laguna Carapã. “Buscaremos reforços para escoltar caminhoneiros, pelo menos nas áreas estratégicas, que dão acesso aos frigoríficos e granjas, diminuindo o impacto da situação, que reforçamos, é bastante grave”, comentou Verruck.

Ainda de acordo com a Asumas, Mato Grosso do Sul possui cerca de 300 mil animais na fase de engorda, que estão deixando de ganhar cerca de um quilo por dia. O prejuízo é de 300 toneladas de suínos diariamente.

Também participaram da reunião representantes da Famasul, das indústrias, suinocultores de Dourados e região, e da Associação de Avicultores de MS (Avimasul), categoria que sofre a mesma situação. Cerca de 2,3 milhões de aves deixaram de embarcar para os frigoríficos até esta terça-feira (29).

Falta de ração em granjas por conta de interdições resulta até em canibalismo