Fora das autoescolas, número de instrutores autônomos mais que dobra em MS
Norma de março deste ano permite que o aluno contrate esses profissionais diretamente

Mato Grosso do Sul tem atualmente 74 instrutores de trânsito autônomos ensinando alunos a dirigir e pilotar sem vínculo com autoescola. Segundo dados do Detran (Departamento Estadual de Trânsito), o número era de 34 há cerca de dois meses, o que significa que mais do que dobrou em pouco tempo.
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Mato Grosso do Sul registrou crescimento no número de instrutores de trânsito autônomos, que passou de 34 para 74 em dois meses, após autoescolas perderem a exclusividade de oferecer aulas práticas para a CNH em março de 2025. Os profissionais relatam otimismo com a alta procura e valorizam a flexibilidade de horários e a negociação direta com alunos. Para atuar, é necessário ter mais de 21 anos, ensino médio completo e curso de Formação de Instrutores de Trânsito.
Os relatos dos independentes são de “otimismo” com esse novo mercado, aberto desde março deste ano. Naquele mês, as autoescolas perderam a exclusividade de oferecer aulas de direção que contam como obrigatórias para tirar a CNH (Carteira Nacional de Habilitação), por decisão do Contran (Conselho Nacional de Trânsito). A medida acompanha uma série de mudanças que pretendem facilitar o acesso à primeira habilitação.
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“Eu vejo esses profissionais bastante otimistas no mercado de trabalho. Eles comentam que estão se surpreendendo com a procura de candidatos à habilitação”, afirma Noemia Rodrigues, gerente de Controle de Credenciamento de Habilitação e Condutores, setor que também é responsável pelo credenciamento de instrutores.
A flexibilidade no trabalho e a possibilidade de negociar diretamente com o aluno são as vantagens que eles mais destacam. “Estão sentindo mais liberdade para trabalhar dentro dos horários que eles escolhem, têm mais contato com os candidatos. O que eu ouço é que estão buscando isso mesmo”, continua a gerente.
Para aqueles que não querem largar o contrato pela CLT (Consolidação das Leis do Trabalho), é permitido ser instrutor de autoescola e instrutor independente ao mesmo tempo. Noemia explica que as taxas são únicas para exercer a profissão das duas formas, o que vai mudar é a necessidade de fazer vistoria a cada seis meses no veículo próprio ou locado para o ensino como autônomo.
Impulso - Instrutor autônomo em Bonito desde o fim de março, Mario Augusto de Souza, 45, dá aulas de carro desde 1999. Também trabalhou em autoescolas de Guia Lopes da Laguna, Jardim e Bela Vista. Parou em 2022.
“Desanimei e comecei a atender só de forma particular quem precisava de aulas extras e quem já era habilitado, mas tinha medo de pegar o carro”, conta. Ele também passou num concurso público e abriu uma empresa de higienização de estofados no período. Dava para conciliar.

Este ano, ele tentou alugar o carro de uma autoescola para ensinar a sobrinha a dirigir após duas reprovações na prova prática. A negativa recebida virou um impulso.
“Tenho até que agradecer, porque eles negaram e aí fui atrás de comprar o meu próprio para ajudar a minha sobrinha e começar a trabalhar como autônomo. Mandei caracterizar, colocar placa especial e adaptar com os comandos no lado do passageiro, tudo o que pede o Detran”, comentou.
O veículo que ele comprou é do modelo Fiat/Mobi. As mudanças necessárias no carro ficaram em torno de R$ 4,8 mil.
Mario, conhecido como “Gutão” em Bonito, fala que o investimento está dando um ótimo retorno. A agenda está lotada e alunos estão reservando horários com ele antes mesmo de chegarem à etapa em que podem fazer as aulas práticas.
Ele afirma que ganhou a liberdade de escolher os horários e ter mais folgas, mas até trabalha no domingo, quando é vantajoso. "Tem gente que só vem para a cidade nesse dia. Eu atendo, mas cobro o dobro", relata.
O maior ganho, para ele, está sendo o financeiro. “Nós, instrutores, nunca tivemos preguiça de trabalhar. A gente não gosta de ganhar pouco. É uma área pouco valorizada”, desabafa.
Na Capital - Cleuma Silva Alegre, 45 anos, começou a investir no carro que usaria para dar aula em abril deste ano. Em maio, já estava trabalhando em Campo Grande, que concentra a maioria dos instrutores autônomos já credenciados.
Chamada de Cleu pelos alunos, ela chegou a ser diretora de ensino de uma escola no interior do Estado e a dar aulas teóricas. Conheceu todas as funções desde que começou a trabalhar no ramo, em 2014. Decidiu mudar-se para Campo Grande após a pandemia de covid-19, que deixou as coisas mais difíceis para o setor.
Insatisfeita com o salário como funcionária, ela decidiu pagar para adaptar o carro próprio, um Fiat/Cronos. “Vi a oportunidade de trabalhar para mim mesma, ser dona do meu negócio e me desenvolver”, falou.
Com as novas regras do processo de habilitação, ela avalia que há mais candidatos. Assim, a procura aumentou e abriu espaço para os autônomos entrarem no mercado que as autoescolas ainda dominam em Mato Grosso do Sul.
Para ela, a troca também foi mais vantajosa. Para os alunos, agora há mais opções, na visão dela. "Consigo oferecer um horário noturno de aula para aqueles que trabalham o dia todo", diz.
Como trabalhar na área?
Noemia Rodrigues explica que o primeiro passo para quem quer ser um instrutor autônomo é saber se atende aos seguintes critérios:
- Ter mais de 21 anos;
- Ter Ensino Médio completo;
- Estar habilitado há pelo menos dois anos;
- Não responder a processo de cassação ou suspensão da CNH;
- Não ter cometido infração gravíssima nos últimos 60 dias;
- Apresentar certidão negativa de antecedentes criminais do TJMS (Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul), Polícia Civil e PF (Polícia Federal);
- Ter concluído o curso de Formação de Instrutores de Trânsito.
Os documentos necessários para credenciamento, os mesmos exigidos para trabalhar como instrutor de autoescola, são:
- Cópia do certificado de formação como instrutor;
- Cópia da CNH;
- Cópia do histórico escolar do Ensino Médio (Modelo 19);
- Cópia do comprovante de residência ou declaração de residência atualizado;
- Certidões criminais do TJMS, Polícia Civil e PF.
- Formulário com dados preenchidos no site detran.ms.gov.br/wp-content/uploads/2026/01/Requerimento-de-Credencial-de-Instrutor.pdf
Eles podem ser entregues pessoalmente no bloco 5 da sede do Detran em Campo Grande e em agências de trânsito, no caso do interior. Não é preciso agendar. Outra opção é enviá-los por e-mail para disup@detran.ms.gov.br.
O primeiro registro terá a cobrança da taxa de R$ 193,36. Quem já é instrutor em autoescola não precisará fazer novo credenciamento nem pagar novamente a taxa de primeiro registro. Nesse caso, a exigência é emitir a credencial de instrutor autônomo junto ao Detran, que hoje custa R$ 56,57. O valor do primeiro registro foi informado com base na tabela de julho, enquanto o da credencial já considera a atualização de agosto.
Instrutores autônomos só podem atuar nas categorias A (motocicleta) e B (veículo de passeio). Quanto ao carro utilizado, ele pode ser manual ou automático, e não precisa ser próprio. Se for locado, é registrado como "veículo eventual". A vistoria não é dispensada em nenhuma situação. Até julho deste ano, o valor cobrado pela avaliação era de R$ 235,74. Segundo a gerente, é uma taxa anual que cobre duas vistorias, realizadas com intervalo de seis meses.
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