Fretes sobem e refletem avanço atípico das exportações de milho em MS
Demanda elevada por corredores de exportação sustenta ajustes, enquanto maior oferta de veículos limita altas
O mercado de fretes em Mato Grosso do Sul apresentou, em dezembro de 2025, um comportamento fora do padrão histórico para o período, conforme dados apresentados nesta segunda-feira (26), pela Conab (Companhia Nacional de Abastecimento). Tradicionalmente marcado por retração sazonal da atividade logística em razão do encerramento do ano comercial e da transição entre safras, o último mês do ano foi caracterizado por aumento significativo da movimentação física de cargas.
RESUMO
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O mercado de fretes em Mato Grosso do Sul registrou comportamento atípico em dezembro de 2025, com aumento significativo na movimentação de cargas. O crescimento das exportações de milho e a manutenção de volumes elevados de soja foram os principais fatores para essa movimentação incomum no período. O câmbio favorável, com dólar cotado a R$ 5,49, impulsionou a competitividade das commodities brasileiras. Os preços dos fretes mantiveram-se estáveis na maioria das rotas, com reajustes pontuais em trajetos de média e longa distância. O estado exportou 296.311 toneladas de milho e 246.667 toneladas de soja no período, números expressivamente superiores ao mesmo mês de 2024.
O principal fator foi o forte crescimento das exportações de milho, aliado à manutenção de volumes elevados de soja, o que sustentou a demanda por transporte rodoviário, especialmente nas rotas voltadas ao escoamento para os portos.
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O ambiente externo contribuiu para esse desempenho. Em dezembro, o câmbio manteve-se em patamar competitivo, com cotação média do dólar em R$ 5,49, levemente ajustada em relação a novembro. Essa condição favoreceu a competitividade das commodities brasileiras no mercado internacional e garantiu ritmo consistente de embarques, mesmo em um mês em que, historicamente, a logística tende a desacelerar.
Apesar do aumento expressivo do volume transportado, a análise dos preços dos fretes indica um mercado relativamente equilibrado. Na comparação com novembro, predominou a estabilidade das cotações, com reajustes pontuais de alta em rotas específicas, sobretudo aquelas de média e longa distância ligadas aos corredores de exportação. A maior disponibilidade de veículos no encerramento do ano, característica recorrente do período, ajudou a conter pressões altistas mais intensas, mesmo diante da demanda firme.
Os dados de Mato Grosso do Sul mostram que, nas principais origens produtoras do estado, os ajustes ocorreram de forma diferenciada conforme o destino e a distância. Em Chapadão do Sul, os fretes para Paranaguá (PR) atingiram R$ 250,00 por tonelada em dezembro de 2025, alta de 4% em relação a novembro e de 14% na comparação anual. Para Guarujá (SP), a cotação permaneceu estável em relação ao mês anterior, em R$ 240,00 por tonelada, embora ainda registre avanço de 9% frente a dezembro de 2024.
Em Dourados, importante polo logístico do sul do estado, as elevações foram mais evidentes em rotas longas. O frete para Rio Grande (RS) chegou a R$ 250,00 por tonelada, com aumento mensal de 9% e variação anual de 36%. Para Paranaguá, a cotação subiu para R$ 208,00 por tonelada, avanço de 6% no mês e de 30% no ano. Já nas rotas mais curtas, como Dourados–Maringá (PR), os preços se mantiveram competitivos, ainda que com leve ajuste mensal, refletindo o equilíbrio entre oferta e demanda no mercado interno.
Em Maracaju, as cotações também acompanharam a maior demanda por exportação. O frete para Paranaguá foi negociado a R$ 220,00 por tonelada, alta de 5% frente a novembro e de 26% na comparação anual. Para Maringá, o valor alcançou R$ 112,00 por tonelada, com elevação mensal de 9% e anual de 30%. Esses movimentos reforçam a concentração dos reajustes nas rotas que integram o estado aos principais portos exportadores.
São Gabriel do Oeste apresentou comportamento semelhante. O frete para Santos (SP) subiu para R$ 295,00 por tonelada, avanço mensal de 13% e variação anual de 35%, uma das maiores altas do período. Para Paranaguá, a cotação atingiu R$ 255,00 por tonelada, com ajuste mensal mais contido, de 2%, mas ainda com elevação anual de 24%. Nas ligações de menor distância, como São Gabriel do Oeste–Maringá, a variação foi limitada, refletindo a continuidade do abastecimento de agroindústrias regionais.
Em Sidrolândia, os preços também avançaram de forma seletiva. O frete para Santos chegou a R$ 274,00 por tonelada, alta de 5% no mês e de 22% no ano, enquanto a rota para Rio Grande registrou um dos maiores ajustes mensais da tabela, com elevação de 18%, alcançando R$ 289,00 por tonelada. Para Maringá, a cotação subiu para R$ 113,00 por tonelada, variação mensal de 5%.
Ponta Porã, na faixa de fronteira, manteve tendência semelhante. O frete para Paranaguá foi negociado a R$ 216,00 por tonelada, alta de 5% em relação a novembro e de 33% na comparação anual. Para Santos, a cotação chegou a R$ 300,00 por tonelada, com aumento mensal de 11% e expressiva variação anual de 74%, evidenciando a maior pressão de custos nas rotas mais longas e demandadas.
O comportamento dos fretes em dezembro está diretamente associado ao desempenho das exportações do estado. De acordo com dados do Comex Stat, Mato Grosso do Sul exportou 296.311 toneladas de milho no mês, volume significativamente superior às 210.540 toneladas embarcadas em novembro. As exportações de soja, embora tenham recuado levemente na comparação mensal, permaneceram elevadas, somando 246.667 toneladas, frente a 254.132 toneladas em novembro.
Na comparação com dezembro de 2024, quando o estado exportou apenas 36.791 toneladas de milho e 34.136 toneladas de soja, observa-se uma ampliação substancial dos fluxos, reforçando o caráter atípico da movimentação logística no período.
As principais rotas de escoamento envolveram os portos de Paranaguá (PR), São Francisco do Sul (SC), Santos (SP) e Rio Grande (RS), que concentraram a maior parte da movimentação. Conforme indicado no Gráfico 5, a participação de Mato Grosso do Sul nas exportações brasileiras de milho alcançou 4,8% em dezembro, enquanto a de soja chegou a 7,13%.
O conjunto desses fatores mostra que, embora dezembro de 2025 tenha registrado crescimento expressivo do volume transportado, o mercado de fretes operou com relativo equilíbrio. A combinação entre demanda aquecida para exportação e maior oferta de veículos no fim do ano limitou variações mais acentuadas de preços, resultando em um cenário de estabilidade predominante, com altas concentradas em rotas estratégicas para o comércio exterior.



