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Economia

Mapa econômico: potencialidades de cidades de MS com a Rota Bioceânica

Dados foram detalhados em trabalho de professores da Universidade Rila (Rota de Integração Latino-Americana)

Por Danielly Escher | 08/12/2023 13:27
Ponte binacional sendo contruída entre Porto Murtinho em MS e o Paraguai (Foto: Toninho Ruiz)
Ponte binacional sendo contruída entre Porto Murtinho em MS e o Paraguai (Foto: Toninho Ruiz)

Faltam dois anos para que o corredor bioceânico ou Rila (Rota de Integração Latino-Americana) comece a funcionar com a estrutura prevista pelos países do trajeto rodoviário de quase 2,5 mil km encurtando caminhos entre Brasil, Paraguai, Argentina e Chile. Apesar dos avanços, ainda há muito a ser feito e isso foi constatado recentemente durante a 3ª Expedição Rila, principalmente na questão alfandegária.

Os levantamentos sobre informações para nortear políticas públicas começaram há muito tempo. Entre eles um estudo chamado "Dinâmica dos arranjos produtivos locais nos municípios de Mato Grosso do Sul considerando as transformações do Corredor Bioceânico". A pesquisa foi feita pelo projeto Uems na Rota, da Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul. Com os dados de 2020 foi possível mapear as potencialidades das cidades do Estado e como aproveitar oportunidades na Rila.

Segundo o estudo, os municípios que podem ganhar por fazer parte da rota são, na maioria, do setor agropecuário. Os investimentos nos municípios da Rota Bioceânica dependem não só da implantação ou dos benefícios logísticos, mas também das decisões de alocação das empresas, do porte e da característica produtiva de cada região.

Possibilidades promissoras - Foram identificadas importantes oportunidades no entorno da Rota relacionadas aos setores de apicultura, horticultura agroindustrial, plantas medicinais e fitoterápicas, mandioca, base florestal, leite e piscicultura. Tudo isso está ligado à produção primária. Estes setores podem se beneficiar do novo corredor para aprofundar ou buscar novos mercados, especialmente na Ásia.

A apicultura se espalhou em Mato Grosso do Sul com o crescimento da atividade de florestas plantadas, associações e pequenos produtores passaram a produzir mel dentro das áreas de plantio florestal. A aquicultura de água doce também cresceu, especialmente na última década, e o estado possui algumas unidades frigoríficas responsáveis por quase 30% do volume de peixes abatidos criados nos tanques no Brasil. Os municípios de Aparecida do Taboado, Selvíria, Brasilândia, Mundo Novo e Itaporã são responsáveis sozinhos por 90% da produção de tilápia em cativeiro no Estado.

Mão de obra - Municípios com maior concentração de emprego do setor industrial são: Mundo Novo, Eldorado, Itaquiraí, Iguatemi, Juti e Vicentina, no extremo sul. A sudeste, o segundo conjunto de municípios com concentração acima da média são: Batayporã, Anaurilândia e Bataguassu, Nova Andradina, Angélica e Rio Brilhante. No nordeste aparecem Paranaíba, Aparecida do Taboado e Selvíria. Indústrias associadas ao setor agropecuário têm uma regra de alocação de plantas de produção, geralmente baseada na distância da matéria-prima.

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Destaque - Entre os municípios com maior concentração do setor industrial vale citar aqueles com atividades de vestuário: Mundo Novo, Eldorado, Iguatemi, Juti, Batayporã, Nova Andradina e Rio Brilhante. Ele produzem calçados e acessórios, roupas íntimas, vestuário em geral ou artigos têxteis. Essas plantas industriais normalmente utilizam o critério de alocação de mão de obra facilmente substituível e barata por conta de produtos de baixo valor agregado.

Construção civil e comércio - Estão mais concentrados na região central, especialmente no entorno de Campo Grande, incluindo Sidrolândia, Nova Alvorada do Sul, Terenos, Rochedo, Jaraguari, Ribas do Rio Pardo, Água Clara, Brasilândia, Inocência, Três Lagoas, Selvíria e Aparecida do Taboado.

As atividades do comércio que se destacam na geração de empregos formais nos municípios com alta concentração estão no varejo: artigos para vestuário e acessórios, mercadorias (hipermercados, minimercados e armazéns e, principalmente, supermercados), automóveis, acessórios e peças para veículos, materiais de construção, produtos farmacêuticos e insumos para postos de combustíveis.

Remuneração - O setor de comércio contrata mais pessoas com ensino fundamental e médio completo, e a média salarial para essas qualificações no Estado gira em torno de R$ 1.584 para pessoas com ensino fundamental completo e R$ 1.804 que tem ensino médio completo. No caso do comércio, as atividades em empresas maiores estão na maior parte associadas à contratação de pessoal mais qualificado.

Possibilidades de avanço - Com exceção do comércio de carnes e de algumas categorias de produtos alimentícios, e para alguns casos do comércio de materiais de construção, o comércio em Mato Grosso do Sul não está vinculado às indústrias locais, ou seja, não tem ligação em sua cadeia produtiva com empresas que produzem dentro do Estado. Em geral, são produtos comprados em outros Estados, transportados por rodovias.

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