Ponte da Rota Bioceânica já virou passeio antes mesmo de ficar pronta
Turistas já fazem visita pelo Rio Paraguai e até de bicicleta pelo lado paraguaio
Antes de ligar oficialmente o Brasil ao Paraguai por asfalto, a ponte da Rota Bioceânica já virou atração turística em Porto Murtinho, a 439 km de Campo Grande. A obra sobre o Rio Paraguai, que fará a conexão com Carmelo Peralta, está 90% executada, mas já entrou no roteiro de visitantes curiosos para ver de perto a estrutura que promete mudar o comércio e o turismo em Mato Grosso do Sul.
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A ponte da Rota Bioceânica, em Porto Murtinho (MS), já se tornou atração turística antes mesmo de ser concluída. Com 90% da obra executada, a estrutura sobre o Rio Paraguai atrai visitantes por terra e barco. O governo prevê crescimento de 30% no turismo no primeiro ano de funcionamento do corredor rodoviário de 3,9 mil quilômetros, que ligará os oceanos Atlântico e Pacífico, passando por Brasil, Paraguai, Argentina e Chile.
Quem colocou a ponte no mapa turístico foi a turismóloga Annice Dias, criadora da primeira agência de turismo de Porto Murtinho. Ela já guia grupos para acompanhar a obra por terra firme e também pelo Rio Paraguai, além de atuar com novas atividades que começam a ganhar força no município, como cicloturismo, eventos de pesca femininos e para casais, e contemplação no rio.
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“O fluxo de visitantes já tem aumentado. Eu recebo solicitações do Paraguai para o Brasil, de Loma Plata e Filadélfia [colônias alemãs do chaco paraguaio] e Vallemí. Os paraguaios gostam de vir, principalmente, para Bonito. E agora estão descobrindo outros destinos como Jardim, Bodoquena e até Campo Grande”, disse Annice.
A empresária aproveitou a estrutura já existente da pesca em Porto Murtinho para transformar a curiosidade pela ponte em roteiro turístico. Há passeio de barco até a obra e, no caso do cicloturismo, travessia de balsa até Carmelo Peralta, no Paraguai.
A ponte faz parte do Corredor Bioceânico de Capricórnio, rota rodoviária de 3,9 mil quilômetros que vai ligar os oceanos Atlântico e Pacífico, passando por Brasil, Paraguai, Argentina e Chile. A promessa é reduzir o tempo de transporte de mercadorias entre a América do Sul e a Ásia, mas o primeiro impacto mais visível aparece no turismo.
A previsão do governo é de crescimento de 30% no fluxo turístico no primeiro ano de funcionamento do corredor rodoviário e de 70% a partir do segundo ano. A estimativa considera apenas o turismo por estrada, sem eventual impacto da abertura de novos voos.
Para o diretor-presidente da Fundtur (Fundação de Turismo de Mato Grosso do Sul), Bruno Wendling, a abertura de novos acessos costuma mexer diretamente com o setor, principalmente quando facilita a ligação entre cidades e destinos turísticos. Ele avalia que a estrutura alfandegária será ponto decisivo após a conclusão da ponte, já que a tendência é de aumento do turismo rodoviário.
No comércio, a expectativa gira em torno da redução em duas semanas no trajeto até a Ásia. Segundo Danniele Paiva, assessora especial de integração do Corredor Bioceânico na Semadesc (Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação), o interesse de empresas em se instalar na região já é visível, mas depende da conclusão das questões alfandegárias e do funcionamento pleno do corredor.
Em Jardim, o empresário Luiz Carlos Malacarne, do ramo de distribuição de combustíveis, também se prepara para uma nova fase. Há dois anos, ele faz adequações físicas no prédio da empresa e diz estar pronto para ampliar em 30% o atendimento, caso a demanda cresça após a conclusão da obra rodoviária.
Quando concluído, o Corredor Bioceânico terá infraestrutura rodoviária ligando o Porto de Santos aos portos chilenos de Iquique e Antofagasta, além de sistemas portuários públicos e privados na costa do Pacífico, em Mejillones e Tocopilla.
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