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Economia

Sem acordo aduaneiro, Rota Bioceânica perde vantagem logística, diz secretário

Artur Falcette, da Semadesc, alerta que burocracia nas fronteiras pode anular ganho de até 14 dias no corredor

Por Anderson Viegas | 04/06/2026 16:13
Sem acordo aduaneiro, Rota Bioceânica perde vantagem logística, diz secretário
Secretário estadual de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação de Mato Grosso do Sul, Artur Falcette (Foto: Semadesc/Divulgação)

Sem um amplo acordo aduaneiro entre Brasil, Paraguai, Argentina e Chile, a principal vantagem competitiva da Rota Bioceânica pode desaparecer. Segundo o secretário estadual da Semadesc (Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação de Mato Grosso do Sul), Artur Falcette, a burocracia nas fronteiras pode consumir mais tempo do que os até 14 dias que a nova rota promete economizar em relação ao trajeto tradicional via Porto de Santos e Canal do Panamá.

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A Rota Bioceânica pode perder competitividade se Brasil, Paraguai, Argentina e Chile não avançarem em um acordo aduaneiro. Segundo o secretário Artur Falcette, a burocracia nas fronteiras pode anular a economia de até 15 dias no transporte. Ele afirmou que a infraestrutura deve ficar pronta, mas o principal desafio agora é alinhar procedimentos alfandegários entre os quatro países.

O corredor bioceânico ligará Campo Grande (MS) ao porto de Antofagasta, no Chile, por um percurso de 2.396 quilômetros. Para Falcette, após os avanços na infraestrutura, o principal desafio para tornar a rota efetivamente competitiva passou a ser a harmonização dos procedimentos alfandegários entre os quatro países.

Sobre o descompasso entre a conclusão da Ponte Bioceânica, prevista para este ano, e a finalização do acesso brasileiro à estrutura, cuja entrega está prevista pelo DNIT (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes) para dezembro de 2027, o secretário reconheceu que houve um desalinhamento nos cronogramas. Segundo ele, porém, o tema vem sendo acompanhado e discutido semanalmente pelo Governo do Estado.

“Temos conversado semanalmente sobre o assunto e ido a Brasília. O acesso, do ponto de vista da infraestrutura, será um gargalo maior do que a própria ponte. A ponte estará pronta e o acesso ainda estará em construção. A previsão mais recente que recebemos foi agosto de 2027”, afirmou, referindo-se a um prazo de quatro meses anterior ao informado ao Campo Grande News pelo DNIT. “Acredito que isso também esteja relacionado à questão dos recursos. O financiamento da ponte estava mais equacionado por meio da Itaipu, o que permitiu uma liberação mais rápida.”

Falcette reiterou que a questão estrutural não é motivo de preocupação, já que as obras serão concluídas. Segundo ele, cerca de 90% das discussões atuais em Brasília sobre a Rota Bioceânica estão concentradas justamente nos aspectos alfandegários.

O ministro João Carlos Parkinson de Castro, diplomata de carreira do Ministério das Relações Exteriores e um dos principais articuladores da Rota Bioceânica, também já manifestou preocupação com a possibilidade de toda a infraestrutura ficar pronta antes da conclusão do acordo aduaneiro entre os países envolvidos.

Ele ressalta que, neste momento, as instituições dos quatro países ainda mantêm posições muito fechadas e que será necessário um impulso político de alto nível para destravar as negociações, que seguem em andamento, mas avançam lentamente.

A expectativa dos países cortados pela rota é transformar o corredor em uma grande via de escoamento de produtos e importação de mercadorias entre a América do Sul e os mercados asiáticos, com potencial de reduzir em até 30% os custos logísticos e em até 15 dias o tempo de transporte em relação às rotas marítimas tradicionais, como a que passa pelo Canal do Panamá.