Redução da cesta básica em Campo Grande ficou entre as 3 menores do país
Apesar do recuo nacional, Capital teve variação discreta de -2,16% e segue entre as mais caras do país
Todas as capitais brasileiras registraram queda no preço da cesta básica de alimentos no segundo semestre de 2025, segundo a análise mensal da pesquisa nacional de preço da cesta básica de alimentos, divulgada pela Conab (Companhia Nacional de Abastecimento) em parceria com o Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos). No entanto, Campo Grande apresentou uma das menores variações do país no período, com redução de apenas -2,16%, a terceira menos expressiva entre as 27 capitais analisadas.
RESUMO
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A cesta básica em Campo Grande registrou queda de apenas 2,16% no segundo semestre de 2025, sendo a terceira menor redução entre as 27 capitais brasileiras, segundo pesquisa da Conab e Dieese. Apesar da tendência nacional de queda, a capital sul-mato-grossense manteve preços relativamente estáveis. Com valor médio de R$ 775,90 em dezembro de 2025, Campo Grande ocupou a sexta posição entre as cestas mais caras do país. O comprometimento do salário mínimo com alimentação básica chegou a 55,26%, equivalente a 112 horas e 27 minutos de trabalho mensal.
O levantamento considera o comportamento dos preços entre julho e dezembro de 2025 e aponta quedas que variaram de -9,08%, em Boa Vista (RR), a -1,56%, em Belo Horizonte (MG). Campo Grande aparece na parte inferior do ranking de reduções, ao lado de Macapá (AP), que teve queda de -2,10%, e de Belo Horizonte, com a menor retração nacional.
De acordo com os dados consolidados, a queda observada em Campo Grande foi quase imperceptível quando comparada à média nacional e ao desempenho de outras capitais. Enquanto cidades do Norte e Nordeste lideraram as reduções, com recuos superiores a 7%, a capital de Mato Grosso do Sul manteve um comportamento de preços mais rígido ao longo da segunda metade do ano.
A maior redução do país foi registrada em Boa Vista, onde o custo da cesta básica caiu 9,08%, passando de R$ 712,83 em julho para R$ 652,14 em dezembro de 2025, uma diferença de R$ 60,69. Em seguida, Manaus (AM) teve queda de 8,12%, com o valor recuando de R$ 674,78 para R$ 620,42. Fortaleza (CE) ocupou a terceira posição no ranking geral, com redução de 7,90%, e cestas que passaram de R$ 738,09 para R$ 677 no mesmo período.
Na outra ponta da tabela, Campo Grande figurou entre as capitais com menor alívio no bolso do consumidor. A redução de -2,16% indica que, apesar da tendência nacional de queda, os preços na capital sul-mato-grossense permaneceram relativamente estáveis ao longo do semestre.
Por regiões, o comportamento foi semelhante. Boa Vista liderou as quedas no Norte, Fortaleza teve o melhor desempenho no Nordeste, Brasília (DF) apresentou a maior redução no Centro-Oeste, com -7,65%, Florianópolis (SC) foi destaque no Sul, com -7,67%, e Vitória (ES) liderou no Sudeste, com queda de -7,05%.
Para o presidente da Conab, Edegar Pretto, a redução generalizada dos preços reflete os investimentos realizados pelo Governo Federal no setor agropecuário. Segundo ele, os resultados estão associados ao fortalecimento dos Planos Safra, tanto empresarial quanto da agricultura familiar, que vêm registrando valores recordes nos últimos três anos. “O efeito está aí: a maior safra agrícola da série histórica, o que possibilitou aumentar muito a produção de comida para a população no Brasil”, afirmou.
Apesar da retração no acumulado do semestre, os dados mais recentes mostram que o custo da cesta básica em Campo Grande segue elevado. Em dezembro de 2025, o valor médio ficou em R$ 775,90, mesmo após uma queda mensal de 0,47% em relação a novembro. Com esse valor, a capital ocupou a 6ª posição entre as cestas mais caras do país, atrás apenas de São Paulo, Florianópolis, Rio de Janeiro, Cuiabá e Porto Alegre.
Na comparação anual, entre dezembro de 2024 e dezembro de 2025, a cesta básica em Campo Grande acumulou alta de 0,72%, indicando que a pequena redução observada no segundo semestre não foi suficiente para aliviar de forma significativa o orçamento das famílias ao longo do ano.
O peso da alimentação básica continua elevado para os trabalhadores da capital. Em dezembro de 2025, foi necessário comprometer 55,26% do salário mínimo líquido para a compra da cesta, o equivalente a 112 horas e 27 minutos de trabalho. Embora esse percentual seja inferior ao registrado em dezembro de 2024, quando chegava a 58,98%, os dados reforçam que Campo Grande segue entre as capitais com maior comprometimento da renda com alimentos.
Assim, mesmo inserida no movimento nacional de queda dos preços da cesta básica no segundo semestre de 2025, Campo Grande se destacou pelo baixo ritmo dessa redução. A terceira menor queda entre as capitais evidencia que o impacto positivo observado em outras regiões do país chegou de forma limitada à capital sul-mato-grossense, que continua enfrentando um custo elevado de alimentação básica.


