Valor da cesta básica cai na Capital, mas ainda consome 55% do salário mínimo
Mesmo com recuo de 0,47% em dezembro, Campo Grande mantém custo elevado sendo com o 6º maior do país
Apesar de registrar uma pequena queda no preço em dezembro de 2025, a cesta básica em Campo Grande continua entre as mais caras do Brasil. A capital de Mato Grosso do Sul ocupa a 6ª posição no ranking nacional e exige que o trabalhador comprometa mais de 55% do salário mínimo líquido apenas para a compra dos alimentos básicos. Os dados foram divulgados nesta quinta-feira (8) pelo Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos).
RESUMO
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O custo da cesta básica em Campo Grande registrou queda de 0,47% em dezembro de 2025, atingindo R$ 775,90. Mesmo com a redução, a capital sul-mato-grossense mantém a sexta posição entre as cestas mais caras do país, exigindo 55,26% do salário mínimo líquido para sua aquisição. Dos 13 produtos que compõem a cesta, seis apresentaram redução de preços, com destaque para o tomate (-12,54%) e açúcar cristal (-5,32%). No acumulado de 12 meses, o café em pó registrou a maior alta (41,06%), enquanto o arroz teve a maior queda (-38,46%).
Em dezembro, o custo da cesta básica em Campo Grande ficou em R$ 775,90, o que representa uma queda de 0,47% em relação a novembro. Mesmo assim, o valor segue elevado no contexto nacional, atrás apenas de São Paulo (R$ 845,95), Florianópolis (R$ 801,29), Rio de Janeiro (R$ 792,06), Cuiabá (R$ 791,29) e Porto Alegre (R$ 784,22).
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Na comparação com dezembro de 2024, o preço médio da cesta na capital sul-mato-grossense apresentou aumento de 0,72%, indicando que, apesar da oscilação mensal negativa, o custo segue pressionando o orçamento das famílias ao longo do ano.
A Pesquisa Nacional da Cesta Básica de Alimentos passou a abranger 27 capitais brasileiras a partir de 2025, após parceria firmada entre a Conab e o DIEESE para ampliar o acompanhamento dos preços, como contribuição às políticas nacionais de segurança alimentar e de abastecimento. Entre novembro e dezembro de 2025, o valor da cesta aumentou em 17 capitais e diminuiu em nove, enquanto em João Pessoa não houve variação.
No cenário nacional, os menores valores foram registrados principalmente nas regiões Norte e Nordeste, como Aracaju (R$ 539,49), Maceió (R$ 589,69), Porto Velho (R$ 592,01) e Recife (R$ 596,10), considerando as capitais onde a composição da cesta é diferente.
Em Campo Grande, seis dos 13 produtos que compõem a cesta básica apresentaram redução de preço entre novembro e dezembro de 2025. As maiores quedas foram observadas no tomate (-12,54%), açúcar cristal (-5,32%), leite integral (-3,04%), arroz agulhinha (-2,68%), óleo de soja (-2,07%) e farinha de trigo (-0,86%). Por outro lado, sete itens tiveram aumento, com destaque para a batata (10,87%), feijão carioca (1,19%), banana (1,13%) e manteiga (1,03%).
No acumulado dos últimos 12 meses, entre dezembro de 2024 e dezembro de 2025, sete produtos registraram alta de preços em Campo Grande, sendo o café em pó o principal destaque, com aumento de 41,06%. Também subiram o tomate (8,40%), a farinha de trigo (7,67%) e o pão francês (4,34%). Em contrapartida, itens como arroz agulhinha (-38,46%), batata (-20,00%) e açúcar cristal (-13,80%) apresentaram reduções significativas no período.
O peso da cesta básica no orçamento do trabalhador segue elevado. Em dezembro de 2025, quem recebeu o salário mínimo de R$ 1.518,00 precisou trabalhar 112 horas e 27 minutos para comprar os alimentos básicos do mês. Em novembro, o tempo necessário havia sido de 112 horas e 59 minutos. Considerando o salário mínimo líquido, após o desconto de 7,5% da Previdência Social, a cesta consumiu 55,26% da renda em dezembro. Em novembro, esse percentual foi de 55,52% e, em dezembro de 2024, chegava a 58,98%.
Os dados nacionais também mostram que, com base na cesta mais cara do país, registrada em São Paulo, o DIEESE estima que o salário mínimo necessário para garantir as despesas básicas de uma família de quatro pessoas deveria ter sido de R$ 7.106,83 em dezembro de 2025, o equivalente a 4,68 vezes o valor do salário mínimo vigente.
Mesmo com a leve retração registrada no último mês do ano, os números reforçam que o custo da alimentação básica em Campo Grande permanece elevado e continua sendo um dos principais fatores de comprometimento da renda dos trabalhadores da capital.


