ACOMPANHE-NOS     Campo Grande News no Facebook Campo Grande News no X Campo Grande News no Instagram Campo Grande News no TikTok Campo Grande News no Youtube
JANEIRO, SEXTA  09    CAMPO GRANDE 27º

Economia

Valor da cesta básica cai na Capital, mas ainda consome 55% do salário mínimo

Mesmo com recuo de 0,47% em dezembro, Campo Grande mantém custo elevado sendo com o 6º maior do país

Por Jhefferson Gamarra | 08/01/2026 14:16
Valor da cesta básica cai na Capital, mas ainda consome 55% do salário mínimo
Consumidor durante atendimento em açougue em mercado da Capital (Foto: Marcos Maluf)

Apesar de registrar uma pequena queda no preço em dezembro de 2025, a cesta básica em Campo Grande continua entre as mais caras do Brasil. A capital de Mato Grosso do Sul ocupa a 6ª posição no ranking nacional e exige que o trabalhador comprometa mais de 55% do salário mínimo líquido apenas para a compra dos alimentos básicos. Os dados foram divulgados nesta quinta-feira (8) pelo Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos).

RESUMO

Nossa ferramenta de IA resume a notícia para você!

O custo da cesta básica em Campo Grande registrou queda de 0,47% em dezembro de 2025, atingindo R$ 775,90. Mesmo com a redução, a capital sul-mato-grossense mantém a sexta posição entre as cestas mais caras do país, exigindo 55,26% do salário mínimo líquido para sua aquisição. Dos 13 produtos que compõem a cesta, seis apresentaram redução de preços, com destaque para o tomate (-12,54%) e açúcar cristal (-5,32%). No acumulado de 12 meses, o café em pó registrou a maior alta (41,06%), enquanto o arroz teve a maior queda (-38,46%).

Em dezembro, o custo da cesta básica em Campo Grande ficou em R$ 775,90, o que representa uma queda de 0,47% em relação a novembro. Mesmo assim, o valor segue elevado no contexto nacional, atrás apenas de São Paulo (R$ 845,95), Florianópolis (R$ 801,29), Rio de Janeiro (R$ 792,06), Cuiabá (R$ 791,29) e Porto Alegre (R$ 784,22).

Na comparação com dezembro de 2024, o preço médio da cesta na capital sul-mato-grossense apresentou aumento de 0,72%, indicando que, apesar da oscilação mensal negativa, o custo segue pressionando o orçamento das famílias ao longo do ano.

A Pesquisa Nacional da Cesta Básica de Alimentos passou a abranger 27 capitais brasileiras a partir de 2025, após parceria firmada entre a Conab e o DIEESE para ampliar o acompanhamento dos preços, como contribuição às políticas nacionais de segurança alimentar e de abastecimento. Entre novembro e dezembro de 2025, o valor da cesta aumentou em 17 capitais e diminuiu em nove, enquanto em João Pessoa não houve variação.

No cenário nacional, os menores valores foram registrados principalmente nas regiões Norte e Nordeste, como Aracaju (R$ 539,49), Maceió (R$ 589,69), Porto Velho (R$ 592,01) e Recife (R$ 596,10), considerando as capitais onde a composição da cesta é diferente.

Em Campo Grande, seis dos 13 produtos que compõem a cesta básica apresentaram redução de preço entre novembro e dezembro de 2025. As maiores quedas foram observadas no tomate (-12,54%), açúcar cristal (-5,32%), leite integral (-3,04%), arroz agulhinha (-2,68%), óleo de soja (-2,07%) e farinha de trigo (-0,86%). Por outro lado, sete itens tiveram aumento, com destaque para a batata (10,87%), feijão carioca (1,19%), banana (1,13%) e manteiga (1,03%).

No acumulado dos últimos 12 meses, entre dezembro de 2024 e dezembro de 2025, sete produtos registraram alta de preços em Campo Grande, sendo o café em pó o principal destaque, com aumento de 41,06%. Também subiram o tomate (8,40%), a farinha de trigo (7,67%) e o pão francês (4,34%). Em contrapartida, itens como arroz agulhinha (-38,46%), batata (-20,00%) e açúcar cristal (-13,80%) apresentaram reduções significativas no período.

O peso da cesta básica no orçamento do trabalhador segue elevado. Em dezembro de 2025, quem recebeu o salário mínimo de R$ 1.518,00 precisou trabalhar 112 horas e 27 minutos para comprar os alimentos básicos do mês. Em novembro, o tempo necessário havia sido de 112 horas e 59 minutos. Considerando o salário mínimo líquido, após o desconto de 7,5% da Previdência Social, a cesta consumiu 55,26% da renda em dezembro. Em novembro, esse percentual foi de 55,52% e, em dezembro de 2024, chegava a 58,98%.

Os dados nacionais também mostram que, com base na cesta mais cara do país, registrada em São Paulo, o DIEESE estima que o salário mínimo necessário para garantir as despesas básicas de uma família de quatro pessoas deveria ter sido de R$ 7.106,83 em dezembro de 2025, o equivalente a 4,68 vezes o valor do salário mínimo vigente.

Mesmo com a leve retração registrada no último mês do ano, os números reforçam que o custo da alimentação básica em Campo Grande permanece elevado e continua sendo um dos principais fatores de comprometimento da renda dos trabalhadores da capital.