Imposto extra sobre fibra óptica pode encarecer internet no Brasil
Entidades alertam que medida contra produtos da China pode pesar no bolso
O ano pode ter um custo extra depois de decisão do governo federal que pode deixar a internet mais cara e mais lenta para chegar a quem ainda não tem acesso. Entidades do setor de telecomunicações alertam que a cobrança de imposto extra sobre cabos de fibra óptica importados da China tende a aumentar os custos das empresas e afetar diretamente os consumidores.
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A decisão do governo federal de aplicar imposto extra sobre cabos de fibra óptica importados da China pode encarecer e dificultar o acesso à internet no Brasil. A medida, que estabelece taxa adicional de US$ 2,42 por quilo de cabo importado, foi aprovada pelo Comitê-Executivo de Gestão (GECEX) em dezembro de 2023. Segundo a TelComp e a Abramulti, o aumento pode chegar a 170% para pequenos provedores, impactando a expansão da banda larga em regiões menos atendidas e programas governamentais de conectividade. O encarecimento dos cabos pode afetar diretamente os consumidores, tanto em custos quanto no acesso à internet de qualidade.
A preocupação foi manifestada em nota conjunta da TelComp Associação Brasileira das Prestadoras de Serviços de Telecomunicações Competitivas e da Abramulti Associação Brasileira de Provedores de Internet e Telecomunicações. O alerta é direcionado à decisão do GECEX Comitê-Executivo de Gestão, que aprovou a aplicação definitiva de uma medida antidumping sobre cabos de fibra óptica chineses.
Na prática, desde dezembro de 2025, cada quilo de cabo importado da China passou a pagar uma taxa adicional de US$ 2,42. O pedido partiu de fabricantes nacionais, e a medida foi oficializada em 22 de dezembro. Segundo apuração do setor, os preços já começaram a subir no mercado brasileiro.
As entidades explicam que não defendem práticas ilegais de concorrência, mas alertam para o impacto da decisão sobre um insumo essencial. A fibra óptica é a base da internet rápida. Sem ela, não há banda larga de qualidade, nem expansão da rede para novos bairros, cidades pequenas ou áreas rurais.
Avaliações iniciais indicam que, para pequenos provedores de internet, o preço dos cabos importados da China pode subir mais de 170%. Como esses produtos têm grande peso no mercado, a alta tende a puxar também os preços de cabos fabricados no Brasil ou importados de outros países. No fim da conta, o valor médio dos cabos pode subir cerca de 50%.
Esse aumento, segundo a TelComp e a Abramulti, pode desacelerar a expansão da banda larga, principalmente em regiões menos atendidas e entre consumidores de menor renda. O risco é ampliar o chamado abismo digital, a diferença entre quem tem acesso à internet de qualidade e quem fica de fora.
Outro ponto levantado é o impacto sobre políticas públicas. Programas de conectividade em escolas, como o Aprender Conectado, e projetos ligados à infraestrutura do 5G podem ficar mais caros. Isso pode reduzir o número de escolas atendidas e encarecer obras previstas em contratos e obrigações assumidas pelas operadoras.
As entidades informam que levaram esses dados a ministérios que integram o GECEX, como o do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços e o da Fazenda. Também destacam que o Ministério das Comunicações avaliou os possíveis efeitos da medida sobre inclusão digital e metas de conectividade.
Ao final, TelComp e Abramulti alertam que a taxação sobre fibras e cabos de fibra óptica não afeta apenas empresas. O impacto tende a chegar ao consumidor, seja na forma de preços mais altos, seja na demora para a internet chegar a quem ainda espera por conexão de qualidade.


