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Campo Grande, Terça-feira, 15 de Outubro de 2019

19/07/2019 13:14

SBPC resiste a quadro de crise para propor soluções e evitar “tiro no pé"

Presidente da SBPC, Ildeu Moreira fala do maior evento científico da América Latina que será realizada pela 1ª vez em Campo Grande

Jones Mário
Estrutura montada na UFMS para receber a 71ª Reunião Anual da SBPC (Foto: Marina Pacheco)Estrutura montada na UFMS para receber a 71ª Reunião Anual da SBPC (Foto: Marina Pacheco)

O agravo do cenário de corte e contingenciamento de recursos para educação, pesquisa e inovação balançou, mas não derrubou a reunião anual da SBPC (Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência). Maior evento científico da América Latina, a 71ª edição do encontro será realizada pela primeira vez em Campo Grande, a partir de domingo (21), na UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul). Serão pelo menos 250 conferências, palestras, rodas de conversa, oficinas e minicursos, preparados para discutir e propor soluções sobre temas centrais ao País.

A reunião chega à Capital em meio a perspectivas nada animadoras no campo do investimento em educação e ciência no Brasil. Em março, o presidente Jair Bolsonaro decretou bloqueio de R$ 2,158 bilhões do MCTIC (Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações), equivalentes a 42% do orçamento para este ano. Já o congelamento no MEC (Ministério da Educação) totalizou R$ 5,839 bilhões, maior corte em números absolutos.

Entidades da área condenaram o bloqueio e alertaram para a estagnação no desenvolvimento científico e tecnológico do País. Segundo o físico e presidente da SBPC, Ildeu de Castro Moreira, os reflexos da medida já foram sentidos durante a organização do evento. “É um quadro dramático. Tivemos muitas dificuldades para organizar a reunião anual nas mesmas dimensões das anteriores. Os cortes nos atingiram profundamente”.

O contingenciamento vai na contramão do que Bolsonaro se comprometeu a fazer durante a campanha presidencial. Em resposta à carta enviada por SBPC e ABC (Academia Brasileira de Ciências), o então candidato escreveu que a meta do governo federal era investir 3% do PIB (Produto Interno Bruto) em ciência e tecnologia. Hoje, o percentual é de aproximadamente 1%.

Tradicionalmente, o MEC aporta recursos à universidade-sede para viabilizar o encontro. De acordo com Moreira, não houve repasse para a edição de 2019. Mesmo com apoios de Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior), CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico) e Fundect (Fundação de Apoio ao Desenvolvimento do Ensino, Ciência e Tecnologia do Estado de Mato Grosso do Sul), a previsão é de uma reunião bastante reduzida.

Presidente da SBPC, Ildeu de Castro Moreira diz que dificuldades reforçam necessidade da realização do evento (Foto: Divulgação/SBPC)Presidente da SBPC, Ildeu de Castro Moreira diz que dificuldades reforçam necessidade da realização do evento (Foto: Divulgação/SBPC)

Para o presidente da SBPC, os obstáculos reforçam ainda mais a necessidade da realização do evento. “As reuniões da SBPC se caracterizam por isso. Não deixaram de acontecer mesmo em períodos de restrições fortes, durante a ditadura. São sempre reuniões de afirmação, com aspectos de resistência a uma série de decisões que são tomadas. Esse ano não vai ser diferente. Vamos afirmar e reafirmar a importância da ciência e da educação, discutir propostas concretas e medidas que podem ser tomadas”.

Moreira lembra que os cortes não começaram este ano, mas sim, vêm desde 2014. “Vão ser apresentados documentos e propostas de especialistas de várias áreas, propor alternativas, criticar os cortes, mas também propor soluções, alternativas que permitam sair da crise que vivemos. O governo não está levando em conta, e isso começou em 2014, que está dando um tiro no pé ao cortar recursos novamente nessa área”.

Ministro-astronauta - A cerimônia de abertura da SBPC está marcada para a noite de domingo (21), no Teatro Glauce Rocha. A solenidade não contará com o ministro da Ciência, Marcos Pontes, que está na Flórida, Estados Unidos, para celebrar os 50 anos da Apolo 11 na Lua com a Nasa.

Único brasileiro a ir para o espaço, o titular do MCTIC deve participar da reunião anual somente na sexta-feira (26), em conferência apresentada por Ildeu Moreira.

A programação do encontro (confira aqui) é marcada pela interdisciplinaridade. Temas como reforma da Previdência e a capoeira como filosofia de liberdade dividem o mesmo horário. Ciência e inovação em bioeconomia, diversidade e desenvolvimento social compõem o principal eixo de debates da edição de 2019.

O senador Nelsinho Trad será um dos conferencistas da reunião anual. Na terça-feira (23), o parlamentar fala sobre as oportunidades econômicas e científicas da rota bioceânica, alternativa logística em implantação.

Temáticas regionais também entram nas rodadas de discussão do evento. Estudos sobre fauna e flora do Pantanal Sul-mato-grossense e do Cerrado estão entre os assuntos de palestras, mesas-redondas e minicursos.

UFMS recebeu reparos na estrutura para receber o evento, como recapeamento (Foto: Marina Pacheco)UFMS recebeu reparos na estrutura para receber o evento, como recapeamento (Foto: Marina Pacheco)

A UFMS promoveu uma série de reparos em sua estrutura para receber o encontro. A Cidade Universitária ganhou recapeamento, revitalização do corredor central, reforma do estacionamento, nova pintura e até totens para identificação dos blocos.

As atrações da reunião anual são gratuitas. A inscrição é exigida apenas para frequentar minicurso ou para obter o certificado online de participação geral. A organização espera pelo menos 15 mil pessoas durante os sete dias de evento.

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