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Campo Grande, Sexta-feira, 15 de Dezembro de 2017

30/04/2015 11:24

“Não há de ser nada...Isso é palhaçada e vamos virar a mesa"

Paulo Nonato de Souza
Fábio Koff, do Grêmio, idealizador da criação do Clube dos 13 (Foto: Arquivo)Fábio Koff, do Grêmio, idealizador da criação do Clube dos 13 (Foto: Arquivo)

Em 1985, quando eu era repórter da Rádio Record de São Paulo, tive a oportunidade de cobrir várias reuniões convocadas para discutir a criação do Clube dos 13, também chamado de União dos Grandes Clubes do Futebol Brasileiro, que pregava o contraponto à CBF, então comandada por Octávio Pinto Guimarães, e enterrada em profunda crise financeira.

O Clube dos 13 queria fazer o Campeonato Brasileiro nos moldes do futebol europeu, especialmente o italiano, principal referência dos brasileiros na época, com o sistema de divisões. E para isso tinha o apoio de um forte movimento liderado pelos formadores de opinião da imprensa paulista. Naquele ano de 1985 o campeonato contou com 44 clubes, e a ideia era reduzir ao máximo o número de participantes, juntando os grandes em uma única divisão do Brasileirão, que até então reunia todos os grandes clubes somados a pelo menos um ou dois representantes de cada Estado fora do eixo Rio-São Paulo, como Mato Grosso do Sul, por exemplo, normalmente o campeão e o vice do Campeonato Estadual.

Aquilo me atormentava, porque, a cada reunião eu percebia que seria o fim ou no mínimo o enfraquecimento dos campeonatos estaduais, especialmente em estados como Mato Grosso do Sul, considerando que a vaga no Brasileirão, fator de motivação para os clubes desses estados, deixaria de existir. Era a exclusão batendo na nossa porta.

Numa tarde de domingo sem futebol em São Paulo, fui escalado para entrevistar e abordar o assunto com o presidente do São Paulo Futebol Clube, Carlos Miguel Aidar, o grande idealizador do Clube dos 13 ao lado de Fabio Koff, presidente do Grêmio.

A entrevista realizada na cozinha da casa do dirigente são-paulino rolou quase a tarde toda e saí de lá convencido de que o futebol brasileiro num futuro muito próximo passaria a ter o sistema de Séries A, B e C. Na volta para a sede da Record, em Moema, fiz várias ligações para Campo Grande. Queria alertar os dirigentes de Operário e Comercial sobre o que estava para acontecer. Do então diretor de futebol do Operário, o saudoso Ari Rodrigues dos Santos, que mais tarde se tornaria presidente da Federação de Futebol de Mato Grosso do Sul (FFMS), ouvi o seguinte: “Não há de ser nada...Isso é palhaçada e vamos virar a mesa".

NOTA - O Clube dos 13 foi oficialmente criado no dia 11 de julho de 1987 com sede em Porto Alegre, e as primeiras experiências com o Campeonato Brasileiro dividido em séries ocorreram entre 1999 e 2001. Profetizando uma nova era para o futebol brasileiro, em 2000 o Clube dos 13 tomou o lugar da CBF na organização da competição, que levou o nome de Copa João Havelange e teve apenas uma divisão, mas com os clubes divididos em módulos Verde, Branco e Amarelo. O sistema em vigência atualmente teve início em 2003.



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