Centro Olímpico da Vila Nasser fortalece o atletismo estadual há 18 anos
Projeto da Funesp tem cerca de 220 alunos de 4 a 17 anos que treinam gratuitamente no poliesportivo do bairro

A estrutura pública do Centro Olímpico da Vila Nasser, em Campo Grande, consolidou-se ao longo de 18 anos como um dos principais polos de formação do atletismo em Mato Grosso do Sul.
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O Centro Olímpico da Vila Nasser, em Campo Grande, completa 18 anos como referência no atletismo de Mato Grosso do Sul. Desde 2008, o espaço formou atletas de destaque, como o paralímpico Yeltsin Jacques e Bruna Vieira Jesus, além de oferecer treinamento gratuito para crianças e jovens. O projeto atende cerca de 220 pessoas, promovendo disciplina e qualidade de vida. Atletas como Max Alves, de 16 anos, e Erika Barbosa, de 18, destacam o impacto social do local, que ajuda a afastar jovens de situações de risco. Com estrutura para diversas modalidades, o centro também oferece futebol e ginástica, sendo um modelo a ser replicado em outros bairros.
Desde 2008, quando o espaço foi fundado, o local se transformou em um verdadeiro centro esportivo voltado à modalidade olímpica, reunindo diferentes provas e revelando talentos sul-mato-grossenses para o cenário estadual, nacional e até internacional.
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Ao Campo Grande News o coordenador de atletismo da Funesp (Fundação Municipal de Esportes), professor Celso Arantes, lembra que o projeto começou junto com a inauguração do espaço. “O atletismo da Funesp iniciou aqui no Centro Olímpico no ano de 2008, quando foi fundado. A gente já começou com o trabalho da Funesp aqui na modalidade de atletismo”, afirma.
Segundo ele, o impacto do projeto vai muito além das pistas. “A importância desse projeto na vida dos nossos atletas e para a comunidade é muito grande, devido à quantidade de jovens e crianças que a gente mantém aqui em atividade constante, ocupando o dia a dia desses atletas”, destaca.
Entre os nomes formados no local estão campeões brasileiros e atletas de destaque, como o paralímpico Yeltsin Jacques e a Bruna Vieira Jesus, hoje no alto rendimento. “E quem não seguiu o alto rendimento hoje é professor formado, tem sua profissão. Então a modalidade e este projeto são muito significantes na vida deles”, completa.
Atualmente, o projeto atende cerca de 100 atletas entre 12 e 17 anos e aproximadamente 120 crianças de 4 a 10 anos.
A iniciação começa cedo, no chamado atletismo kids, a partir dos 4 anos, passando pelo mini-atletismo dos 7 aos 10 e, depois, pelo aperfeiçoamento técnico e pelas competições escolares a partir dos 11 e 12 anos.
“Eles vão aprendendo a disciplina, a perder e a ganhar. Isso para a formação deles é fundamental. Eles crescem dentro de um mundo saudável, com amizades saudáveis e foco na qualidade de vida. Em parceria com os pais e com a escola, isso é essencial”, explica Celso.
O Centro Olímpico oferece ainda outras modalidades, como futebol e ginástica, além de academia aberta à comunidade. “O espaço aqui é fantástico. É um local-família, onde toda a população pode desfrutar. Tudo gratuito e com professores frequentes junto com eles nas aulas”, ressalta o coordenador.
O projeto oferece treinamento de alto rendimento em diversas modalidades olímpicas: provas de pista de 100m, 200m, 400m, 800m, 1.500m, 5.000m e 10.000m; provas escolares de 1.000m e 3.000m; salto em distância e em altura; arremesso de peso; lançamentos de dardo e martelo; além das provas com barreiras e corridas com obstáculos.
Mirando alto - Um dos destaques atuais do projeto é o Max Alves da Silva, de 16 anos, especialista atleta de pista dos 400m e 800m. Ele conta que conheceu o atletismo por acaso, ao visitar o poliesportivo do bairro. “Eu me interessei quando vim aqui passear e vi o pessoal treinando. Depois comecei a me destacar nas competições e vi que era para mim mesmo esse esporte”, relata.
Com apenas dois anos no projeto, Max já conquistou o terceiro lugar nos Jogos da Juventude sub-18, em Brasília (DF), no ano passado, e projeta voos mais altos. “Pelo ranking brasileiro, devo fazer parte da seleção brasileira este ano. Quero alcançar o índice para o mundial sub-20, tentar ir para as Olimpíadas da Juventude e ganhar os brasileiros da minha faixa etária”, afirma.
Para ele, o papel social do espaço é muito importante. “Esse espaço público na Vila Nasser ajuda pessoas que às vezes estão envolvidas com drogas a sair disso e focar no esporte, que melhora o condicionamento físico e mental e ajuda a chegar em lugares muito mais altos”, diz.
Outra atleta formada no projeto é Erika Barbosa dos Santos, de 18 anos, velocista dos 100m e 200m. Ela começou no atletismo aos 15 anos, após convite de um professor. “Eu competia em outros esportes, mas ele disse que eu teria mais condicionamento e velocidade. Comecei e não sai mais, me apaixonei pelo atletismo”, conta.

Desde 2022, Erika participa de competições fora do Estado, e hoje figura entre as melhores do Mato Grosso do Sul em sua prova. “No estadual sou uma das melhores. No nacional estou treinando todo dia para melhorar e conseguir uma boa colocação nos brasileiros”, afirma.
Para ela, o modelo do Centro Olímpico deveria ser replicado. “A maioria dos bairros tinha que ter lugares como esse, de lazer e poliesportivo, para trazer mais esportes para perto das crianças e adolescentes. Isso ajuda muito no crescimento e no desenvolvimento deles”, defende.



