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Arquitetura

Casa com Fla-Flu esconde história de avô que deixou paixão como herança

Na residência onde Ana mora, o amor pelo Tricolor atravessa gerações e mantém viva a memória do pai

Por Geniffer Valeriano | 21/08/2026 08:31
Casa com Fla-Flu esconde história de avô que deixou paixão como herança
Plaquinha da casa traz dois clássicos do futebol brasileiro e revela uma história de amor pelos times. (Foto: Juliano Almeida)

Antes mesmo de chegar à casa onde o clássico “Fla-Flu” estampa a fachada, no Parati, a história do Fluminense já fazia parte da residência onde Ana Rosa Diniz, de 51 anos, mora com a família.

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Wilson Diniz, torcedor do Fluminense natural de Corumbá, morreu em 2023, aos 74 anos, deixando um legado tricolor para o neto Lucas Gabriel. Ele presenteou o garoto com uniformes e um livro sobre a história do clube desde o nascimento. O sonho de levá-lo a Laranjeiras nunca se realizou, mas relíquias como camisetas e porta-chaves ficaram de herança. A família mora em uma casa no Jardim Parati cuja fachada exibe o clássico Fla-Flu.

A dona de casa contou ao Lado B que aluga o imóvel de uma amiga, que atualmente mora no Rio de Janeiro (RJ). Segundo ela, a proprietária é flamenguista, enquanto o marido, que já morreu, era tricolor. Ana, no entanto, não soube dar mais detalhes sobre a história do casal. A reportagem procurou a proprietária da casa, mas ela preferiu não conceder entrevista neste momento.

Por coincidência, hoje também mora no imóvel uma família ligada ao Fluminense por meio do pai de Ana, Wilson Diniz, conhecido como senhor Diniz.“Ele foi Fluminense desde sempre. A gente é de Corumbá e normalmente lá o pessoal tem essa relação com o Rio por conta da Marinha”, começa explicando.

Casa com Fla-Flu esconde história de avô que deixou paixão como herança
Senhor Diniz e Lucas Gabriel, neto que herdou o time do coração do avô (Foto: Arquivo Pessoal)

Das três filhas de Wilson, Ana conta que foi a única que se tornou mais ligada ao futebol. Mas, curiosamente, o time que escolheu para torcer não foi o mesmo do pai. “Sou vascaína porque meu vizinho era Vasco. Tudo lá era do Vasco e eu ia brincar com a filha dele. Eu achava tudo lindo e falava que queria ser Vasco.”

Foi em 2010, com o nascimento do primeiro neto homem, que seu Diniz começou a trabalhar para formar um novo herdeiro tricolor na família. “O primeiro presente dele foi um uniforme do Fluminense. Ele tinha meses. E foi crescendo vendo o avô e ganhando camisas do time”, relembra Ana.

Em 2023, aos 74 anos, Wilson morreu após contrair uma bactéria e sofrer falência dos órgãos. Em seu velório, as filhas e os cinco netos fizeram questão de vestir a camisa do tricolor em homenagem a Diniz.

Entre os sonhos que ficaram pelo caminho estava o de levar o neto para conhecer Laranjeiras, sede histórica do Fluminense, no Rio de Janeiro. “Ele tinha o sonho de levar meu filho para Laranjeiras, o que nunca aconteceu. Mas meu filho tem um livro que meu pai deixou para ele, que conta a história do Fluminense. Quando ele era pequeno, meu pai contava a história para ele.”

Casa com Fla-Flu esconde história de avô que deixou paixão como herança
Casa com Fla-Flu esconde história de avô que deixou paixão como herança
De malha e com ilustração de Laranjeiras, camisa de Diniz continua sendo guardada pelo neto (Foto: Arquivo Pessoal)

A camiseta que Diniz usava, presente trazido do Rio de Janeiro, também ficou com o neto, que a guarda como um troféu. “Meu filho não usa muito ela, mas fala: ‘É do meu avô, vou deixar guardada’. Ele também tem uma cartolinha de plástico que meu pai nunca deixou ninguém pegar, que também veio do Rio.”

Com a família também ficaram outros objetos que Wilson colecionou ao longo da vida, como porta-chaves e máscaras usadas durante a pandemia. Todos, é claro, personalizados com as cores e o escudo do time do coração.

“Meu pai era bem teimoso em usar máscara, a gente tinha que brigar com ele. Mas ele pegava elas e ia até o centro para que fossem bordadas com os brasões do Fluminense. Era o único jeito de ele usar a máscara.”

Para além do futebol, Ana conta que Wilson é lembrado pela família principalmente pelo carinho que tinha com as filhas. “Ele era um superpai, muito apegado às filhas. Eu trabalhava no Detran e todos os dias ele ia me levar salgado.”

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