Fotos antigas fazem 24 mil pessoas viajarem no tempo em Amambai
Com 24 mil integrantes, comunidade reúne fotos antigas e transforma comentários em arquivo de memórias

Para quem acha que os grupos de Facebook ficaram no passado, o “Túnel do Tempo - Lembranças de Amambai MS e do Mundo” mostra que algumas dessas comunidades continuam bastante ativas. Com cerca de 24 mil integrantes, o grupo reúne fotografias de pessoas, lugares e estabelecimentos que marcaram Amambai, enquanto moradores e ex-moradores ajudam a completar as histórias nos comentários.
RESUMO
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O grupo de Facebook "Túnel do Tempo - Lembranças de Amambai MS e do Mundo", com cerca de 24 mil integrantes, reúne fotografias antigas da cidade e incentiva moradores e ex-moradores a completar as histórias nos comentários. Entre os registros estão a antiga Fanfarra, uma vista aérea de 1970, ruas de terra em 1981 e a loja Casa Veneza, fundada em 1986. A página também resgata uma manifestação de servidores por salários atrasados, que teria terminado com balas de borracha.
Um dos registros mostra a antiga Fanfarra de Amambai desfilando em uma época em que a terra vermelha ainda fazia parte da paisagem urbana. Na fotografia, integrantes aparecem com uniformes azuis e brancos, chapéus com plumas e instrumentos, acompanhados por moradores. Nos comentários, quem viveu aquele período relembra ensaios, apresentações e pessoas que fizeram parte da fanfarra.

As lembranças não ficam apenas nos grandes acontecimentos. Uma fotografia do acervo de Robson Martins, datada de março de 1981, mostra o Centro com ruas de terra, uma Rural verde estacionada e modelos como Fusca e Opala circulando pela cidade. Fachadas comerciais que desapareceram com o passar das décadas também reaparecem, entre elas a Beka Moda.
É nos comentários que o registro deixa de ser apenas uma fotografia antiga. Um integrante contou que se mudou para Amambai em 1984 e encontrou uma cidade ainda com pouco asfalto.
"Quando chegamos em Amambai tinha asfalto somente do Posto Sol Nascente pra frente, sentido à Praça Cel. Valêncio de Brum”, recordou. Ele também relacionou a lembrança à chegada do asfalto da rodovia Guaíra-Porã à Avenida Pedro Manvailer.
Uma vista aérea de 1970 provocou outra memória. A publicação pergunta aos integrantes se conseguem identificar onde aquele pedaço de Amambai estaria hoje. Entre ruas de terra, vegetação e poucas construções, reconhecer a cidade atual não é tarefa simples.
Foi nos comentários que surgiram referências ao antigo aeródromo, à saída para Ponta Porã e até a um campo de futebol que existiu onde posteriormente foi instalada a área da delegacia e do presídio.

O comércio também ocupa espaço importante nesse álbum virtual. Uma das publicações pergunta quem se lembra da Casa Veneza, loja de móveis e eletrodomésticos que funcionou no Centro, praticamente em frente ao local onde hoje está o Quase Tudo.
Segundo o relato compartilhado no grupo, a história começou em agosto de 1986 com o casal Jandir e Lourdes Guerra, inicialmente com vendas de porta em porta e mercadorias trazidas do Paraná.
A Casa Veneza cresceu e, conforme a publicação, ganhou filiais em Coronel Sapucaia, Aral Moreira, Sete Quedas, Paranhos, Ponta Porã e Tacuru. Mas é o cotidiano da primeira loja que o post tenta recuperar. A pergunta feita aos integrantes não é sobre números ou datas, mas sobre aquilo que costuma sobreviver na memória: quem comprou ali o primeiro guarda-roupa, a televisão da família ou o sofá novo da sala.
Esse é também o cuidado necessário ao revisitar fotografias antigas na internet. Nem todas as pessoas retratadas tiveram a oportunidade de autorizar a exposição atual de suas imagens.
Por isso, histórias de fachadas, paisagens, veículos e transformações urbanas podem ser contadas sem necessariamente identificar ou destacar quem aparece nos registros. O valor desses arquivos está tanto nos rostos quanto nos detalhes capazes de mostrar como a cidade se transformou.

No “Túnel do Tempo”, uma fotografia guardada durante décadas pode ganhar centenas de novos olhares e encontrar justamente alguém capaz de explicar o que existia naquela esquina. Entre a fanfarra, a Rural na terra vermelha, a vista aérea de 1970 e a lembrança da Casa Veneza, o grupo mostra que o Facebook pode até ter perdido espaço para redes mais novas, mas ainda guarda algo difícil de substituir: gente disposta a olhar uma foto antiga e dizer “eu lembro disso”.
Nem todas as imagens despertam apenas saudade. Uma fotografia registrada em frente ao Manso, ao lado da antiga Tapeçaria Avenida e da Eletro Cometa, recupera um dos episódios de tensão lembrados pelos integrantes do grupo. Segundo o relato publicado, durante a administração do então prefeito Nestor Tagliari, servidores teriam realizado uma manifestação em meio à insatisfação com meses de salários atrasados.
O protesto teria terminado com disparos e pessoas atingidas por balas de borracha. Como a própria publicação ainda busca informações sobre a data e quem participou do episódio, os comentários também funcionam como tentativa de completar essa parte da história de Amambai.

Entre as imagens mais antigas compartilhadas pelo grupo está uma fotografia atribuída a 1937, quando a Praça Central, na época em que a localidade ainda era conhecida como Patrimônio União, recebeu o nome de Praça Coronel Valêncio de Brum.
O registro mostra uma das placas com o nome da praça e um veículo ao fundo, além de personagens que ainda desafiam os integrantes a descobrir quem eram. Mais uma vez, a fotografia vira convite para uma investigação coletiva: cada detalhe pode despertar uma lembrança de família e acrescentar uma nova peça à história de Amambai.

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