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Campo Grande, Sábado, 20 de Outubro de 2018

06/04/2018 08:15

Casa de 80 anos tem cores e sino como campainha para lembrar a Grécia

Residencia tem pelo menos 80 anos de história, mas há oito ganhou ar grego nas mãos de descendente européia

Guilherme Henri
Casa fica na rua Pedro Celestino, quase chegando na avenida Mato Grosso (Foto: Saul Schramm)Casa fica na rua Pedro Celestino, quase chegando na avenida Mato Grosso (Foto: Saul Schramm)

Escondida em meio a construções antigas, prédios comerciais e um movimento intenso de carros, a pequena fachada na rua Pedro Celestino mostra uma janela em formato de arco. Ela divide espaço com uma primavera, que insiste em se agarrar no gradio e estender suas folhas até tocar o chão da calçada, onde um jogo de amarelinha foi desenhado. Para descobrir quem mora ali, basta puxar a corda fazendo o sino tocar lá dentro.

O pequeno portão é aberto por Kellin Bagordakish, 43 anos. Ela está ali há 14 anos, na companhia da mãe Divina Lopes Bagordakish, de 67, e da proprietária da casa, Naide Barcelos Braga, 81 anos.

Divina conta que as paredes da casa têm 80 anos de história. A residência foi herdada por Naide. Porém, quando a idosa ficou acamada, mãe e filha - primas de segundo grau - assumiram os cuidados não só de Naide, mas também do imóvel. Os detalhes da construção quase centenária, infelizmente, se calaram junto com a dona, que já não consegue falar.

Sino é campainha na casa onde moram três mulheres (Foto: Saul Schramm)Sino é campainha na casa onde moram três mulheres (Foto: Saul Schramm)

Descendente de gregos da Ilha de Creta, Kellin conta que começou a mexer no imóvel em 2013. Apaixonada pela cultura dos ancestrais, ela nunca esteve no Sul da Europa. Não sobrou dinheiro para o sonho de conhecer a terra que deu origem ao seu sobrenome. Por isso, as economias foram para mudar um pouquinho do lugar onde as 3 vivem, na reforma inspirada na Grécia.

Desde da entrada, até dentro da casa, as paredes ganharam as cores branca e azul, as mesmas da bandeira do país que serviu de inspiração. Ao lado do pequeno portão de entrada, uma caixa de correio antiga, pintada, já passa a ideia de “seja bem-vindo”.

No entanto, essa sensação é de fato concretizada ao correr os olhos à procura da campainha, que nada mais é do que um cordão. Ele se estende no alto, agarrado a parede até a porta de entrada da casa e chega a um sino, que bate a mesma quantidade de puxões.

Ao entrar, um corredor estreio dá as caras. Ele não só mostra o caminho de entrada da morada, mas também uma diversidade de verde. Samambaias penduradas em paletes nas paredes, vasos com pimentas suspensos, pé de acerola plantado no canteiro do chão e até bananeira você encontra ali no fundão. O ar parece ficar até mais leve e a vontade é de não querer entrar na casa.

Corredor que leva a entrada é repleto do verde das mais variadas plantas (Foto: Saul Schramm)Corredor que leva a entrada é repleto do verde das mais variadas plantas (Foto: Saul Schramm)
Vasos suspensos pintados de azul uma das cores da bandeira da Grécia (Foto: Saul Schramm)Vasos suspensos pintados de azul uma das cores da bandeira da Grécia (Foto: Saul Schramm)

“Fiz tudo aos pouquinhos. A caixa de correio mesmo achei em um ferro velho”, diz Kellin. Ela conta, que a cabeça fica mais na Grécia do que aqui ao olhar as fotos dos parentes e amigos que lá estão. “Meu sonho é ir até lá, mas enquanto não posso, pois me dedico em cuidar de Naide, faço daqui o nosso pedacinho da Grécia”, diz.

Sobre a escolha das plantas, Kellin explica que aproveitou o sol que toca o lugar para trazer espécies como a primavera da entrada, que segundo ela, também cresce no país de origem.

Já dentro da casa, o clima grego fica um pouquinho de lado. As características da antiga construção voltam a aparecer, porém Kellin adianta, que o interior do imóvel será o próximo que ela irá mexer. “O arco da janela também é da Grécia. Lá, eles usam muito essa forma nas construções e pretendo trazer isso também para dentro da casa”, revela.

Caixa de correio foi encontrada por moradora no ferro velho (Foto: Saul Schramm)Caixa de correio foi encontrada por moradora no ferro velho (Foto: Saul Schramm)


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