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Campo Grande, Quarta-feira, 13 de Dezembro de 2017

28/10/2017 07:05

Com só 1 baile na agenda, Clube Libanês tenta se livrar de prédio para recomeçar

São apenas 100 sócios e uma estrutura com problemas, por isso a ideia é vender e construir outro

Thailla Torres
Clube só abre aos domingos, para Festa da Terceira Idade. (Foto: Marcos Ermínio)Clube só abre aos domingos, para "Festa da Terceira Idade". (Foto: Marcos Ermínio)

São 66 anos no mesmo endereço, mas hoje quase sem nenhum movimento. Na Rua Dom Aquino, a fachada já desbotada, com elementos vazados, são a entrada do Clube Libanês. O local que foi cenário para grandes festas há tempos está à venda. Porém, até agora não apareceu uma proposta milionária que compensasse pelo patrimônio.

A história oficial reforça que o prédio foi construído por 400 libaneses, entre 1951 e 1962. Depois, vieram os famosos carnavais e eventos da colônia libanesa ou de quem tivesse cacife para ocupar os salões do lugar.

O ritmo entrou em decadência e atualmente o público só dá o ar da graça aos domingos, das 18h às 23h, para o tradicional baile da terceira idade, comenta o advogado e diretor do clube, José Luiz Saad Coppola.

Detalhe do projeto que começou a ganhar forma em 1951. (Foto: Marcos Ermínio)Detalhe do projeto que começou a ganhar forma em 1951. (Foto: Marcos Ermínio)
De segunda a sábado, o clube está sempre fechado. (Foto: Marcos Ermínio)De segunda a sábado, o clube está sempre fechado. (Foto: Marcos Ermínio)

Recentemente, a Justiça interditou o clube até que fossem providenciados alvarás necessários para funcionar. O problema da documentação foi resolvido, garante o diretor, mas ele diz que mesmo assim pretende manter apenas um evento por semana até que o prédio seja vendido. "Já colocamos à venda, várias vezes, mas as propostas são muito abaixo do mercado. O clube vale mais de R$ 6 milhões", afirma.

Com aparência deteriorada, uma alternativa seria investir em uma reforma, mas o diretor descarta, porque a localização também virou problema. "A realidade é que o clube está em local da cidade em que seria necessário gastar pelo menos R$ 300 mil em acústica. Mas optamos por eventos que não atrapalhem ninguém e acabamos com o teatro, dança, shows e academia", explica.

A falta de estacionamento é outra desvantagem. Por isso, nos planos da administração, a venda do imóvel é a chance de recuperar toda tradição da colônia, recomeçando em outro endereço. "O clube não vai fechar e nós nunca fechamos. Mas o plano é vender e com esse dinheiro construir em outro lugar, para voltar com os eventos e atividades do clube". 

Por isso os bailes da terceira idade continuam, é a chance de não ver a história se perder com o tempo. "Com o valor dos bailes, que é só R$ 10,00, mantemos as instalações limpas, longe da depredação e do esquecimento", explica José Luiz.

Fotografia de festa junina no Libanês. (Foto: Facebook Anos Dourados Campo Grande)Fotografia de festa junina no Libanês. (Foto: Facebook Anos Dourados Campo Grande)

Hoje, a arquitetura parece simples. Mas o projeto de 1951 foi uma surpresa para a época. Projetado pelo engenheiro civil Gabriel do Carmo Jabour, os detalhes revelam a particularidade da família árabe. "Ele tinha uma visão como os filhos de árabe, os elementos vazados é um aspecto muito frequente e típico na cultura deles, por isso está presente em detalhes da construção", explica o arquiteto Elvio Garabini.

Atualmente, o clube tem cerca de 100 sócios e reúne o mesmo número de pessoas aos domingos. Mas o que não falta são lembranças de um tempo que o Carnaval e a Festa Junina eram celebrados com emoção. "É um clube histórico, foi usado para casamentos, festas e aniversários. Mas com o tempo, os buffets tomaram conta da cidade, as pessoas tem piscina em casa e os clubes foram ficando de lado", lamenta José Luiz Saad Coppola.

Mesmo sem o público de antigamente, não há motivos para acabar com clube, defende o diretor. "É um local de encontro da nossa colônia e não vamos deixar a tradição acabar. Acho muito importante a valorização, mas só iremos vender quando um comprador pagar o preço justo", afirma o diretor do Libanês. 

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