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Campo Grande, Terça-feira, 16 de Outubro de 2018

20/08/2018 12:52

Desafio da arquitetura é mostrar o quanto sabe das necessidades e prazeres de MS

Profissionais já começam a se movimentar para a Casa Cor MS e em entrevista ao Lado B, diretora nacional da marca fala sobre o poder do que é regional

Ângela Kempfer
Jardim da Varanda, de Shoraya Canêdo, na Casa Cor Goiás. (Foto: Divulgação Casa Cor)Jardim da Varanda, de Shoraya Canêdo, na Casa Cor Goiás. (Foto: Divulgação Casa Cor)

No início do mês, Campo Grande registrou índices absurdos de umidade relativa do ar, só 15%, enquanto o recomendado é 60%. Nesta hora, aquele detalhe que parecia muito mais belo do que funcional mostra o poder de uma casa conectada com as reais necessidades do morador. 

Arquiteto, designer, paisagista e indústria não podem ser indiferentes ao que conforta de maneira particular em cada localidade. Um jardim vertical, com sistema de gotejamento, ou o uso de couro sintético em estofados, no lugar de tecidos, são alternativas que podem amenizar muito o sofrimento de agosto por aqui. Ao entender os problemas e se apropriar de elementos regionais, o projeto não só melhora a rotina, mas também ativa a produção local e cria atmosferas afetivas.

Campo Grande se prepara para abrir mais uma edição da Mostra Casa Cor MS, um espaço que, dentre muitos objetivos, serve para identificar o quanto os profissionais daqui estão interessados  na valorização dos nossos traços e dos nossos prazeres. Não que alguém precise ser profundo entendedor do chamamé ou reservar um espaço para o "téras" no quintal. O que se espera é sensação de pertencimento, de identificação.

"O profissional ganha liberdade para criar, sem a imposição de clientes. É um laboratório de ideias, que deve levar em consideração, claro, as necessidades regionais. Precisa entender que uma fonte d'água em estados quentes é mais importante que uma lareira, por exemplo", comenta a diretora da marca Casa Cor, Lívia Pedreira. 

Lívia Pedreira é diretora superintendente da Casa Cor, (Foto: Rafael Renzo/Casa Cor)Lívia Pedreira é diretora superintendente da Casa Cor, (Foto: Rafael Renzo/Casa Cor)

E pelas edições da mostra Brasil afora, a diversidade de culturas e climas aparece de várias maneiras. "É incrível ver como cada um responde aos desafios de uma forma diferente, mas sempre criativa e sustentável. E isso desafia também a indústria a pensar e oferecer materiais que atendam novas necessidades", avalia Lívia 

Em Goiás, a mostra deste ano teve no Jardim da Varanda, de Shoraya Canêdo, com quase 80 m² ocupados pelo verde, em vasos e estruturas metálicas, para garantir a sombra em Goiânia. A cidade também é conhecida pelo calor e umidade baixa, que atingiu 5% no início de agosto.  Em vários ambientes, os grandes painéis de vidro exploram a luz à vontade, outro ponto forte da Região Centro-Oeste.

Assim como a onda dos ambientes multifuncionais, outras tendências surgem fortes em todas as edições de 2018, o uso de cores doces e de peças com a simplicidade do que é feito a mão, para a alma aflorar entre 4 paredes.

Na Casa Cor Minas Gerais, a água brota em meio aos vasos do jardim vertical. (Foto: Divulgação Casa Cor)Na Casa Cor Minas Gerais, a água brota em meio aos vasos do jardim vertical. (Foto: Divulgação Casa Cor)
Em Alagoas, Solarium de Alana Apratto, Cândida Cabral e Caterine Cabral. (Foto: Divulgação Casa Cor)Em Alagoas, Solarium de Alana Apratto, Cândida Cabral e Caterine Cabral. (Foto: Divulgação Casa Cor)
Garagem do Pescador em Alagoas,de Alerson Lisboa e Carla Marques. (Foto: Divulgação Casa Cor)Garagem do Pescador em Alagoas,de Alerson Lisboa e Carla Marques. (Foto: Divulgação Casa Cor)

Em Alagoas, Alerson Lisboa e Carla Marques criaram a Garagem do Pescador e, apesar da homenagem à cultura e à economia pesqueira estadual, o ambiente ficou bem contemporâneo, com madeira ripada em contraste com o preto das esquadrias e iluminação no estilo industrial. Objetos do avô do arquiteto completam o espaço com sensibilidade.

Na mesmoa mostra, o Solarium de Alana Apratto, Cândida Cabral e Caterine Cabral é outra descoberta sobre Alagoas. Elas transformaram o clássico jardim de inverno usando plantas nativas, obras de artistas alagoanos e sofisticaram o lugar com uma grande mesa de centro, branco Dior, sustentada por toras de madeira caída, recolhidas na mata.

Sala Happy End, de Juliana Marodin, em Itapema. (Foto: Divulgação Casa Cor)Sala Happy End, de Juliana Marodin, em Itapema. (Foto: Divulgação Casa Cor)
Em Camburiú, Movie Lounge de Eluize Mendes e Maria Ondina Garcia. (Foto: Divulgação Casa Cor)Em Camburiú, Movie Lounge de Eluize Mendes e Maria Ondina Garcia. (Foto: Divulgação Casa Cor)

Em Santa Catarina, a Casa Cor se dividiu entre Itapema e Camburiú. O mar e a serra surgiram em cores e lareiras, mas a sustentabilidade falou bem mais alto, assim como a rotina saudável, dois quesitos cultuados por quem vive à beira mar. 

A Sala Happy End, de Juliana Marodin, partiu da importância de se conectar ao essencial. Para executar a proposta, ela recorreu aos materiais eco-friendly, de menor impacto ao meio ambiente, principalmente, os produzidos em Santa Catarina.

Em Camburiú, o Movie Lounge seguiu caminho mais ligado aos hábitos noturnos da cidade famosa pelas baladas. O ambiente assinado por Eluize Mendes e Maria Ondina Garcia teve inspiração nas cavernas masculinas americanas, com um item que de luxo também pop na noite daquelas bandas, uma champanheira esculpida em pedra. 

Para Lívia Pedreira, essas abordagens tão diversas, que vão do essencial ao luxo, são o que de melhor há no evento. "São muitos olhares sobre o lugar onde vivem, isso é incrível para a Casa Cor. Temos profissionais consagrados e também alguns que estão começando, outro ponto que reforça essa variedade. São pessoas cheias de ideias e até os mais experientes fazem da mostra um laboratório. A gente comprova o crescimento de quem está chegando agora, graças a vitrine que conquistam aqui, e o vigor recuperado pelos que estão há muito tempo no mercado".

Canto da Dira, de Rosângela Martins e Zelinda Gouvêa. (Foto: Divulgação Casa Cor)Canto da Dira, de Rosângela Martins e Zelinda Gouvêa. (Foto: Divulgação Casa Cor)

O Pará é um dos estados com a cultura mais transparente nos espaços da Casa Cor.  O Foyer “Entre, a casa é sua” , de Ana Cecília Lima e Patrícia Matos, é pura diversidade ética bem combinada com o atual. Tem cimento queimado, minerais e madeira, junto de peças marajoaras e indígenas.

Outro espaço, o Canto da Dira, de Rosângela Martins e Zelinda Gouvêa, usa fibras naturais, couro, algodão, crochê e madeira para criar morada com a cara da atriz Dira Paes, cheia de fé à Nossa Senhora de Nazar, padroeira de Belém que aparece esculpida em miriti, palmeira típica da Amazônia, por Nelson Nabiça.

Armazém Casa Cor, de Filipe Pederneiras, Thiago Bandeira e Katarina Grillo. (Foto: Divulgação Casa Cor)Armazém Casa Cor, de Filipe Pederneiras, Thiago Bandeira e Katarina Grillo. (Foto: Divulgação Casa Cor)
No Paraná, o Lounge de Vânia Toledo Martins, com luminárias assinadas pelo escritório. (Foto: Divulgação Casa Cor)No Paraná, o Lounge de Vânia Toledo Martins, com luminárias assinadas pelo escritório. (Foto: Divulgação Casa Cor)

Os profissionais de Minas Gerais não têm dificuldade alguma de explorar a brasilidade, trazendo de volta a história ao ocupar casarão da extinta Rede Ferroviária Federal. Até na Cozinha Funcional do Chef, de Fabiola Constantino, com automação e utensílios tecnológicos, o patrimônio é destaque graças àss grandes janelas restauradas.

O Armazém Casa Cor, de Filipe Pederneiras, Thiago Bandeira e Katarina Grillo, coloca duas mesas em aço para abrir espaço de convivência e colocar outro patrimônio local, a gastronomia mineira como a atração maior.

No Paraná, o Lounge de Vânia Toledo Martins é outro exemplo do poder nacional. Tem paredes em taipa, um biombo em imbuia com palha. O incrível é a harmonia com artdéco do mobiliário. E o espaço cumpre outro objetivo da mostra, valorizar design local, como as luminárias desenhadas pelo próprio escritório. Já a Livraria, de KatleenLuizaga, investe na arte paranaense, com cerâmicas de Mariana Canet e Denise Coelho.

Em Campo Grande, a Casa Cor MS será aberta à visitação no dia 19 de outubro, no Shopping Bosque dos Ipês. A mostra parte do zero, para transformar um espaço hoje vazio, de 1,8 mil , em lugar vivo, como prega o conceito Casa Cor 2018.

"Todas as edições da Casa Cor MS surpreenderam pela forma impecável como foram realizadas. Já ocupou até a obra de um hospital. Desta vez, garanto que a surpresa do público será ao entrar ali e perder completamente a sensação de que estão em um shopping", prevê Lívia Pedreira.



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