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Campo Grande, Segunda-feira, 12 de Novembro de 2018

29/10/2018 07:44

Do lápis ao tronco centenário, tudo vira móveis e arte nas mãos de casal

Cada peça feita por Flávio e Ester conta a própria história, em cheiros, texturas e cores que muitas vezes não cabem em palavras

Kimberly Teodoro
Os Jacarés que Flávio começou a fazer por hobby, hoje estão em exposição na Casa Cor MS (Foto: Kísie Ainoã)Os Jacarés que Flávio começou a fazer por hobby, hoje estão em exposição na Casa Cor MS (Foto: Kísie Ainoã)

Já segurou um elefante na ponta dos dedos ou recebeu flores que nunca morrem? Pensou em quantas histórias não são contadas por palavras e cabem em um "simples" Jacaré, que pode ser desde item de decoração até um banco de praça? Flávio Vilalba e Ester Rohr não só imaginaram como transformaram as respostas para essas perguntas em peças feitas para estimular os sentidos, com cheiro, textura e tons naturais da madeira.

Flávio é do ramo da construção civil, mas a afinidade com a arte vem desde criança, quando o irmão fazia os desenhos e ele reproduzia em madeira ou argila. Recentemente, com a profissionalização do hobby ele começou a cursar design, para somar a teoria à prática.

Ester é formada em artes visuais e descobriu a escultura ainda na universidade, durante uma aula em que o objetivo era estudar formas de obras já existentes. Naquele momento ela tinha um lápis na mão, um objeto pequeno, mas matéria prima suficiente para dar forma à primeira de muitas esculturas que viriam depois. Um dos trabalhos dela é um produto audiovisual feito com imagens quadro a quadro e esculturas em giz de cera que representam os ciclos da vida e pode ser visto no fim da matéria.

 

O Design serve tanto para pequenos ganhos recolhidos na rua, quanto para árvores inteiras que podem virar bancos, como da Casa Cor MS (Foto: Divulgação)O Design serve tanto para pequenos ganhos recolhidos na rua, quanto para árvores inteiras que podem virar bancos, como da Casa Cor MS (Foto: Divulgação)
Jacaré cabe na palma da mão, mas faz parte de árvore centenária que caiu na cidade e ganhou novo significado nas mãos de Flávio (Foto: Kimberly Teodoro)Jacaré cabe na palma da mão, mas faz parte de árvore centenária que caiu na cidade e ganhou novo significado nas mãos de Flávio (Foto: Kimberly Teodoro)

Com uma história de amor que parece de cinema, Ester é do interior do Rio Grande do Sul e Flávio um sul-mato-grossense que ainda nem tinha ouvido falar da pequena cidade em que encontraria uma companheira para a vida. Separados por 1.113 quilômetros e quase 15 horas de viagem por terra, os dois se conheceram em um site de bate-papo e o que era só amizade evoluiu aos poucos para um relacionamento "semi-presencial". Ao longo do primeiro ano, só conseguiam se encontrar a cada 2 ou 3 meses, de acordo com os feriados prolongados e dias de férias disponíveis.

Nesse meio tempo, as conversas diárias e a revelação das afinidades foram aproximando os dois, entre elas, o amor em comum pela arte, que fez parte da história deles desde o começo. Flávio conta que quando descobriu o interesse da então namorada por esculturas, começou a dar forma ao grafite do lápis usado na construção civil, a proposta era fazer 600 ícones diferentes para presentear Ester ao longo do relacionamento. Até as alianças do casal são únicas, foram feitas por Flávio na forja improvisada que montou no jardim de casa com moedas de 50 centavos.

Primeiro o casal descobriu o amor arte, depois a arte se fez presente também na vida a dois, um pouco tímida no começo, ganhando espaço e tamanho com a diversificação dos materiais até conquistar a sala da casa, o jardim, a varanda, virar uma coleção diversificada de esculturas e por fim começar a tomar conta também da casa dos amigos que começaram a gostar das peças e fazer as próprias encomendas.

Ester e Flávio se conheceram em um site de bate-papo e entre as muitas afinidades, a arte é a mais presente na vida do casal (Foto: Kimberly Teodoro)Ester e Flávio se conheceram em um site de bate-papo e entre as muitas afinidades, a arte é a mais presente na vida do casal (Foto: Kimberly Teodoro)
Esculturas feitas por Ester em giz de cera e utilizado em uma produção de audiovisual representando os ciclos da vida (Foto: Kimberly Teodoro)Esculturas feitas por Ester em giz de cera e utilizado em uma produção de audiovisual representando os ciclos da vida (Foto: Kimberly Teodoro)
Um elefante que cabe na ponta dos dedos e faz parte da coleção de formas em grafite que Flávio faz para a esposa (Foto: Kimberly Teodoro)Um elefante que cabe na ponta dos dedos e faz parte da coleção de formas em grafite que Flávio faz para a esposa (Foto: Kimberly Teodoro)
Alianças do casal foram feitas com moedas de 50 centavos (Foto: Kimberly Teodoro)Alianças do casal foram feitas com moedas de 50 centavos (Foto: Kimberly Teodoro)

Flávio ressalta que os trabalhos são feitos em troncos de árvores derrubados por tempestades ou ventos fortes, para o casal cada árvore é uma vida que deve ser preservada até o último momento e só depois, eternizada pelo trabalho de artistas como eles. Muitos dos móveis feitos por ele são encomendas especiais de clientes que "perderam" recentemente uma árvore no quintal de casa e ligam para que o artista transforme em uma poltrona, mesa ou escultura para que o tronco ganhe um novo significado.

Por vezes, Flávio também costuma mesclar metais que já perderam a função original para dar um toque único na peça e de quebra, ajudar o meio ambiente, como a  que está na casa sala do casal, em que o tampo é feito com o corte de um tronco e os pés são molas de caminhão recolhidas no ferro velha e refeitas para dar suporte a mesa de centro.

Outros móveis têm um design orgânico, que são feitas do mesmo pedaço de madeira com corte que permite que as partes se encaixem uma na outra e virem um único item de acordo com a necessidade e espaço disponível.

A Variedade de formas e tamanho possibilita também a diversidade de preços, uma peça produzida por eles pode sair entre R$ 30,00 até R$ 500,00, dependendo do tempo de trabalho e materiais utilizados. Nos casos em que o cliente já tem a matéria prima, é comum que Flávio atenda em casa, levando as ferramentas necessárias e com horários agendados para evitar o deslocamento da madeira, evitando danos ao material e diminuindo os custos com transporte.

Móvel orgânico feito para caber em qualquer ambiente (Foto: Kimberly Teodoro)Móvel orgânico feito para caber em qualquer ambiente (Foto: Kimberly Teodoro)
Mesa de com tampo de madeira e pernas feitas com molas de caminhão que perderam o uso (Foto: Kimberly Teodoro)Mesa de com tampo de madeira e pernas feitas com molas de caminhão que perderam o uso (Foto: Kimberly Teodoro)

Fã de materiais da terra, Ester recolhe de galhos que encontra durante os passeios dos dois na natureza, até cascas de árvores com formato interessante no qual ela consiga esculpir. A característica do trabalho dela é a preocupação em preservar os tons originais e textura da madeira que serve de matéria prima, por isso ela evita usar tintas e até verniz, fazendo uma peça capaz de proporcionar uma experiência que vai além da beleza e encanta também pelo toque e pelo cheiro.

Trabalho feito por Ester em uma casca de árvore que a qualquer outra pessoa teria passado despercebida (Foto: Kimberly Teodoro)Trabalho feito por Ester em uma casca de árvore que a qualquer outra pessoa teria passado despercebida (Foto: Kimberly Teodoro)

Independente do tamanho da peça, cada uma carrega a própria história. Os grafites dos lápis de construção civil fazem parte da história de Flávio e Ester. Exemplo disso é um eucalipto muito antigo que por muito tempo esteve no Horto Florestal, em uma noite de chuva muito forte a árvore cedeu e depois de removida pela prefeitura, Flávio moldou no próprio tronco uma banheira que hoje se encontra no interior do estado.

A banheira teve um propósito único, mesmo depois do eucalipto morto, ainda representa a vida, foi nela o nascimento do primeiro filho de um casal de amigos alemães de Flávio e Ester, que na época estavam viajando pela América Latina e vieram ao Brasil justamente na época em que a gestação estava no fim para que a criança fosse brasileira.

Da mesma madeira, o jacaré que cabe na palma da mão e que estampa a capa da matéria também é uma parte do eucalipto da banheira e ainda esse mês vai pelo correio até a Alemanha, mantendo a ligação entre a criança que deu um novo sentido ao tronco abandonado depois da queda e o país no qual ela nasceu.

Para ver mais trabalhos do casal basta acompanhar a página de facebook Ester Rohr Artista e Móveis Rústicos Orgânicos.

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