Eli reviveu jardim que era xodó da mãe e casa virou lugar dos sonhos
Além das plantas, a residência guarda berrante, fotos e tradições mantidas pela filha caçula

Depois que a mãe morreu, o jardim da casa na Vila Sobrinho também perdeu vida. As plantas murcharam e o cuidado diário ficou no passado. Anos depois, a filha decidiu mudar essa história e transformou o espaço em um daqueles cenários que fazem quem passa na rua diminuir o passo e pensar: “eu teria uma casa assim”.
RESUMO
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Na casa da Rua Ricardo Franco, cada vaso, cada detalhe e até os objetos pendurados nas paredes fazem parte de uma reconstrução afetiva. Foi a forma que Elisangela Cristaldo Barbosa, de 49 anos, encontrou de manter viva a memória da mãe, Venina de Oliveira Barbosa, conhecida pela família como Venina Marruá.
Quem acompanhou tudo de perto foi Branco, o cachorro que Venina não largava por nada. Apesar do tamanho, ele faz papel de segurança do quintal e não deixa nada entrar sem aviso. Se por fora a casa esbanja alegria, por dentro ela guarda sorrisos, lembranças de viagens e objetos que Venina reuniu ao longo da vida e que a família mantém do jeitinho que ela deixou.

“Eu refiz o jardim em homenagem a ela, pois o luto foi um tempo em que não conseguia entrar em casa, e muitas plantas morreram junto com ela. No pós-luto, eu me levantei juntamente com o jardim. É uma forma de manter a lembrança da minha mãe viva. Muitas pessoas param e falam sobre como ela gostava de plantas e como o jardim remete a ela.”
Entre as paredes laranjas da varanda tem de tudo. Plantas típicas de casa de vó, cactos, banco de madeira e até um cantinho só para os passarinhos. Com uma blusa estampada com a foto da mãe em meio a girassóis, Elisangela faz questão de mostrar cada detalhe enquanto relembra a história de Venina Marruá. Ela conta que a mãe saiu de Jardim, “fugindo” de uma situação familiar difícil, e chegou a Campo Grande em 1979.
“Como toda pessoa vinda do interior, ela gostava muito de plantas e chás. Ela deixou muito isso para a gente. Tem muita história, tem boldo, alecrim. Confesso que, quando ela faleceu, isso aqui tinha virado mato. Depois que enfrentei, deixei do jeitinho que ela gostava: colorido, com pé de romã, chifre-de-veado, sálvia.”

Devido à variedade de plantas, não é difícil flagrar pessoas roubando mudas ou atender quem pede com educação alguma espécie. Elisangela não nega, distribui com prazer, e até os que pegam sem permissão não são condenados por ela.
“Várias pessoas batem aqui para pegar uma muda. Trouxe algumas mudas do Amazonas para cá. As pessoas pegam, ou roubam, eu deixo. Isso é a Venina, ela se resume a esse quintal.”
Ao longo da tour pela casa, a caçula vai mostrando os detalhes, os quadros com as fotos da mãe, o sofá com detalhes feitos com fuxico, a decoração que trazia das viagens, a antiga máquina fotográfica e o berrante que ela aprendeu a tocar.
“Meus primos de Jardim falam que a primeira casa em que eles ficaram, em Campo Grande, foi a da minha mãe. Ela era muito acolhedora, foi trazendo as irmãs para cá, aos poucos".

Quando Venina adoeceu, Eli morava em Porto Velho e não pensou duas vezes: pegou o filho, as coisas e veio para Campo Grande. "Ela acolhia muito, além da família, pessoas doentes que vinham do interior. O pessoal conta muita história, falando que, se a fulana engravidasse e os pais não aceitassem, vinha para a casa da minha mãe.”
A voz embarga ao falar que, durante os natais, a família se reunia na casa de Venina, colocava uma mesa na sala e jogava baralho.
“Era uma grande festa, uma gritaria. Essa casa sempre foi uma grande festa e uma grande alegria. Um dos quesitos para que essa ficasse para mim era manter a tradição de receber as pessoas. Quis deixar exatamente assim, para que possam ter o acolhimento da tia, da vó, da mãe, de abrir a geladeira e falar: ‘tô em casa’.”
Venina teve 7 filhos, criou todos com garra, fazendo o que fosse preciso: lavou, passou e limpou a casa dos outros. Ela se separou, achou esse cantinho na Rua Franco e recomeçou a vida. Ao todo, são 12 netos e 3 bisnetos, todos criados na casinha. Eli conta que até o casamento da mãe aconteceu no imóvel.
“Ela era muito festeira, viajada. Não tem como não falar dela sem falar de alegria, dança e amor. Minha mãe continua a significar uma força incrível, uma alegria de viver. Quando eu ficava triste por qualquer motivo, me lembro de deitar no colo dela e conversar. Aquilo me aliviava, me renovava. Ela morreu sem saber que o seu colo era o melhor remédio do mundo, pois eu mesma descobri isso após a sua morte. Nunca me faltou aquele colo. Minha mãe é minha essência, que carrego no meu coração, e esse jardim é a melhor forma de mostrar como ela realmente era. Linda demais.”
Sobre Branco, Elisangela comenta que, todos os dias, no café da manhã, era uma chipa para a mãe e outra para ele. “É o mais dengoso do mundo. Quem mora na casa é ele, o cachorrinho chamado Branco, e as plantas.”
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