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Interior

Indígenas deixam sedes de fazenda em Sidrolândia após mediação do Ministério

Área é reivindicada pelos terenas, que cobram o avanço da demarcação paralisada desde 2013

Por Clara Farias | 14/06/2026 11:59
Indígenas deixam sedes de fazenda em Sidrolândia após mediação do Ministério

Após a ocupação da sede da Fazenda São Sebastião, em Sidrolândia, o Ministério dos Povos Indígenas informou neste domingo (14) que os indígenas já deixaram o local e que a Funai (Fundação Nacional dos Povos Indígenas) atua na mediação do conflito. A área é reivindicada por indígenas do território Buriti, que cobram o avanço do processo demarcatório paralisado desde 2013.

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Indígenas do território Buriti ocuparam e deixaram a sede da Fazenda São Sebastião, em Sidrolândia, após mediação da Funai. O ministro Luiz Henrique Eloy informou que o governo federal acompanha o conflito e pede diálogo. A demarcação da Terra Indígena Buriti, com 17,2 mil hectares, está paralisada desde 2013, quando o indígena Oziel Gabriel Terena foi morto durante reintegração de posse.

Ao Campo Grande News, o ministro dos Povos Indígenas, Luiz Henrique Eloy Amado, afirmou que o governo federal acompanha a situação e mantém diálogo com as lideranças indígenas e com a Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública. "Estamos acompanhando. A Funai já está no local conversando com as lideranças para a gente resolver essa situação", disse.

Segundo o ministro, informações repassadas pela coordenação regional da Funai apontam que houve a tentativa de ocupação da sede da propriedade, mas que os indígenas não permanecem mais no local.

Ainda conforme Eloy, o trabalho da Funai e do ministério neste momento é evitar o agravamento do conflito e construir uma solução por meio do diálogo. O ministro informou que as lideranças indígenas foram orientadas a deixar a área e aguardar as negociações.

Os proprietários da fazenda também relataram que máquinas teriam sido levadas durante a ocupação. De acordo com o ministro, servidores da Funai estão verificando a situação para informar as autoridades e viabilizar a devolução dos equipamentos aos donos.

O titular da pasta lembrou que a disputa pela área se arrasta há décadas e citou o conflito de 2013 no território Buriti, quando o indígena Oziel Gabriel Terena foi morto durante uma ação de reintegração de posse envolvendo forças policiais.

Indígenas deixam sedes de fazenda em Sidrolândia após mediação do Ministério
Território reivindicado pelos terena (Foto: Reprodução/Terra Indígena)

Segundo Eloy, o governo federal já vinha discutindo a retomada da mesa de diálogo criada após os confrontos registrados naquele período. Ele acrescentou que existe uma sinalização do ministro do STF (Supremo Tribunal Federal), Flávio Dino, para convocar uma reunião nos próximos meses com o objetivo de discutir o impasse fundiário.

"Estamos pedindo para as lideranças aguardarem. Também fiz esse apelo ao presidente da Famasul para que os fazendeiros não façam justiça com as próprias mãos e para que a situação seja resolvida de forma dialogada e dentro dos caminhos legais", afirmou.

Em nota, a Polícia Militar informou que equipes especializadas atuaram nas fazendas São Sebastião e Água Clara, em Sidrolândia, para conter invasões de propriedade, atos de vandalismo e crimes ambientais.

Segundo a corporação, durante a ocupação da Fazenda São Sebastião foram registrados danos a maquinários agrícolas, furto de insumos, focos de incêndio e derrubada de árvores que teriam sido utilizadas como barricadas para dificultar a ação policial. Ainda de acordo com a corporação, equipes permanecem na região para manter a ordem e verificar a localização de objetos que teriam sido levados durante a ocupação.

Indígenas deixam sedes de fazenda em Sidrolândia após mediação do Ministério
Área da fazenda que estava ocupada pelos indígenas (Foto: Polícia Militar)

Ocupação - Indígenas do território Buriti ocuparam a sede da Fazenda São Sebastião na tarde de ontem (13), em Sidrolândia. Representantes da retomada relataram ao Campo Grande News que a propriedade está sobreposta aos 17,2 mil hectares da Terra Indígena Buriti, cujo processo de demarcação está paralisado desde 2013.

Em maio daquele ano, um grupo de indígenas terena ocupou a Fazenda Buriti. Durante uma ação de reintegração de posse realizada por agentes das polícias Federal e Militar, Oziel Gabriel Terena foi atingido por um disparo no abdômen e morreu. Investigação do MPF (Ministério Público Federal) concluiu que o projétil que matou o indígena partiu de uma arma utilizada pela Polícia Federal, mas não foi possível identificar qual agente efetuou o disparo.

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