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Campo Grande, Segunda-feira, 17 de Dezembro de 2018

11/11/2018 08:16

Para valorizar o talento autoral, MS ganha 1ª pós-graduação em Design Mobiliário

Na lista de docentes, estão os designers Leonardo Lattavo e Pedro Moog, donos da marca Lattoog, ícones do design brasileiro

Thailla Torres
Dupla Lattoog fará parte do corpo docente da pós-graduação. (Foto: Divulgação)Dupla Lattoog fará parte do corpo docente da pós-graduação. (Foto: Divulgação)

Cadeira, luminária, poltrona ou um balanço. Esse conjunto dentro de uma casa, por diversas vezes, é o equilíbrio perfeito entre o belo e o funcional. Peças com valor agregado e um poder de transformar ambientes sem abandonar as necessidades do morador. São detalhes que a gente encontra em móveis de design. Por isso, Campo Grande ganhou a primeira pós-graduação em Design de Mobiliário, com objetivo de valorizar o trabalho autoral e provocar a criatividade.

A especialização vai caminhar pelo desenvolvimento de técnicas, processos para criação e impressão de estilo próprio nas peças. A pós será na Unigran Capital, a partir de 2019, em parceria com a Galeria Escola SuPapo Criativo, da designer Luciana Teixeira.

Na lista de professores, está a dupla Leonardo Lattavo e Pedro Moog, donos da marca Design Lattoog, que neste ano surpreenderam em plena Praça Duomo, em Milão, com a obra Pantosh Gigante, peça criada por eles há 10 anos.

Com carreira consolidada, nesta semana a dupla esteve pela primeira vez em Campo Grande, para o lançamento da pós-graduação na Casa Cor MS 2018, realizada no Shopping Bosque dos Ipês, e também para lançar sua nova obra, o livro Lattoog, com 176 páginas ilustradas que narram a trajetória da marca no design.

A dupla falou sobre as produções exclusivas, o mercado do design e a inquietude para um trabalho autoral de verdade, que não pode ser confundido apenas como uma peça digna de beleza, mas de funcionalidade e, acima de tudo, originalidade.

A pergunta mais clichê, sobre de onde vem a inspiração, a dupla não teme em responder e, ressaltar que o primeiro passo é não se basear na peça do "vizinho". "Em geral, os alunos estão sempre buscando como forjar seu próprio processo criativo, mas ele tem que começar pela individualidade. Cada aluno, designer, arquiteto, profissional em geral, tem que buscar suas afinidades, o meio, inspirações, uma série de fatores que entram numa conjunção e faz  você se definir como um projetista", explica o designer Leonardo.

A união que começou há 20 anos, de forma despretensiosa, viveu outro cenário, lembra Leonardo. "No nosso caso, começamos como hobby e como uma experiência de artistas, só que recolocado no âmbito dos móveis. Naquele momento era algo como escultura funcional que acabou nos levando ao Design".

Mas desde o início, segundo eles, a grande preocupação foi com a narrativa que busca atender o desejo de criar algo diferente de tudo que já foi feito. "Preocupação arquitetônica, construtiva, referências de ergonomia e modos de fabricação. Você vai se apoderando desse conhecimento ao longo dos anos e é o que permeia essa narrativa, o que em outras palavras significa ter os projetos bem embasados em relação as referências, inspirações e a trajetória de como ele foi criado".

Mas é precisa ter em mente que o processo criativo é múltiplo. "Ele é complexo, errático, homogêneo. Mas no momento que começa a procurar, categorizar, sistematizar, você já começa minar, deixa de ser somente intuitivo. Os profissionais precisam criar ferramentas para que consigam dominar isso. E dentro desse processo, não é colocar só uma característica, podem ser 30 ou 40 características que vão definir o processo criativo", explica Leonardo.

O maior desafio, na visão dos profissionais, é a interpretação e o olhar para que o profissional consiga materializar em um móvel sua leitura do mundo, o que pode fortalecer a produção autoral e refletir o regional. "O nosso trabalho é um transpasse da leitura, é a leitura da cidade, da arquitetura, de um manifesto literário, fenômeno social, que é materializado em móvel. A questão do regional é parte disso, então se essa leitura é mal feita, daí sim a gente entra questão do regional banalizado, meramente aplicado, do clichê".

Entre os profissionais que inspiraram a formação do novo curso, estão ainda a coautora do livro Introdução ao Design Inclusivo, Danila Gomes, e a coautora do livro A Revolução do Design - Conexões para o Século XXI, Andrea Bandoni, referência em design na Era Digital.

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