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Campo Grande, Terça-feira, 15 de Outubro de 2019

28/02/2019 08:16

De família libanesa, Jean Pierre entrou no Carnaval escondido, aos 14 anos

Ele assistiu a um desfile e bateu à porta de carnavalesco para perguntar como desfilar. Já são 40 anos no Carnaval

Wendy Tonhati
Jean Pierre tem 40 anos de carnaval (Foto: Paulo Francis)Jean Pierre tem 40 anos de carnaval (Foto: Paulo Francis)

A história de Jean Pierre Michel com a folia começou aos 14 anos, em Campo Grande. De família libanesa, ele só tinha contato com o samba e o Carnaval pela televisão. Hoje aos 53 anos, não perde um Carnaval e desfila todos os anos pela G.R.E.S (Grêmio Recreativo Escola de Samba) Unidos da Vila Carvalho.

Jean Pierre conta que ainda adolescente, logo que assistiu a um desfile das escolas de samba, na rua 14 de Julho, decidiu que participaria do próximo Carnaval. No dia seguinte ao desfile, bateu à porta do carnavalesco Félix Rodrigues para perguntar o que deveria fazer para sair em uma escola de samba.

“A primeira vez que eu desfilei, foi escondido da família. Vi o desfile na rua 14 [de Julho] e fui atrás de um carnavalesco chamado Felix. Eu sabia onde morava e eu fui lá um dia perguntar para ele o que eu tinha que fazer para desfilar. Ele falou: você tem que começar fazer a sua roupa no início do ano. Na outra semana ele me chamou e disse: vamos começar a bordar. Na época, era lantejoula, paetê e agulha”.

Nos primeiros carnavais, ainda adolescente, desfilou escondido da família. Era necessário fazer “malabarismos” para não chamar a atenção, já que a casa dos pais também era na rua 14 de Julho. Entretanto, usar de estratégia nem sempre funcionava.

“Tive a oportunidade de desfilar. Nas primeiras vezes, foi escondido, mas, nas outras, não teve jeito. O samba já estava no sangue. Nas primeiras vezes, depois do desfile, eu apanhava. Meu pai é libanês, de descendência árabe e a cabeça era outra. Teve época que o desfile era na 14 e passava na frente de casa. Eu, para me esconder, passava atrás do cordão de pessoas para ele não me ver, mas não tinha jeito, alguém sempre falava.

Vila Carvalho se prepara para o carnaval deste ano (Foto: Paulo Francis)Vila Carvalho se prepara para o carnaval deste ano (Foto: Paulo Francis)

Depois, o pai acabou aceitando e até assistia aos desfiles de Jean Pierre. “Foi mágico. Até meu pai falava: deu kibe no samba. Ele viu que não tinha jeito, que eu gostava mesmo e foi aceitando”.

Desfilar no chão, onde pode mostrar o samba no pé, sempre foi a preferência de Jean Pierre. No começo, a fantasia era igual a do carnavalesco Felix e desfilava ia pela Igrejinha e pela Vila Carvalho. Depois, ficou somente na Carvalho, mas já desfilou em escolas do Rio de Janeiro também.

“A minha primeira fantasia, que eu lembro até hoje, era de bandeirante. A escola vinha falando dos desbravadores em Mato Grosso do Sul, toda verde e rosa. Já fui para o Rio e voltei para cá, porque é a escola do coração, que a gente se sente em casa. As pessoas recebem bem, a bateria, a escola e conhece todo mundo”.

Apesar de tanto tempo no Carnaval, Jean Pierre diz que sempre há novidades. “Eu desfilei vários anos de passista na escola. Esse é o meu forte, samba no pé. Hoje, eu saio de destaque de chão e na frente da bateria, junto com a ala dos passistas, que é a minha ala favorita. Eu quero levantar a arquibancada, levantar o povão. Gosto desse contato com eles, mais próximo. Meu nome de guerra é Faísca, Turquinho. Tem muita gente bacana que passou na minha vida nesse tempo de samba. A gente gosta de ganhar, mas o importante é competir e mostrar para Campo Grande que aqui também tem Carnaval.

Presidente, Zé da Vila comanda a Vila Carvalho (Foto: Paulo Francis)Presidente, Zé da Vila comanda a Vila Carvalho (Foto: Paulo Francis)

50 anos de Vila Carvalho - Nesse ano, a Vila Carvalho vai para a avenida comemorando os 50 anos de escola. O enredo é Jubileu de Ouro. A Vila Carvalho conta, canta e encanta nos seus 50 anos. O presidente, José Carlos de Carvalho, no posto há 46 anos, conta que a escola nasceu em 1969, pelas mãos do carnavalesco Felipe Duque, o Felipão.

O presidente destaca que, embora a escola tenha nascido no bairro, há integrantes de diversas regiões da cidade que são “Unidos da Vila Carvalho”. Nesse ano, a escola vai levar para a avenida 17 alas e três carros alegóricos. “Vamos em busca do vigésimo título, se Deus quiser”.

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