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Saúde e Bem-Estar

Pesquisa indica que 92% das brasileiras entre 50 e 69 anos fizeram mamografia

Em setembro de 2025, o ministério passou a ofertar exame mesmo sem sinais de câncer de mama

Por Silvia Frias | 05/02/2026 06:38
Pesquisa indica que 92% das brasileiras entre 50 e 69 anos fizeram mamografia
Ao fundo, carreta de atendimento às mulheres, no Outubro Rosa, em Campo Grande (Foto/Arquivo)

A proporção de mulheres entre 50 e 69 anos que já realizaram mamografia em algum momento da vida chegou a 91,9% em 2024, segundo pesquisa do Vigitel, Sistema de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico, do Ministério da Saúde. Em 2007, esse índice era de 82,8%.

RESUMO

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A proporção de mulheres brasileiras entre 50 e 69 anos que realizaram mamografia atingiu 91,9% em 2024, segundo pesquisa do Vigitel. O aumento mais expressivo foi registrado na faixa de 60 a 69 anos, passando de 81% em 2007 para 93,1% em 2024.O Ministério da Saúde ampliou o acesso ao exame para mulheres de 40 a 49 anos, mesmo sem sintomas, e estendeu o limite máximo de rastreamento para 74 anos. O câncer de mama é o mais comum entre mulheres no Brasil, com previsão de 78.610 novos casos anuais entre 2026 e 2028.

Os dados foram divulgados nesta quinta-feira (5), data em que se comemora o Dia da Mamografia.

A doença atingiu 814 mulheres em 2024 em Mato Grosso do Sul, a maior incidência do Centro-Oeste, conforme último levantamento divulgado, segundo dados da SES (Secretaria Estadual de Saúde).

O avanço foi registrado em todas as faixas etárias e níveis de escolaridade analisados. Entre mulheres de 60 a 69 anos, o crescimento foi o mais expressivo, passando de 81% em 2007 para 93,1% em 2024. Já entre aquelas sem instrução ou com ensino fundamental incompleto, a taxa subiu de 79,1% para 88,6% no mesmo período. Os números mostram progresso, mas não autorizam comemoração ingênua.

Outro dado relevante é o aumento da realização do exame nos últimos dois anos. Na faixa de 60 a 69 anos, o percentual passou de 67,2% em 2007 para 74,2% em 2024. Ainda assim, uma em cada quatro mulheres nessa idade segue fora do rastreamento regular, um problema nada trivial quando se fala de câncer.

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, alertou que cerca de um quarto dos casos de câncer de mama é diagnosticado em mulheres entre 40 e 49 anos. A constatação reforçou a necessidade de ampliar o acesso à mamografia também para esse público, dentro de um esforço do SUS, Sistema Único de Saúde, para antecipar diagnósticos e reduzir mortes evitáveis.

Em setembro de 2025, o ministério passou a ofertar mamografia para mulheres de 40 a 49 anos mesmo sem sinais ou sintomas da doença. Antes disso, o acesso na rede pública era limitado por critérios como histórico familiar ou presença de sintomas. Apesar dessas barreiras, exames em mulheres com menos de 50 anos já representam 30% do total realizado pelo SUS, mais de 1 milhão apenas em 2024.

Outra mudança anunciada foi a ampliação da faixa etária do rastreamento ativo. O limite máximo, que era de 69 anos, passará para 74. Segundo o ministério, quase 60% dos casos de câncer de mama estão concentrados entre 50 e 74 anos, e o envelhecimento é um fator de risco incontornável. Ignorar isso seria insistir no erro.

O câncer de mama segue como o mais comum e o que mais mata mulheres no país, com cerca de 37 mil óbitos por ano. Dados da publicação Estimativa 2026–2028: Incidência de Câncer no Brasil, do Instituto Nacional de Câncer, apontam que o Brasil deve registrar 78.610 novos casos da doença por ano entre 2026 e 2028.

Para o presidente da Sociedade Brasileira de Mastologia Regional Rio de Janeiro, Bruno Giordano, milhares de mulheres ainda chegam aos serviços de saúde em estágios avançados da doença. O resultado é previsível: menor chance de sucesso no tratamento e maior risco de morte.

Segundo o mastologista, o problema está ligado à baixa cobertura da mamografia em parte da população, às dificuldades de acesso à rede de atendimento e ao intervalo excessivo entre o exame, a confirmação do diagnóstico e o início da terapia. São entraves antigos, conhecidos e, em grande parte, mal resolvidos.

Giordano reforça que a mamografia é o principal exame para detectar o câncer de mama em fases iniciais, muitas vezes antes de qualquer sintoma. O diagnóstico precoce amplia significativamente as chances de tratamento eficaz e reduz a mortalidade. Isso não é opinião, é evidência científica.

Além do rastreamento, o médico lembra que hábitos saudáveis também têm peso na prevenção. Atividade física regular, controle do peso, alimentação equilibrada e menor consumo de álcool estão associados à redução do risco da doença. Não substituem o exame, mas ajudam.

Ele destaca ainda a importância de garantir início rápido do tratamento após o diagnóstico, conforme a lei dos 60 dias, que assegura ao paciente com câncer o começo da terapia no SUS em até dois meses. Para Giordano, cada mamografia realizada representa uma chance concreta de salvar vidas. Quando o câncer de mama é diagnosticado precocemente, as chances de cura podem chegar a 95%.

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