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Artes

Para falar por si nas telas, artistas ‘ganharam’ Campão Preto

Coletivo de cinema negro vai capacitar 12 jovens com mentoras de referência nacional

Por Aletheya Alves | 03/04/2024 07:13
Coletivo quer capacitar jovens negros para mudar cenário. (Foto: Leonardo Salles)
Coletivo quer capacitar jovens negros para mudar cenário. (Foto: Leonardo Salles)

Após criar o Aiê, coletivo de cinema negro, em 2021, a equipe quer criar novas garantias de que os artistas e profissionais vinculados ao audiovisual consigam falar por si mesmos nas telas. Por isso, reuniram uma equipe com nove profissionais para fundar o Campão Preto, o 1º laboratório de roteiro em Campo Grande.

Quando contou sobre o Aiê, o jornalista, diretor, roteirista e produtor de filmes Raylson Chaves introduziu que o coletivo era um espaço para discutir, “tomar porrada” e lutar juntos”. Agora, com o Campão Preto, mais uma luta foi conquistada.

Com inscrições abertas até o dia 8 de abril, o laboratório é composto por profissionais de Mato Grosso do Sul e outros, ou melhor, outras que se tornaram referência nacional como Francine Barbosa e Maíra Oliveira.

Explicando sobre o projeto que foi contemplado pela Lei Paulo Gustavo e que possui apoio do IFMS (Instituto Federal de Mato Grosso do Sul), o Campão Preto é voltado para a capacitação de cineastas negros em escrita cinematográfica para curtas-metragens.

“Seu objetivo é auxiliar os roteiristas na transição de ideias potentes para o papel e acentuar a importância das narrativas feitas por cineastas negros em Campo Grande”, descreve o projeto.

Contextualizando o cenário, o grupo apresenta que a ausência de capacitação e sub-representação das vozes negras no audiovisual é notória. Para tentar criar novos ambientes e formas de mudar a realidade, o projeto não é visto apenas como um laboratório, mas como uma homenagem a quem já lutou e continua lutando e resistindo.

Raylson Chaves, um dos organizadores, durante gravação. (Foto: Leonardo Salles)
Raylson Chaves, um dos organizadores, durante gravação. (Foto: Leonardo Salles)

“Percebemos a necessidade de criar um espaço no qual as vozes pudessem ser ouvidas e onde a população negra pudesse (re)imaginar sua cidade e (re)contar suas histórias. Queremos que a população negra de Campo Grande não apenas percorra a cidade pelas margens, dentro das linhas de ônibus ou nas periferias, mas que tenha o direito de pertencer e a possibilidade de contar suas histórias com o seu olhar (sic)”, descreve o projeto.

No laboratório, haverá oficina presencial nos dias 20 e 21 de abril contendo conceitos básicos de roteiro, exercícios individuais e coletivos para criação dos projetos de curta metragem dos participantes.

Entre 13 e 31 de maio será o momento de leitura e avaliação de roteiros, em que a monitoria avaliará cada um dos roteiros. Depois, haverá uma mentoria individual. Cada participante terá dois encontros em sessões de 30 minutos com a monitora para discutir e receber os feedbacks sobre seu roteiro.

Haverá também uma mesa redonda com roteiristas nacionais e locais para falar sobre suas experiências, além de uma mesa com representantes do movimento negro.

Para isso, o laboratório vai capacitar 12 jovens (entre 16 e 30 anos), assegurando que todas as vagas serão destinadas a pretos e pardos. Ao fim do laboratório, o objetivo é que pelo menos 5 roteiros tenham sido criados e desenvolvidos.

Sobre o grupo que integra o laboratório, Raylson Chaves está na direção geral, Leonardo Sales na produção, Yorrane Della Costa na assessoria de imprensa, Luciana Gonçalves no design, Kaíque Andrade no audiovisual, Agnes Viana como social media e Guilherme Ferreira na assistência de produção.

As mentoras são Francine Barbosa, que já trabalhou no desenvolvimento de obras seriadas como "A Revolta dos Malês" (SescTT), "Irmandade" (Netflix), "As Five" (Globoplay) e "Sentença" (Prime Video), e Maíra Oliveira. Maíra é roteirista, escritora e diretora, tendo como destaque projetos do Prime Video, Netflix, HBO, Paramount e Disney Plus

Em relação aos candidatos, não é necessário ter formação formal em cinema ou experiência prévia. “A variação nos níveis de conhecimento pode proporcionar uma troca enriquecedora e aprendizado mútuo entre os participantes. O foco são aqueles que desejam aprimorar suas habilidades, contar suas histórias a partir de suas vivências e almejam ter uma presença mais significativa no cenário audiovisual local”.

Das 12 vagas, três são reservadas para estudantes do IFMS e as oficinas presenciais serão realizadas em seu campus.

Para se inscrever, basta acessar o site campaopreto.com e mais informações podem ser acompanhadas no perfil do Instagram @campaopreto.

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