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Surto de chikungunya suspende aulas em escolas das aldeias em Dourados

Segundo líder indígena, o número de profissionais afastados inviabiliza o andamento das atividades escolares

Por Judson Marinho | 17/03/2026 16:43
Surto de chikungunya suspende aulas em escolas das aldeias em Dourados
Pacientes da comunidade indígena da aldeia Jaguapiru sendo atendidos em quadra de esportes (Foto: Cacique Vilmar Machado)

As aulas de quatro escolas localizadas na aldeia Jaguapiru, na reserva indígena de Dourados, foram suspensas devido ao surto de chikungunya que atinge a comunidade indígena. A medida passa a valer a partir desta terça-feira (18) e também deve alcançar unidades da aldeia Bororó.

RESUMO

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A suspensão das aulas em quatro escolas das aldeias Jaguapiru e Bororó, na reserva indígena de Dourados, foi decretada devido ao surto de chikungunya que afeta a comunidade. A medida ocorre após o afastamento de funcionários, inviabilizando o funcionamento das unidades. O cacique Vilmar Machado ressaltou a necessidade de ações urgentes das autoridades, destacando a falta de abastecimento de água como fator agravante para a proliferação do mosquito.Além da crise sanitária, a comunidade enfrenta a paralisação do transporte de saúde, comprometendo atendimentos básicos. Sem veículos, profissionais improvisam consultas em espaços comunitários. A situação já resultou em uma morte infantil e casos graves sem assistência adequada. A quebra de contrato entre o DSEI-MS e a empresa terceirizada agrava o cenário, sem previsão de solução. Autoridades ainda não se manifestaram sobre as demandas.

De acordo com o cacique da aldeia Jaguapiru, Vilmar Machado, a decisão foi tomada após o avanço da doença entre funcionários das escolas, o que comprometeu o funcionamento das unidades.

As atividades estão suspensas na Escola Municipal Francisco Meireles, Escola Municipal Indígena Ramão Martins, Escola Estadual Indígena Guateka Marçal de Souza e Escola Municipal Indígena Tengatiu Magangatu.

Segundo o líder indígena, o número de profissionais afastados inviabiliza a continuidade das aulas. Em uma das unidades, a Escola Estadual Indígena Guateka Marçal de Souza, mais de 20 funcionários estão de atestado médico por causa da doença.

“Amanhã todas as escolas da aldeia Jaguapiru vão estar com aulas suspensas por conta desses casos. O quadro de funcionários já está bem defasado, não dá para ter aulas”, afirmou.

O cacique também cobrou resposta das autoridades diante da situação. “A gente está aguardando a resposta dos governantes. Não sabemos o que fazer com tantos casos, a medida que tomamos foi paralisar as aulas”, disse.

Ainda conforme relato da liderança, um dos principais fatores para a proliferação do mosquito transmissor da chikungunya é a falta de abastecimento regular de água na comunidade. Sem fornecimento contínuo, famílias precisam armazenar água em recipientes improvisados, o que favorece a reprodução do mosquito.

“Quando não resolver o problema da água chegando na torneira da comunidade, o problema vai continuar. Os mosquitos estão se reproduzindo nessas caixas que ficam no chão”, explicou.

Equipes de saúde foram mobilizadas para atender a população. Há atuação de profissionais da Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai), do Hospital Universitário e apoio da Força Nacional do SUS, que deve reforçar os atendimentos na reserva.

Mato Grosso do Sul confirmou nesta terça-feira (17) a 4ª morte por chikungunya em 2026, todas registradas na Reserva Indígena de Dourados, conforme dados atualizados da Vigilância em Saúde e do Ministério da Saúde. A situação nas aldeias Jaguapiru e Bororó é considerada epidêmica diante do crescimento acelerado de casos nas últimas semanas.

Transporte de saúde parado - Além do surto de chikungunya, a comunidade indígena enfrenta outro problema que tem agravado o cenário: a paralisação do transporte de saúde.

A interrupção do serviço ocorreu após a quebra de contrato entre o DSEI-MS (Distrito Sanitário Especial Indígena) e a empresa terceirizada responsável pelos veículos. Com isso, pacientes e equipes médicas ficaram sem meios de locomoção dentro da reserva.

Sem transporte, atendimentos básicos têm sido comprometidos. Profissionais relatam dificuldades para chegar às unidades de saúde e realizar visitas domiciliares, especialmente para pacientes acamados ou que necessitam de acompanhamento contínuo.

Segundo um trabalhador da área da saúde na comunidade, que preferiu não se identificar, a situação tem agravado casos da doença. Há registro de uma morte de um bebê de três meses, além de diversos casos confirmados e suspeitos.

“Estamos sem condução para atendimentos básicos, o que tem agravado muito vários casos por falta de assistência médica”, relatou.

Atualmente, equipes de saúde dependem de caronas ou veículos cedidos por terceiros para conseguir se deslocar. Pacientes também têm enfrentado dificuldades, inclusive aqueles que necessitam de tratamento contínuo, como hemodiálise.

Sem os veículos, atendimentos têm sido realizados de forma improvisada, inclusive em espaços comunitários, como quadras.

Até o momento, não há previsão para a normalização do serviço. A quebra de contrato gerou troca de acusações entre o DSEI-MS e a empresa terceirizada Cunha, que alega falta de pagamento desde o ano passado.

Já o órgão federal ainda não apresentou uma solução definitiva para o problema, o que tem gerado preocupação entre os moradores da região.

A reportagem do Campo Grande News entrou em contato com o DSEI-MS e com a prefeitura de Dourados sobre a situação grave da saúde indígena na reserva; até o momento, os órgãos públicos não responderam aos questionamentos encaminhados.