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Artes

Ton é o jogador de volêi e desenhista autodidada que sonha ir ao Japão

Nos desenhos hiper-realistas, o jovem se encontrou; agora, sonha cada vez mais realizar um desejo de criança

Por Raul Delvizio | 11/04/2021 09:08
Welliton é o desenhista autodidata que sonha em ir ao Japão viver da atividade (Foto: Arquivo Pessoal)
Welliton é o desenhista autodidata que sonha em ir ao Japão viver da atividade (Foto: Arquivo Pessoal)

Desde que era pequeno, Welliton da Cruz Morikawa, 29 anos, sempre imaginou crescer e virar um desenhista profissional. A vida pode até não ter se encaminhado para isso, mesmo assim os desenhos à mão – hiper-realistas, no caso – o acompanharam. Jogador de vôlei apaixonado pelo esporte e auxiliar estoquista enquanto atividade profissional, ele nunca desistiu de algum dia ver o talento natural lhe dar asas e embarcar em uma aventura do outro lado do mundo.

"Sempre sonhei viver só do desenho. Quem sabe, na minha vontade de algum dia ir ao Japão, trabalhar e morar por lá, e ainda possa fazer isso. Quem sabe consigo fazer algum curso profissionalizante e me aperfeiçoar, afinal os japoneses tem o desenho em alta consideração. É só pensar no anime, por exemplo. Talvez isso seja o início do sonho em si. Veremos!", torce.

Desenho que fez do personagem xerife Woody, da série de filmes animados "Toy Story" (Foto: Arquivo Pessoal)
Desenho que fez do personagem xerife Woody, da série de filmes animados "Toy Story" (Foto: Arquivo Pessoal)

Desde que se entende por gente, Welliton já gostava de desenhar e tinha jeito para isso. Na creche, se destacava entre os pequenos por colorir bem, preenchendo a ilustração na folha de papel sem escapar da margem. Já com 7 anos, usava o lápis escolar para soltar a imaginação. Com a prática, foi desenvolvendo a técnica.

"Me considero autodidata pelo fato de ter facilidade em aprender coisas relacionadas ao desenho e pintura pintura sem sequer ter feito curso. O máximo que fiz nesse meio tempo, além de contar com meu esforço, foi assistir alguns vídeos no YouTube. Mas de resto, sempre fiz tudo sozinho mesmo", explica.

Da imagem digital para o papel, Welliton se arrisca nas linhas do rosto da cantora Ariana Grande (Foto: Arquivo Pessoal)
Da imagem digital para o papel, Welliton se arrisca nas linhas do rosto da cantora Ariana Grande (Foto: Arquivo Pessoal)
Aqui resultado final do desenho acima, feitão à mão com lápis e colorido no papel (Foto: Arquivo Pessoal)
Aqui resultado final do desenho acima, feitão à mão com lápis e colorido no papel (Foto: Arquivo Pessoal)

No início, Welliton desenhava personagens de animes e também de jogos de videogame. Mais recentemente, vem praticado o realismo colorido, além do croqui à mão – e com esmero. "Eu não tenho muita preferência, às vezes tenho vontade de fazer uma coisa, outro dia já faço outra. Gosto mesmo é de desenhar!", confessa.

Além da arte, Welliton divide no coração uma outra paixão: o vôlei. "O esporte está na minha vida desde 2016 e, diferente do desenho, hoje em dia nem posso mais brincar. Afinal, o tempo passa, tenho que arcar com responsabilidades no trabalho, e isso sem falar da pandemia em si", diz.

Porém, foi graças ao vôlei que alguns de seus desenhos fizeram sucesso, o que ele explica: "eu já fiz para alguns jogadores profissionais, como o Ricardo Lucarelli e o levantador William, que me presentearam com camisas autografadas, acessórios e etc., o que guardo com maior carinho", conta.

Desenho do jogador de vôlei Wallace Souza (Foto: Arquivo Pessoal)
Desenho do jogador de vôlei Wallace Souza (Foto: Arquivo Pessoal)
Aqui, atleta bi-campeão olímpica Fabiana Claudino em desenho feito por Welliton (Foto: Arquivo Pessoal)
Aqui, atleta bi-campeão olímpica Fabiana Claudino em desenho feito por Welliton (Foto: Arquivo Pessoal)

Por mais que seja apaixonado pela arte, Welliton deixou o desenho de lado durante a adolescência e voltou a praticá-lo a partir do ano de 2013. Foi aí que descobrir o hiper-realismo. "Antes eu não sabia que existia materiais próprios, eu usava apenas lápis de escola e os desenhos ficavam horríveis, mas a prática leva mesmo a perfeição", opina. "Dependendo da minha vontade, concluo desenhos em um dia, com pintura e tudo. Outros, entretanto, já levaram de semanas a meses", relata.

Já tem algum tempo que o desenho digital também entrou na jogada, onde desenha drag queens, celebridades, personagens que gosta e mais. "Foi algo revolucionário porque pelo aplicativo a gente tem praticamente tudo à mão. Mas no final, nada é muito diferente do que faço no papel, tirando o fato de poder criar fundos elaborados e alterar certos elementos com facilidade".

À mão, ele também brinca na arte drag de desenhos imaginados (Foto: Arquivo Pessoal)
À mão, ele também brinca na arte drag de desenhos imaginados (Foto: Arquivo Pessoal)

Welliton afirma que já vendeu alguns desenhos, porém o mercado é ingrato na sua opinião. "As pessoas não dão o valor que o artista merece. Não sabem o trabalhão que dá ficar horas com a cara no papel fazendo traços, detalhes e todo o sombreamento. Daí quando pedem o orçamento acabam desistindo por achar caro demais. Ou pior, por achar que não vale a pena. Essa área é bem menosprezada", lamenta.

Por isso mesmo é que o rapaz tem o interesse de ir algum dia morar no Japão. "Sinto que lá vou poder me expressar de forma mais qualificada. Fazer do desenho enquanto profissão, o sonho desde que era pequeno. Para isso quero fazer cursos e acrescentar mais ao meu currículo. Mesmo com a pandemia ainda em curso, ando entusiasmado com a ideia", finaliza.

Você pode conferir mais desenhos de Welliton pelo seu perfil no Instagram.

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Auto-retrato de Welliton enquanto personagem de desenho anime (Foto: Arquivo Pessoal)
Auto-retrato de Welliton enquanto personagem de desenho anime (Foto: Arquivo Pessoal)
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