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Campo Grande, Terça-feira, 24 de Setembro de 2019

05/09/2019 07:45

“Não troco os 40 anos pela menina de 20 que só sabia se esconder”, diz Denise

Depois de uma vida escondendo o próprio corpo por ser uma mulher “fora dos padrões” , ela resolveu jogar a toalha e ser feliz

Thailla Torres
Foto de Denise só de calcinha foi uma libertação para quem sempre escondeu o corpo. (Foto: Arquivo Pessoal)Foto de Denise só de calcinha foi uma libertação para quem sempre escondeu o corpo. (Foto: Arquivo Pessoal)

Aos 40 anos, ter coragem de mostrar o bumbum numa fotografia foi de longe sinônimo de liberdade para a arquiteta Denise Cruz. Depois de uma vida escondendo o próprio corpo por ser uma mulher “fora dos padrões” por causa do peso, ela resolveu jogar a toalha para o alto e ser feliz. Se pesar menos é etiqueta para usar a barriguinha de fora, ela não está nem aí.

Para a arquiteta, a gordurinha deixou de ser um “problema”. É claro que ela sabe dos excessos que colocam a vida em risco, por isso, inclui na rotina acompanhamento médico, pedalada e academia, mas disse não para o martírio de jejuns intermitentes e a obrigação de caber numa calça 38.

“Sempre fui gordinha, fora dos padrões, com perna grossa, bumbum grande e peitão. Consequência disso é que minha adolescência foi dentro de calça jeans e camisetas largas. Depois que tive a minha filha, aos 16 anos, engordei mais ainda. As temidas estrias surgiram, biquíni nunca mais vi. O que mais temia era que as pessoas vissem o meu corpo”.

Foram anos sem posar com naturalidade para uma foto. Se fosse necessário, Denise se escondia atrás de alguém para não ficar em destaque. O medo de ser julgada era enorme e no guarda-roupa só havia peças longas, nem no calor ela se permitia usar um short mais fresco. “Fiquei anos sem usar uma roupa da moda para não mostrar o corpo. Via uma blusa linda e pensava que ela mostrava a barriga, por isso, não era permitido pra mim”.

O tempo passou e Denise só se deu conta disso aos 39 anos. “O start foi quando fui fazer a última progressiva no meu cabelo. Era tanto produto que não conseguia abrir o meu olho e percebi o mal que estava fazendo, não só para o meu cabelo, mas pra mim, por não aceitar nem o meu corpo”.

 

Hoje, ela não tem medo de usar vestido justo. Hoje, ela não tem medo de usar vestido justo.
Denise não deixa de tirar fotos. Denise não deixa de tirar fotos.

Para entrar nos padrões, Denise já foi aquelas que tentou de tudo. Fez dieta maluca, passava horas sem comer, acreditando que emagreceria, e sonhava com a bariátrica. Mas no último ano decidiu mesmo se aceitar. “Passei a me preocupar mesmo só com a saúde, principalmente, a emocional, e voltar a viver”.

Se alguém abrir o guarda-roupa de Denise hoje vai encontrar coleções de croppeds, blusas decotadas, transparentes, vestidos justos e saias. “Se eu acho bonito, compro e uso sem medo”.

A coragem foi tão alta que há poucos dias ela surpreendeu os amigos nas redes sociais com uma foto só de calcinha, próxima à janela, no estilo da cena que bombou anos atrás, com a atriz Paola Oliveira.

Denise até brincou com a cena da atriz na descrição da imagem, mas os amigos aplaudiram mesmo foi a coragem que ela teve se soltar após tanto tempo. “Adoro tirar fotos minhas. Hoje não ligo se vai aparecer minhas gordurinhas e minhas marcas, afinal, ela estão ali e vão permanecer. Se quero uma foto minha, vai ter foto com estria e tudo”.

A foto também mostrou à arquiteta que há uma longa caminhada contra os padrões. “A foto foi a mais comentada. Várias mulheres me elogiaram, mas muitas desabafaram que não têm a mesma coragem. E não foram só mulheres da minha idade, duas adolescentes também narraram o medo de tirar medo por se sentirem fora do “padrão” da sociedade”.

Hoje, Denise diz que está pronta para chegar aos 50, 60, com tranquilidade, mas sem envelhecer, considerando o sentido tão difundido por aí sobre o que é ser velho. “Sou uma quarentona preparada. Não troco a Denise de 40, pela Denise de 20, que só sabia se esconder. E falo com orgulho. A diferença está em envelhecer com bom humor, vontade de viver e respeito. Acho balela parecer mais jovem, porque já sou daquelas que chega na balada e procura lugar para sentar, durmo às 20h, troco o fervo para ficar em casa com amigos tomando cerveja ou vinho e também sou rabugenta às vezes, mas isso não te envelhece. O que envelhece é deixar de ser feliz”.

Apesar de viver bem aos 40, ela acha que ainda há tempo de aconselhar as meninas de 20. “Se eu tivesse me descoberto mais nova, quando entrei na faculdade, teria sido tão bom. Sei que eu teria vivido plenamente, aproveitado mais a praia, o sol, a moda que eu sempre goste e não apenas meus jeans. Quero mesmo é que as pessoas demorem menos tempo para ser feliz com o corpo e com a alma”.

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