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Diversão

Há quase 10 anos, Gabriel reúne uma galera para assistir ao Super Bowl

Cansado de gritar sozinho, ele convocou amigos e familiares para ver a competição com um bingo “diferentão”

Por Natália Olliver | 10/02/2026 07:18
Há quase 10 anos, Gabriel reúne uma galera para assistir ao Super Bowl
Gabriel Rodrigues Batista é apaixonado por futebol americano desde os 13 anos (Foto: Arquivo pessoal)

Quem acha que o futebol americano não tem muitos torcedores por aqui está muito enganado. Só no grupo do engenheiro Gabriel Rodrigues Batista tem quase 40 pessoas que se reúnem religiosamente há quase 10 anos para assistir ao Super Bowl, evento mais importante do esporte. Para quem não está nem aí com a paçoca, a data é praticamente a Copa do Mundo para os brasileiros ou a final da Champions League para os europeus.

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O engenheiro Gabriel Rodrigues Batista mantém uma tradição de 10 anos reunindo cerca de 40 pessoas para assistir ao Super Bowl, principal evento do futebol americano. Os encontros incluem comidas, bingo com acontecimentos do jogo e apostas sobre o time vencedor. A paixão pelo esporte começou aos 13 anos, quando Gabriel se interessou pela complexidade e regras do jogo. Apesar do inicial preconceito familiar, hoje seus amigos e parentes compartilham do mesmo entusiasmo. Em 2025, ele teve a oportunidade de assistir a uma partida da liga no Brasil, país que se destaca como um dos maiores consumidores do esporte fora dos Estados Unidos.

Na casa de Gabriel, de 30 anos, os amigos fazem questão de estarem juntos em um momento que, para ele, é tão significativo. Além da comilança, ainda tem um bingo “diferentão” e apostas de qual time vai ganhar a partida final. Em 2026, os Seahawks venceram os Patriots por 29 a 13 e conquistaram o título. Por lá, os palpites foram, em maioria, de que o time ganhador de fato sairia com a taça.

Há quase 10 anos, Gabriel reúne uma galera para assistir ao Super Bowl
Há quase 10 anos, Gabriel reúne uma galera para assistir ao Super Bowl
Primeiro encontro de amigos para ver o Super Bowl em 2017 e último, neste ano (Foto: Arquivo pessoal)

A relação com o esporte começou aos 13 anos. Gabriel conta que, por muito tempo, quase ninguém ao redor dele levava a sério. A curiosidade veio primeiro. O jogo chamou atenção não pela pancadaria que muitos imaginam, mas justamente pelo contrário. Pela complexidade, pelas regras, pela lógica diferente de quase tudo que se consome no esporte brasileiro. Ainda assim, o preconceito era constante.

Para muita gente, inclusive dentro da própria família, aquilo não passava de violência sem sentido. Ou seja, o resultado era sempre o mesmo: ele assistia sozinho.

Demorou muito tempo para o esporte ter alguma visibilidade aqui no Brasil, então era muito difícil encontrar pessoas que gostavam. Porém, conforme os anos se passaram, eu fui passando a conhecer pessoas que gostavam também, até que chegou a um ponto em que eu pensei: “Por que não fazer um evento para assistir todo mundo junto?”. “Eu sempre achei incrível esse aspecto do esporte de inspirar as pessoas, então o meu desejo era que pessoas que não conhecessem o esporte sentissem esse mesmo sentimento que eu”.

“O investimento” foi certeiro. Amigos e familiares que antes torciam o nariz hoje acompanham o futebol americano com o mesmo entusiasmo. Para Gabriel, essa mudança é uma das maiores alegrias.

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Gabriel durante um jogo da liga no Brasil (Foto: Arquivo pessoal)

“Felizmente, ao longo desses anos, eu despertei a paixão pelo esporte em muitas pessoas e hoje eles gostam tanto quanto eu. Por ser um esporte muito diferente, as pessoas geralmente têm muito preconceito, acham que é só pancadaria, assim como o formato do jogo causa estranheza. A minha família, acho que por muito tempo, viu dessa maneira”.

Neste ano, ele assistiu ao seu 18º Super Bowl, e o show do intervalo dessa vez ficou marcado. Gabriel é direto ao dizer que não se recorda de outro tão impactante quanto a apresentação do cantor Bad Bunny.

“O contexto em que esse show aconteceu e, principalmente, a representatividade para nós, latinos, foi algo que não dá para colocar em muitas palavras. Eu não conhecia muito a obra dele e simplesmente achei o show incrível. Extremamente necessário. Não só eu, mas eu acho que foi uma unanimidade em nossa festa”.

Gabriel explica que o nome do grupo foi batizado de Tigers, mas que não tem relação direta com o jogo norte-americano, e sim uma referência a um apelido de infância que ele tem.

“Por muitos anos, eu alugava locais para a gente assistir, mas neste último ano a gente voltou a fazer aqui em casa, e a chuva acabou atrapalhando um pouco a noite. O bingo foi uma ideia que eu tive há uns cinco anos para deixar o jogo um pouco mais divertido. Ao invés dos números convencionais do bingo, eu monto cartelas diferentes que têm os possíveis acontecimentos do jogo. É um dos grandes atrativos da noite”.

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Ele explica que a proposta funciona como um bingo temático, onde os números tradicionais são substituídos por possíveis acontecimentos do jogo e do show.

Antes do evento, são definidos cenários baseados em simulações, estatísticas ou previsões, como: qual time fará o primeiro touchdown, se a pontuação será par ou ímpar, quem cometerá a primeira infração ou até detalhes do espetáculo musical.  "Conforme as coisas vão acontecendo você vai marcando os quadradinhos (como no bingo mesmo). Ai ganha quem tiver mais quadradinhos preenchidos".

Em 2025, Gabriel conseguiu ir a um jogo da liga no Brasil. Nesse momento, ele agradece pelo esporte ter crescido no país e se tornado mais popular.

“Nos últimos anos, teve um crescimento muito grande de popularidade no Brasil, tanto que a maior liga do mundo mandou dois jogos para cá. Nos mercados dos Estados Unidos, o Brasil é um dos países que mais consome futebol americano, então, felizmente, eu acho que cada vez mais o esporte vai ser disseminado por aqui”.

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