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Comportamento

A "trollagem" da cama no bairro Nova Campo Grande precisa parar!

O bairro Nova Campo Grande está em polvorosa com a suposta cama furtada na Rua Noventa, não acreditem, sei do que falo

Por Lucas Mamédio e Paula Maciulevicius Brasil | 27/05/2020 12:20
Postagem de Eliel relatando o suposto furto (Foto: Reprodução Facebook)
Postagem de Eliel relatando o suposto furto (Foto: Reprodução Facebook)

A trollagem da cama roubada no bairro Nova Campo Grande tem que parar! Mano, tem uns caras que são muito sacanas. É uma criatividade danada só para te fazer de otário. Vou contar uma historinha e vocês vão entender, até o Lado B se ferrou nessa.

Um parceiro chamado Eliel Mattos postou no Facebook no último dia 23 a seguinte mensagem. “Quem for da Nova Campo Grande e passou na Rua Noventa e pegou uma cama box que estava lá fora, por favor devolvam, só coloquei pra secar... e quem puder dá UP aí pra ajudar”.

O sangue até sobe escrevendo, cara. Eis que o jornalista que vos escreve recebe a postagem e resolve ir atrás da curiosa história, para dizer o mínimo, de um cara que tirou uma cama inteira pra fora de casa para secar. Fiz stories, falei para colegas que iria escrever uma matéria sobre o assunto. A história é um absurdo, mas é engraçada e trágica, por isso é boa.

Só foi mais trágico para mim e mais engraçado para quem viu minha cara de tacho ao descobrir que tudo não passou de uma brincadeira do Eliel, de uma trollagem. Eu já estava lá, já estava na rua, tinha percorrido mais de 10 casas perguntando por Eliel.

Mas como acho que Deus já tinha rido o suficiente da minha cara, ele resolveu tocar no coração de Eliel, que respondeu a mensagem no Facebook que tinha mandado para ele.

Eliel respondendo que tudo não passou de uma brincadeira (Foto: Reprodução Facebook)
Eliel respondendo que tudo não passou de uma brincadeira (Foto: Reprodução Facebook)

“Meu amigo desculpa, eu não sabia que ia dar essa repercussão toda, fiz o post de brincadeira. Na verdade eu tinha colocado mesmo uma cama pra fora e um carroceiro levou, aí fiz a brincadeira, não é verdade, inclusive vou até apagar”, me respondeu.

Chega gelou a espinha de constrangimento e uma enorme vontade chamá-lo de anjo, bom moço e traquinas. Porém, Eliel não apagou o post não, amigos. Me enganou mais uma  vez. Inclusive já conta com mais de mil compartilhamentos, cerca de 160 comentários e 250 curtidas.

Muita gente dando UP para a postagem não sair do feed. Pelo menos eles só teclaram duas letras. Não gastaram meia hora de carro e mais meia andando para descobrir que foi feito de besta.

Todo esse trabalho aí que o Lado B teve faz parte do princípio básico do jornalismo: de apurar um fato que surgiu das redes sociais. Aí, para os que perguntam: mas isso é matéria? Meu amigo, quem responde é o jornalista Victor Barone, que em 2016 concluiu o mestrado em Comunicação pela UFMS com o tema: "O uso das redes sociais como repositório de fontes (especialmente as fontes não oficiais) e pautas no Jornalismo".

Outro usuário copiando a mesma postagem de Eliel como se você dele (Foto: Reprodução Facebook)
Outro usuário copiando a mesma postagem de Eliel como se você dele (Foto: Reprodução Facebook)

"A rede social não é fonte, é um repositório de fonte. A partir da rede social você pode alavancar uma pauta e também fontes e contactá-las e utilizá-las". Então, o primeiro passo foi dado: a gente achou a pauta nas redes sociais. Agora vem o segundo: o papel do jornalista.

"Apesar de você encontrar na rede social fontes e pautas, cabe a você enquanto profissional efetuar a checagem, e isso acontece tanto no mundo físico quanto no virtual. A gente teve durante muitas décadas o papel do gatekeeper, de filtrar o que é notícia ou não para posterior publicação. Hoje o papel do jornalista é de gatewatcher, aquele profissional da comunicação que vai validar as informações, que vai dizer se isso é fato e não fake".

Ou seja, na avaliação de Barone, o jornalista perdeu a prerrogativa de dizer o que é ou não notícia. Esse papel nos foi tomado pelas redes sociais, e o nosso agora é de ser o "validador da informação", o que tem muito a ver com este nosso caso da cama box na Rua Noventa.

Fomos atrás e vimos que o que está sendo disseminado é fake. E sabe o Eliel? Pois bem, fez escola rapidamente. Já tem gente copiando a postagem e colocando em seus perfis pessoais como se tivesse acontecido com ele. Por isso, digo mais uma vez: a trollagem da cama roubada no bairro Nova Campo Grande tem que parar!

Curta o Lado B no Facebook e no Instagram. Tem uma pauta bacana para sugerir? Mande pelas redes sociais, e-mail: ladob@news.com.br ou no Direto das Ruas através do WhatsApp do Campo Grande News (67) 99669-9563.