Advogada nasceu com ossos frágeis e hoje enfrenta o mundo sem medo
Após vencer o medo da exposição, Paula mostra que é possível viver com leveza
Aos 36 anos, a advogada Paula Teodoro aprendeu desde o primeiro dia de vida a lidar com desafios que muita gente nem imagina. Ela nasceu com osteogênese imperfeita, uma deficiência rara que provoca fragilidade nos ossos, popularmente chamada de "doença dos ossos de vidro". Ainda recém-nascida, vieram as primeiras fraturas, no fêmur e no braço, e o diagnóstico que a acompanharia para sempre.
Mas, para Paula, isso nunca foi motivo para parar. Sem grandes rupturas ou momentos de revolta, a convivência com a deficiência aconteceu de forma natural. Na infância, ela foi aprendendo, pouco a pouco, os próprios limites e cuidados necessários. Em casa e na escola, a adaptação veio no dia a dia, sem rótulos ou dramatizações. “Eu sei que ela existe, mas vou vivendo”, resume.
Comunicativa e dedicada aos estudos, ela seguiu um caminho sólido. Entrou cedo na escola, se formou em Direito ainda jovem e hoje atua como advogada ao lado da família.

Paula conta que a rotina inclui trabalho, treinos na academia, pilates e uma vida ativa, como qualquer outra pessoa. A diferença aparece apenas em situações específicas, quando é preciso evitar riscos. “Às vezes eu lembro quando penso: isso aqui é perigoso. Mas no geral, eu vou vivendo”, detalha.
E foi justamente essa forma leve de encarar a vida que começou a chamar atenção de quem estava por perto.
Durante anos, amigos e familiares insistiram para que Paula compartilhasse sua história. Ela resistiu por receio da exposição, mantinha as redes sociais fechadas e preferia manter a vida no privado. Até que a pandemia mudou tudo.
Após ser internada em estado grave por Covid-19, Paula passou por um período de reflexão. No hospital, fez a promessa de que, se tivesse uma nova chance, iria usar a própria história para impactar outras pessoas.
Meses depois, a advogada decidiu abrir o Instagram e começou a dividir a rotina e o dia a dia de viver com uma deficiência. Sem filtros ou idealizações, passou a mostrar desde momentos simples até reflexões profundas sobre vida, limites e superação. A ideia nunca foi criar uma imagem perfeita, mas real. “Eu amo viver. E quero mostrar isso para as pessoas”, comenta.
Mesmo com pouco tempo de exposição, o alcance surpreende. Vídeos com relatos sinceros e até orientações práticas , como ajudar uma pessoa cadeirante em situações do cotidiano, já somam milhares de visualizações. Para ela, além dos números, o que realmente importa são as conexões criadas. “Hoje eu entendo o tamanho da responsabilidade e vejo isso como uma oportunidade”, relata.

Em meio a uma internet muitas vezes marcada por aparências, Paula escolheu o caminho da verdade. Sem ostentação, sem exageros, apenas mostrando que é possível viver bem, mesmo com limitações.
Nas redes e fora delas, Paula prova que a deficiência não define quem ela é. É só uma parte da história. “É justamente isso que eu quero que as pessoas entendam. Não desistam. A vida não é fácil para ninguém, mas a gente precisa lutar pela nossa felicidade”, finaliza.
Acompanhe o Lado B no Instagram @ladobcgoficial, Facebook e Twitter. Tem pauta para sugerir? Mande nas redes sociais ou no Direto das Ruas através do WhatsApp (67) 99669-9563 (chame aqui).
Receba as principais notícias do Estado pelo Whats. Clique aqui para entrar na lista VIP do Campo Grande News.


