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Campo Grande, Sexta-feira, 23 de Agosto de 2019

29/06/2019 08:00

Aos 92 anos, Fortunato é feliz vendendo roupas de brechó em seu carro

Motorista antigo, ele comemora ter conseguido renovar a carteira de habilitação até 2021 para continuar trabalhando.

Thailla Torres
Seu Fortunato vende roupa usada e acessórios pela cidade em seu carro. (Foto: Thailla Torres)Seu Fortunato vende roupa usada e acessórios pela cidade em seu carro. (Foto: Thailla Torres)

Entre o cafezinho e o jornal, o senhor simpático de óculos desafia a família e o próprio tempo. Pai e avô, seu Fortunato de Assunção Loureiro Filho renovou a carteira de habilitação há poucos dias, aos 92 anos, mesmo contra a vontade dos filhos, só para não deixar de trabalhar com seu brechó ambulante.

Nascido em Bonito, o talento para o trabalho veio do pai, lembra. “Comecei cedo, ainda criança, lembro que já pegava o Fordinho do papai. Mas brinco que comecei a trabalhar antes de nascer, por isso, não consigo ficar parado nos dias de hoje”, explica.

Os filhos se preocupam, segundo ele, por causa da idade. “Eles dizem que eu não preciso trabalhar, mas se eu ficar em casa a perna enferruja, corro o risco de ficar doente”. Ele garante que não se deixa abater pelos desafios, por isso, vê alegria no passar dos anos. “Me sinto experiente com a minha idade, mas não me sinto velho”.

Mas nem adiante pedir endereço, ele prefere aparecer de surpresa. (Foto: Thailla Torres)Mas nem adiante pedir endereço, ele prefere aparecer de surpresa. (Foto: Thailla Torres)

O único medo sentido com a idade foi de não renovar a habilitação. “Confesso que achei que eles não me aceitariam, mas eu consegui. Estou com todos os meus documentos em dia, até 2021”.

A nova habilitação garante a Fortunado continuar como vendedor pela cidade. “Ando por aí vendendo de cadeado a motor. Também tenho muitas peças usadas, todas em ótimo estado, com os melhores preços”, diz.

De fato, Fortunato vende de tudo um pouco e com preços bem camaradas. Tem calça de R$ 5,00, blusa de R$ 1,00, touca de R$ 3,00 e casacos de R$ 10,00, além de boné, guarda-chuva, cadeado, chapéu e roupa de dormir.

Mas não adianta pedir o endereço, o brechózeiro diz que só trabalha para se manter vivo, por isso, não quer lotação na porta do carro. “Eu ando por aí sem rota certa. Quando vejo um grupo de pessoas, paro, e ofereço minhas peças, não viso lucro. Às vezes, chego a doar uma roupa quando percebo que a pessoa não tem condições”.

Ele diz que trabalha para se sentir vivo, não visa lucro. (Foto: Thailla Torres)Ele diz que trabalha para se sentir vivo, não visa lucro. (Foto: Thailla Torres)

A rotina começa todos os dias às 5h, lembra. “Faço meu café, limpo o quintal, dou comida para a cachorrinha e vou assistir o jornal. Depois de ficar horrorizado com as notícias, vou trabalhar para me sentir bem e levar coisas boas às pessoas”.

A única dificuldade, segundo ele, é com o trânsito. “Infelizmente tem pessoas muito mal-educadas que não respeitam a velocidade. Elas buzinam por eu andar na velocidade da via. No meu tempo o compromisso era no fio do bigode, hoje em dia, tem que multar mesmo porque só assim para as pessoas entenderem que não podem andar errado”.

Sobre envelhecer, Fortunato diz que é uma coisa natural da vida, mas não aceita viver menos que 150 anos. “Quero e vou viver muito. Tenho receita pra isso. Basta ter fé no espírito santo, ler muito, ir ao médico e continuar trabalhando. E olha que posso conseguir, hein”, diz rindo.

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