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Sabor

Sonho ficou anos na cozinha de casa até Lídia começar a lucrar aos 68

Aos 68, Lídia transforma paixão pela cozinha em produção artesanal feita à mão

Por Clayton Neves | 22/09/2026 07:37
Sonho ficou anos na cozinha de casa até Lídia começar a lucrar aos 68
Mãe e filha dividem tarefas na cozinha e testam novas receitas para os eventos. (Foto: Luiz Donizete)

Aos 68 anos, Lídia Nunes Ferreira de Almeida finalmente começou a tirar do papel um sonho que carregou durante boa parte da vida. Apaixonada por cozinha e acostumada a preparar bolos, salgados, doces e pães para a família, ela sempre imaginou ter um espaço onde pudesse vender o que fazia. O que faltava, segundo a filha, era alguém que acreditasse que aquilo poderia dar certo.

Hoje, mãe e filha dividem a produção artesanal e participam de eventos para vender os produtos feitos por Lídia. Tudo começa pelas mãos dela, que ainda trabalha fora durante a semana e, quando tem encomendas ou eventos, encara a cozinha para preparar as massas.

“Eu sempre fui assim, eu fazia para casa. Para casa, sempre eu fiz. E daí surgiu com o tempo comecei a fazer para fora”, conta Lídia.

Toda segunda-feira, em uma feira na Rua Sunko Yonamine, no Bairro Coronel Antonino, ela monta uma mesa com variedade de produtos que mostram um pouco do talento que a família conhece há anos. Tem esfiha de carne, pão italiano recheado com presunto e muçarela, pão caseiro tradicional, rosquinha de leite Ninho, biscoito amanteigado simples e com goiabada.

“Eu gosto muito de fazer. Eu gosto de cozinhar”, diz Lídia, que aprendeu tudo na prática, segundo ela, “com a força de vontade”.

Sonho ficou anos na cozinha de casa até Lídia começar a lucrar aos 68
Pão caseiro é um dos produtos que mais fazem sucesso nas vendas. (Foto: Luiz Donizete)

O talento, porém, nunca tinha virado uma atividade de venda de forma mais frequente. Lídia conta que sempre fez comida para a família e também preparava bolos para aniversários e outras ocasiões. Antes disso, chegou a ter uma sorveteria e também vendeu sorvete caseiro em casa.

Foi justamente acompanhando essa história que a filha, Ana Paula Ferreira de Almeida, percebeu que havia ali um sonho que merecia uma oportunidade. “Eu cresci com essa mulher, com essa mão de fada”, conta Ana Paula.

Segundo ela, desde criança via a mãe transformar poucos ingredientes em comidas cheias de sabor. “Ela sempre fez uma comida maravilhosa, seja pouquinho, seja bastante, sempre com muito sabor, que não deixa a desejar”, lembra.

Para Ana Paula, o problema nunca foi falta de talento, mas de incentivo. “E nunca teve incentivo. Meu pai nunca viu esse potencial, nunca incentivou para falar assim: ‘Não, vamos tentar isso aqui’”, conta.

Mesmo assim, Lídia continuou fazendo. E continuou falando sobre a vontade de ter um espaço para vender suas receitas. “Eu sempre ouvi ela dizer: ‘Ah, queria tanto ter um espaço, queria tanto poder fazer as coisas para vender’, porque para ela isso é terapêutico”, explica Ana Paula.

Sonho ficou anos na cozinha de casa até Lídia começar a lucrar aos 68
Aos 68 anos, Lídia coloca a mão na massa para preparar os pães e outras receitas artesanais. (Foto: Luiz Donizete)

A mudança começou quando surgiu uma oportunidade em um evento realizado à noite no condomínio onde Ana Paula mora. Na época, os moradores comentaram que estava faltando pão caseiro.

Ana Paula estava na casa da mãe quando teve a ideia. “Eu falei assim, e aí, mãe, tá a fim, topa? Se a senhora topar, eu estou junto com a senhora. Para o que der e vier, a gente vai lá para expor e vamos vender o que a senhora faz, que é muito gostoso”, lembra.

Foi assim que as duas começaram. Primeiro, apenas com o pão caseiro. Depois, vieram outros produtos.

Aos poucos, entraram no cardápio o pão italiano recheado, a fatia húngara, biscoitinhos e outros produtos. Algumas receitas não tiveram a saída esperada e acabaram sendo deixadas de lado. Outras ganharam espaço.

O pão caseiro, por exemplo, virou um dos queridinhos. Segundo Lídia, dificilmente sobra produto.

Enquanto Lídia concentra a produção dos pães e demais receitas, Ana Paula ajuda a pensar nos próximos passos. As duas trocam receitas, testam novidades e acompanham o que pode funcionar melhor.

“Se eu tô no Instagram, a gente fica trocando receita. A gente vai marcando uma a outra para não esquecer daquela receitinha em específico. Quando ela não pode, quem vai, coloca a mão na massa sou eu. Então, assim, é uma troca”, afirma Ana Paula.

Sonho ficou anos na cozinha de casa até Lídia começar a lucrar aos 68
Ana Paula incentiva a mãe e ajuda a transformar o antigo sonho em uma nova oportunidade. (Foto: Luiz Donizete)

A relação também ganhou um novo significado com essa fase. Mais do que uma parceria para vender comida, Ana Paula vê no projeto uma forma de ajudar Lídia a conquistar algo que ela desejou durante anos.

“É uma forma de eu ajudar ela a tentar conquistar um sonho que ela sempre teve e que ela não via como fazer isso acontecer”, afirma.

Hoje, as duas ainda conciliam a produção com outras atribuições e não vivem exclusivamente da venda dos alimentos. Por isso, os eventos são escolhidos com cuidado. O trabalho também é pesado, já que tudo é feito de maneira artesanal.

“É um produto artesanal. O pão foi feito tudo hoje. É tudo do dia, tudo fresco”, explica Ana Paula.

Para Lídia, que continua trabalhando de segunda a sexta no período da manhã, a cozinha segue sendo uma forma de se manter ativa. “Eu não sou de parar. Sempre em movimento. Então é assim, sempre procurando algo para estar fazendo”, afirma.

Mãe e filha estão às segundas na feira da Rua Sunko Yonamine e, aos sábados, na feira do Oscar Salazar, na Rua Francisco Pereira Coutinho. O telefone para contato é o (67) 99238-0838.

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