Petróleo e estrada de ferro: o tratado que uniu o Brasil à Bolívia
A locomotiva levou muito tempo para silvar no calcário corumbaense. Estancou em Porto Esperança e por lá ficou. O sonho distava ainda mais de levar os trilhos de Corumbá a Santa Cruz de la Sierra. Símbolos da mesma fé, Santa Cruz de Corumbá e Santa Cruz de la Sierra, viviam em descrença. Era fundamental. Tratava-se de extensa faixa petrolífera que vai do rio Pilcomaio à região de Madre de Dios. Os tratados de 1938 asseguraram a vinculação ferroviária e previram a saída e aproveitamento do petróleo.
Acre e Argentina, as motivações do tratado.
A política ferroviária argentina, “como um polvo”, diziam à época, lançava seus tentáculos de aço até Cochabamba. Urgia o Brasil responder a essa iniciativa, lançando trilhos que unissem nossos povos. A Bolívia, como sempre, não dispunha de recursos para levar adiante uma empreitada de tamanha envergadura. Mais de seiscentos quilômetros de trilhos custam uma fortuna.
Vinte bilhões de reais.
Os recursos saíram do Brasil como compensação diplomática prevista no tratado anterior - de 1.903 - denominado Tratado de Petrópolis, que pôs fim à disputa territorial entre o Brasil e a Bolívia pelo território do Acre. Foram gastos mais de um milhão de libras esterlinas-ouro, mais de vinte bilhões de reais atuais. Uma gigantesca fortuna.
O petróleo gasoso.
Foi esse tratado de 1.938 que deu inicio ao que temos atualmente . O gás boliviano só foi vendido ao Brasil graças a esse ato de reciprocidade entre os dois países. À exceção da Questão Acreana, de pequena importância para os bolivianos, Brasil e Bolívia sempre tiveram boas relações.
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