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Campo Grande, Sábado, 22 de Setembro de 2018

07/03/2017 06:15

Após ouvir tanto: a pessoa está esclerosada, era difícil aceitar meu diagnóstico

Paula Maciulevicius
Foi durante o Carnaval que o Lado B conheceu Thalita e se espantou de vê-la na folia. Um tapa na cara: ela pode fazer tudo o que a gente faz. (Foto: André Bittar)Foi durante o Carnaval que o Lado B conheceu Thalita e se espantou de vê-la na folia. Um tapa na cara: ela pode fazer tudo o que a gente faz. (Foto: André Bittar)

Thalita Martins tem 31 anos e uma energia que a levou a pular o Carnaval todos os dias nos blocos de rua de Campo Grande. Foi na segunda-feira da semana passada que o Lado B a encontrou, tomando uma cerveja. A pauta era outra e quando questionada sobre bebidas, Thalita viu os meus olhos arregalarem: ela não pode com vodka, por exemplo, porque tem esclerose múltipla.

O espanto que eu tive, muita gente tem e por isso ela se convidou para falar sobre a sua doença, que hoje está sob controle, justamente porque pouco se vê do assunto na imprensa. O Voz da Experiência hoje descreve a sensação de ter de admitir que tem esclerose múltipla e que isso nada tem a ver com a expressão "a pessoa está esclerosada", que a consultora de beleza tanto ouviu. 

"São seis anos de diagnóstico. Os primeiros sintomas começaram quando eu tinha 24, mas eu só fui ter certeza com o médico aos 25 anos. 

Foi um ano até aceitar o diagnóstico e hoje, seis anos depois, a esclerose está sob controle. Foi um ano até aceitar o diagnóstico e hoje, seis anos depois, a esclerose está sob controle.

A minha pálpebra caiu, eu perdi o equilíbrio, a força e não conseguia comer que engasgava. Eu não sabia o que era e fiz vários exames, cada médico falava uma coisa. Comecei a procurar em agosto, fui internada em outubro, tudo em 2010, colhi o líquor e já comecei a tomar remédio. Só fui levar os exames para confirmar em abril de 2011, por insistência da minha família. Eu já estava tomando a medicação de esclerose e estava bem, era só confirmar o que todo mundo já sabia.

Fiz a pulsoterapia. E eu tinha vergonha, sentia muita vergonha da doença. Porque você já ouviu aquela expressão: 'aquela pessoa está esclerosada?' Eu achava que era a mesma coisa, mas não tinha nada a ver uma com a outra e só depois que eu fui vendo.

Eu mesma nunca quis saber da doença. Hoje já leio e faço de tudo, mas a minha aceitação demorou um ano e pouco. Eu estava me sentindo muito para baixo, fui à psicóloga que dizia que eu estava em depressão. Não aceitava, aí comecei a me conscientizar da doença e que eu podia melhorar quando fui à igreja.

Thalita viaja, dirige, passeia e quer ver mais sobre a doença na imprensa, como forma de conscientização. Thalita viaja, dirige, passeia e quer ver mais sobre a doença na imprensa, como forma de conscientização.

Muita gente se espanta até hoje, porque eu sou uma pessoa normal. Eu faço tudo o que você faz, o que qualquer um faz. Tem gente que tem esclerose e tem alguma deficiência. O que é esta doença? É a perda da mielina do cérebro, mas de consequência dela, eu não tenho nada, nada, nada, está tudo sob controle.

Tomei injeção durante três anos, uma por semana e os médicos diziam que eu ia ter de tomar para o resto da vida, senão não ficava bem. Aí eu fui melhorando, tive pequenos surtos mesmo tomando ela, que eram formigamentos nos braços, nas pernas, dores de cabeça e às vezes a vista embaçada. Hoje, eu já não tenho mais nada, só tomo vitamina D e ômega 3.

O que aprendi com a doença? A ter fé, muito mais fé e ver como a vida é boa sem você precisar fazer muito esforço. É só viver, normalmente, não precisa passar por cima de ninguém. Você caminha para frente sempre e bem".

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