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Campo Grande, Terça-feira, 18 de Setembro de 2018

16/06/2017 07:09

Assédio é grande, mas nem badalação da Bom Pastor afasta quem sempre viveu ali

A vida na região mudou após a avenida se tornar o principal corredor gastronômico da cidade

Eduardo Fregatto
Mercedes mora na Bom Pastor com o marido e pretende passar a casa para os filhos. (Fotos: Marcos Ermínio)Mercedes mora na Bom Pastor com o marido e pretende passar a casa para os filhos. (Fotos: Marcos Ermínio)

Quem passeia hoje em dia pela Avenida Bom Pastor, no bairro Vilas Boas, nem imagina que aquelas ruas movimentadas e baladadas já foram quietas, vazias e pacatas. Os moradores mais antigos lembram dos tempos mais simples, em que a rua era de terra, havia mais mato do que construções e até vacas poderiam ser avistadas andando pelo local.

Hoje, a Bom Pastor é o maior corredor gastronômico de Campo Grande, com mais de 60 empreendimentos entre restaurantes, pizzarias, bares e conveniências. À noite, a avenida é agitada, lotada de carros e consumidores famintos.

O movimento chama atenção dos empresários, que cada vez mais transformam as residências e moradias em comércios. Ainda assim, entre as fileiras de empreendimentos, existem algumas poucas casas isoladas que resistem na Bom Pastor, indo contra a corrente do lucro e consumo.

A rua é mais calma e tranquila durante o dia. A maioria dos comércios abre só à noite.A rua é mais calma e tranquila durante o dia. A maioria dos comércios abre só à noite.
À noite, chega o movimento de campo-grandenses famintos. Foto: João Garrigó/Arquivo)À noite, chega o movimento de campo-grandenses famintos. Foto: João Garrigó/Arquivo)

"Eu moro aqui há 30 anos e não vou sair. Isso aqui é meu e eu vou passar para os meus filhos", afirma a moradora Mercedes Hernandes Arruda, de 83 anos. Ela vive em uma pequena casa verde, entre dois comércios, e recebe propostas de compradores quase todo mês. "Muitos vêm falar comigo, tentar comprar minha casa, mas eu já corto a conversa, não quero nem saber de valores", alega.

Mercedes criou seis filhos na Bom Pastor e viu a avenida se tornar um corredor de gastronomia. "Foi devagar. Primeiro veio um, aí os outros ficaram com inveja, né? E assim foi vindo cada vez mais [empresários]. Pra mim, não fez muita diferença, eu fico só aqui dentro de casa", explica.

O comerciante aposentado Nirton Froeder, de 70 anos, também mora na avenida há 31 anos e vê com bons olhos o desenvolvimento da região onde mora. "Houve uma valorização do bairro, com o que está acontecendo", avalia. Ele diz que o agito e barulho da noite não incomodam seu sono e descanso. "O ambiente não me prejudica em nada. Dá umas 23h, 23h30, os comércios já vão encerrando. Não vejo incômodo nenhum", afirma.

Nirton considera que a região foi valorizada.Nirton considera que a região foi valorizada.
Diego gosta da variedade de restaurantes perto de casa.Diego gosta da variedade de restaurantes perto de casa.

Sobre as tentativas de transformar sua casa em comércio, Nirton relata que nunca recebeu propostas realmente sérias. "É sempre muita especulação", define. E a parte boa fica pela praticidade de ter várias opções de comidas tão perto de casa. "A gente tem os restaurantes que habitualmente vamos".

Anésia Barbosa, de 84 anos, está prestes a se mudar, por motivos pessoais, após 25 anos morando na mesma casa, na Bom Pastor. Ela diz que, se pudesse, continuaria residindo ali mesmo. "Aqui ficou muito seguro, com a vinda dos comércios. Eu gosto", diz. Ela recorda quando era tudo mato e até vacas caminhavam na região. "Foi uma evolução muito grande".

Ela ainda não sabe se sua casa se transformará em mais um comércio, mas sabe que será alugada.

Oportunidade - Apesar dos resistentes na avenida, há também quem aproveite do movimento para melhorar a qualidade de vida. A própria Mercedes, que não vai se mudar de sua casa na Bom Pastor, abriu uma portinha na lateral da residência, que pretende alugar para algum comerciante.

Diego da Silva dos Santos, 21 anos, vive numa casa de esquina e conta que seu pai já colocou placa de vende-se na propriedade, esperando que algum comprador faça uma boa oferta. "Mas até agora não tivemos a oferta pelo valor que queremos", diz. Mas com certeza, pelo progresso rápido da avenida, não faltarão propostas.

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