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Campo Grande, Terça-feira, 25 de Setembro de 2018

08/10/2017 07:05

Bárbara deixou o lado conservador da família para ver o mar a dez passos de casa

A coragem lhe fez vencer a depressão e hoje contribui para que todo mundo descubra sua felicidade

Thailla Torres
Ter o mar a alguns passos de casa, poder andar descalço e aprender a surfar, era o estilo de vida que Bárbara buscava."Ter o mar a alguns passos de casa, poder andar descalço e aprender a surfar", era o estilo de vida que Bárbara buscava.

O comum sempre foi pouco para Barbára Dantas Amaral. Aos 23 anos, carrega na bagagem um processo de transformação profunda, que levou a repensar a profissão e o estilo vida. Esse caminho começou há pelo menos 4 anos, mas tudo se encaixou quando ela resolveu deixar Mato Grosso do Sul para viver em Piracanga, uma comunidade dedicada, principalmente, à liberdade e ao bem estar. Localizada no Sul da Bahia, lá as pessoas levam um estilo de vida sustentável.

Mas Bárbara prefere deixar claro que o espaço é só um apoio para sua felicidade. Antes da imersão radical no lugar, ela precisou vencer medos e até a depressão para ser feliz onde estivesse. "Eu queria um lugar que me curasse, mas percebi, depois de muito tempo, que não dava para melhorar do lado de fora, algo que estava totalmente dentro de mim", começa.

O Lado B chegou até Bárbara pelas cores que ela intensifica no papel. Em seu perfil do Instagram, seguidores não poupam elogios às ilustrações que levam a interpretações diversas.

Representando com uma de suas obras em um evento de Campo Grande. (Foto: Sarah Outeiro)Representando com uma de suas obras em um evento de Campo Grande. (Foto: Sarah Outeiro)

Atualmente ela vive em Piracanga, sozinha, orgulhosa pela coragem de ter largado tudo para ser feliz. Mas essa busca começou bem cedo na vida de Bárbara. Nascida em São Gabriel do Oeste, a 130 quilômetros de Campo Grande, cresceu numa educação tradicional e rígida, onde a disciplina nunca deu brecha para as mudanças.

"Meu pais são comerciantes. Vieram de uma família pobre, mas batalharam muito pelo próprio negócio. Mas para eles, o caminho que eu devia seguir era estudar em uma boa escola, passar na faculdade, ter um emprego decente e ganhar dinheiro", lembra.

Para alegria dos pais, Bárbara foi aprovada em Administração da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul em 2012. Mas ficou pouco tempo no curso até perceber que não se identificava com a profissão. "Eu não tinha noção do que gostava. Pensei que pudesse ajudar meus pais a administrar os negócios da família, mas não deu certo". 

Ela teve a oportunidade de trabalhar com eles no escritório, mas a experiência não foi das melhores. "Vi que não tinha condições de trabalhar 8 horas por dia entre quatro paredes".

Depois de fazer mais um ano de cursinho e levar à arte como diversão, Bárbara escolheu fazer Arquitetura. Novamente foi aprovada em uma faculdade pública, mas em um semestre descobriu que novamente não estava no lugar certo. "Na minha cabeça eu sabia da vontade de trabalhar com arte, mas na Arquitetura minha arte foi limitada. Eu não estava livre para meu desenvolvimento artístico".

Alguns dos desenhos de Bárbara. Alguns dos desenhos de Bárbara.

Longe das próprias escolhas, tudo ao redor passou a fazer mal para Bárbara que não era feliz na vida em que foi criada. "Meus pais surtaram quando eu disse que não faria mais uma faculdade. Mas quando eles entenderam que eu não estava bem, minha mãe foi a primeira a catalizar algumas mudanças que foram essenciais para minha experiência em Piracanga".

Primeiro Bárbara fez um curso de yoga, em 2015, até que decidiu passar três meses em Piracanga explorando as vivências oferecidas pela comunidade, era uma maneira de mudar sua vida. Mas as diferença do local e a distância com a cura emocional fez ela odiar toda a experiência. "Na primeira vez que eu fui a Piracanga eu não queria voltar de jeito nenhum, mas percebi que o problema estava dentro de mim".

A nova experiência foi viajar pela Índia em busca de fortalecimento emocional, mas que levou Bárbara a uma descoberta definitiva. "Ao voltar para o Brasil entrei em crise porque não tinha encontrado o meu caminho. Tive depressão porque estava insatisfeita, até que meus questionamentos foram a motivação para transformar a minha vida. Foi ali que tive certeza que meu caminho era aprofundar na arte".

A descoberta foi tão verdadeira que Bárbara ficou aliviada e neste ano, em junho, com apoio da mãe, decidiu ir embora definitivamente para Piracanga. Como todo lugar, ela não esconde que na comunidade taimbé existem conflitos, mas nada que impeça de viver com liberdade.

"Essa mudança me fez  deixar arrogância de lado e hoje me orgulho ao lembrar da minha coragem. Respeito meus sentimentos, meu corpo e minha saúde. E toda calma daqui era exatamente o estilo de vida que eu queria. Ter o mar a alguns passos de casa, poder andar descalço e aprender a surfar".

Mas antes que alguém pense que a vida de Bárbara é só mar e brisa, ela dedica seu tempo ao trabalho. "Acordo, faço uma prática de yoga, vejo o mar e se estiver bom, eu. Mas o resto do dia eu estudo muito. Além de trabalhar algumas técnicas de desenho, estou desenvolvendo alguns projetos de rodas de conversa para ajudar outras pessoas a evoluírem na sua percepção artística".

Sobre a experiência de largar tudo, Bárbara não abre espaço para arrependimentos. "Hoje estou muito feliz com a minha vida. Mas claro, aprendi a não dar espaço para o comodismo. Mas sei ouvir o meu coração e acredito que a felicidade das pessoas podem estar em qualquer lugar, mas antes precisamos lidar com nossos medos, receios e angústias. E só depois, continuar.", acredita.

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