Pai e filho são condenados por espancamento que deixou homem com sequelas graves
Réus receberam pena de 6 anos, 1 mês e 10 dias; vítima, aposentada, carrega sequelas permanentes
A tentativa de homicídio que deixou Martins Barbosa a Silva com sequelas irreversíveis terminou com a condenação de pai e filho na madrugada desta sexta-feira (27), em Bataguassu. O Tribunal do Júri sentenciou Fernando Santos Rocha e Lucas Domingos dos Santos a 6 anos, 1 mês e 10 dias de reclusão, em regime inicial semiaberto, após 17 horas de sessão iniciada na manhã de quinta-feira.
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Os jurados reconheceram que o crime foi cometido com recurso que dificultou a defesa da vítima. Ao mesmo tempo, acolheram a tese de privilégio por violenta emoção, além de considerarem a admissão parcial das agressões pelos réus, fatores que resultaram na redução da pena. Fernando foi absolvido das acusações de corrupção de menores e de ameaça a testemunhas.
Um terceiro envolvido, menor de idade à época dos fatos, já havia sido julgado em processo separado e cumpre seis meses de prestação de serviços à comunidade.
Para Martins, hoje aposentado e com graves limitações de mobilidade em decorrência do violento espancamento, o desfecho traz sentimentos mistos. Ele acompanhou o julgamento ainda abalado pela recente perda da irmã. Durante os debates, a promotora destacou que, enquanto os réus receberam pena de pouco mais de seis anos, a vítima “cumpre uma condenação perpétua” imposta pelas sequelas físicas.
Apesar de considerar a punição branda por começar em regime semiaberto, Martins disse sentir alívio com o reconhecimento judicial da gravidade do crime. “Embora considere a pena leve devido ao regime semiaberto, sinto alívio por ver que o Judiciário reconheceu a gravidade do crime. As sequelas físicas estarão comigo para sempre, assim como a condenação por tentativa de homicídio acompanhará a trajetória deles. Não escolhi ser vítima, mas tenho a consciência limpa de que nunca ocuparia o lugar de quem tenta matar um semelhante”, afirmou.
Mesmo condenados, Fernando e Lucas poderão recorrer em liberdade. O magistrado concedeu o direito de que aguardem os próximos passos do processo fora do presídio. A eventual indenização por danos materiais e morais, referente aos custos de tratamento e às consequências do ataque, deverá ser discutida em ação cível própria, já que não foi fixada durante o julgamento.
O caso - Testemunhas relataram que a confusão começou quando Martins saía de um bar na Avenida Aquidauana com a Rua José Vicente Vitiritti. Ao manobrar o carro, ele encostou no para-lamas de uma moto Honda Hornet estacionada por Lucas. Martins desceu, ofereceu o telefone para contato, mas a discussão começou após Lucas questionar o DDD do número, de outro Estado. O amigo da vítima tentou intervir e sugeriu que registrassem ocorrência na delegacia.
Horas depois, já perto da meia-noite, Martins e o amigo foram até uma lanchonete na Rua São Bento, no Bairro São Francisco. No trevo de acesso ao Centro, foram surpreendidos por Lucas, o pai Fernando e outros jovens, que estariam à espera da vítima. Segundo o relato, cerca de oito pessoas cercaram Martins, que foi espancado com socos e chutes até desmaiar. O grupo ainda depredou o carro, quebrando vidros e lanternas, furando um pneu e destruindo o celular da vítima.
(Com informações do jornal Cenário MS)
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