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Campo Grande, Sexta-feira, 21 de Setembro de 2018

02/05/2017 07:33

Casado há 60 anos, Arlindo chora ao falar do grande amor que o espera na janela

Depois de tanto tempo, Arlindo e Margarida ainda são ciumentos

Thailla Torres
60 anos de casamento é motivo de orgulho e muita alegria na vida deles. (Foto: Marcos Ermínio)60 anos de casamento é motivo de orgulho e muita alegria na vida deles. (Foto: Marcos Ermínio)

Impossível não se emocionar ao ver Arlindo falar do grande amor que sente por Margarida. Hoje, eles comemoram com felicidade os 60 anos de casados. A conta é um privilégio para quem mantém na mesma intensidade o respeito, o carinho e até o ciúmes, como antigamente.

Sorrindente, Arlindo é daqueles que o coração bate forte toda vez que alguém se aproxima da mulher amada. Margarida não nega que fica espiando pela janela a hora que o marido entra em casa.

O ciúmes que nunca ultrapassou a janela é visto como carinho dos dois lados. Arlindo Domingos de Lira e Margarida Cícera de Lira têm 79 anos. Os dois nasceram no interior de Pernambuco e se conheceram num tempo que o namoro era vigiado pelos pais.

Eles são primos de gerações distantes e se apaixonaram quando o pai de Margarida trabalhava na produção de farinha, ao lado do pai de Arlindo. Na época, a única iniciativa foi a troca de olhares. Naquele tempo, não tinham permissão nem para andar de mãos dadas.

Casal mostra a fotografia que tiraram juntos ainda na juventude. (Foto: Marcos Ermínio)Casal mostra a fotografia que tiraram juntos ainda na juventude. (Foto: Marcos Ermínio)

Mas foram só três meses do pedido até o casamento. Arlindo só beijou Margarida pela primeira vez no altar. A lembrança da cerimônia religiosa ainda emociona o casal, ele se diz um chorão assumido, que não contém as lágrimas para falar da esposa, dos filhos e da família que conseguiu construir. "Tenho muito orgulho. Fiquei com ela, porque era a mulher certa pra mim e a gente se ama."

Entre um sorriso e o choro, ele recorda que chegou a ser cobiçado por outra pretendente para fugir da cidade, mas preferiu enfrentar a distância até o casamento com Margarida. "Tinha outra mulher que queria fugir comigo, seria até mais fácil, mas eu não queria fazer a coisa errada, tinha quer ser tudo certinho e eu esperei pela Margarida". 

Ele se gaba, dizendo que a esposa foi uma sortuda. "Eu sou maravilhoso, ela casou com o homem certo que sou eu", brinca. Além de todo romantismo, paciência é a palavra chave no relacionamento que já dura seis décadas. Só assim eles conseguiram enfrentar as dificuldades e dar um futuro de amor aos filhos.

Arlindo chora ao falar da família e do amor que já dura tanto tempo.Arlindo chora ao falar da família e do amor que já dura tanto tempo.

"A gente nunca teve uma briga. Quando eu casei com a Margarida, meu pai me deu um único conselho. Que mulher nasceu pra gente respeitar e nunca machucar. Já tivemos discussões, mas nunca perdemos o respeito. Essa coisa de homem que bate em mulher na minha casa nunca existiu. Nem com as minhas filhas que eu tenho maior orgulho", se emociona.

O casal chegou em Mato Grosso do Sul há 50 anos. Os dois trabalharam na roça em fazendas do interior do Estado. Margarida lembra que o passado não foi fácil para quem sempre foi analfabeto. Ela e o esposo nunca aprenderam a ler. Escrita, só se for o nome. Mesmo assim, sem nunca ter conhecido uma escola, batalharam para ver os filhos estudarem na medida do possível. 

Juntos, tiveram 10 filhos, mas três já faleceram. Também já contabilizam 22 netos, alguns criados por eles. "Criamos nossos filhos no meio do mato, mas nunca ninguém passou fome. Era muito difícil, naquele tempo frio, lembro que abria o saco de estopa para tampar o vento nos dias frios. As roupas eram todas iguais porque era o mesmo tecido para fazer a roupa de todo mundo. Apesar de pouco todo mundo foi bem criado", se orgulha Margarida.

Nas mãos de cada um está a aliança de ouro como forma de compromisso e fidelidade para o resto da vida. Nas mãos de cada um está a aliança de ouro como forma de compromisso e fidelidade para o resto da vida.

O casal mora sozinho, mas a casa está sempre cheia. As filhas se revezam para auxiliar a mãe na limpeza da casa e nos cuidados com a saúde. Mas apesar da idade, Margarida reforça que os dois ainda são muito fortes. "A gente se vira com tudo, deixamos os filhos irem viver e a gente fica aqui no nosso cantinho", diz. 

Arlindo construiu um bar na porta de casa. Quando não está sentado na varanda, ele atende os clientes. Enquanto isso, Margarida fica sempre de olho, cuidando o marido, cheio de charme. "Ele é terrível, ele brinca com todo mundo que passa na rua, então eu cuido mesmo", sorri.

A filha caçula é Maiza Socorro de Lira, de 39 anos, que acompanha a entrevista. Diante da alegria dos pais, ela também não segura o choro. "Pra gente, é um exemplo de perseverança. Eu trabalho na igreja com muitos casais e sei que a vida matrimonial hoje não é algo fácil. E eles passaram por cima de tudo para estarem aqui", declara.

Animado, Arlindo dá um beijo super carinhoso em Margarida e exibe a aliança no dedo esquerdo em sinal da cumplicidade. "Sabe de uma coisa? O homem que tem vergonha na cara, ele casa com uma mulher como ela e vive feliz para o resto da vida. Eu choro mesmo porque a minha família é tudo pra mim e graças a Margarida eu continuo aqui".

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O beijo carinhoso e a cumplicidade continua forte como antes. O beijo carinhoso e a cumplicidade continua forte como antes.


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