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Campo Grande, Quarta-feira, 26 de Setembro de 2018

22/04/2018 08:24

Catolicismo e candomblé andam juntos em festa de família para São Jorge

Sincretismo é prova de que a união entre as religiões e a família são a chave para a festa acontecer

Thaís Pimenta
Estavam presente 232 pessoas na nona edição da festa de São Jorge.(Foto: Marina Pacheco)Estavam presente 232 pessoas na nona edição da festa de São Jorge.(Foto: Marina Pacheco)

Juntos, na união promovida pela fé a São Jorge, que é santo e também é orixá Ogum, Dona Luzia, e o Ministro José Antônio, representam lado a lado o terreiro de candomblé e Paróquia de Perpétuo Socorro, respectivamente. Os dois dão início às comemorações de mais uma festa para demonstração do amor, gratidão e devoção ao mártir guerreiro da Capadócia, uma tradição em família que todos os anos também é registrada aqui no Lado B.

O sincretismo presente é a prova de que a união é a palavra que comanda a festa da família Assunção, que há décadas atrás passou a realizar churrascos a São Jorge, para agradecer a graça que dona Damiana havia recebido ao ver seu filho, Quirino, voltar com vida da Guerra do Paraguai.

Uma pequena missa é rezada por José e Luzia antes do dia do santo, no sábado, em uma chácara alugada pela família. Antes do churrasco começar, lá pelas 13h20, a oração de São Jorge é entoada em conjunto, depois um Pai Nosso, e em paz a festa que conta até com dj começa.

Independente da religião, todos os entes da família tem muito respeito e devoção ao santo e são várias as histórias vividas até terem seus corações tocados por ele. 

Amaral Assunção sobreviveu a três acidentes de carro e, no último, antes de entrar em coma induzido, sonhou com São Jorge e Nossa Senhora. "Me senti na obrigação. Já sabia que depois da minha bisavó falecer, a celebração tinha parado de acontecer e então assumi 26 anos depois das primeiras edições". Nesta 9ª edição, 235 pessoas compareceram, um recorde de público até então. "São amigos, agregados e toda a nossa família", diz ele.

A estátua e o quadro do santo são reverenciadas diariamente por ele. "Andei por mais de 2h30 no sol de 40ºC em Madureira, no Rio de Janeiro, para achar essa imagem de São Jorge. Uma das primeiras missões que me foram dadas por ele".

Dona Luzia é a mãe do terreiro que a família frequenta. (Foto: Marina Pacheco)Dona Luzia é a mãe do terreiro que a família frequenta. (Foto: Marina Pacheco)
Missionário que reza a missa. (Foto: Marina Pacheco)Missionário que reza a missa. (Foto: Marina Pacheco)
A mãe, Amaral e a estátua de São Jorge, que segundo o organizador foi a primeira missão do santo para ele. (Foto: Marina Pacheco)A mãe, Amaral e a estátua de São Jorge, que segundo o organizador foi a primeira missão do santo para ele. (Foto: Marina Pacheco)

Pela fé, cada um dos Assunção vem ajudando na realização da festa. São precisos pelo menos 12 meses de antecedência de preparativos para tudo estar perfeito no churrasco. "Brincando brincando a gente gasta R$ 18 mil pra fazer isso daqui. É um desgaste físico e emocional mas que vale a pena porque é para o São Jorge. Não permitimos pessoas de fora do nosso círculo porque queremos um ambiente confortável, uma extensão da nossa casa, e não estamos querendo dinheiro".

Para participar, todos precisavam comprar a camiseta da festa a R$ 50,00. O dinheiro é revertido para a compra da carne do churrasco, da linguiça, das misturas, do bolo, e das bebidas e também para o pagamento do aluguel. "A gente só cobra bebida alcoolica, o resto é tudo incluso no valor, inclusive os sucos e refrigerantes"

Comida era o que não faltava na festança. Ao todo, 120 quilos de carne e 30 de linguiça eram assados no chão pelo churrasqueiro da família, Hélio de Assunção, conhecido por Magrão. "Estamos aqui cortando a carne desde as 6h20 e colocamos ela no fogo as 8h para servir 13h", disse ele.

Na cozinha seis mulheres estavam a frente das comidas, que começaram a ser servidas às 11h, com a especialíssima receita de família de paçoca de carne seca. Pra acompanhar a carne, farofa de banana da terra, mandioca, molho, vinagrete, salada de repolho com maçã e maionese.

Cinco doces compunham a mesa de sobremesa, como o doce de furrundum, pudim de leite, doce de banana, doce de leite e doce de abóbora. O bolo de ameixa, com oração à São Jorge, vinha decorado com a oração do santo e foi cortado no fim das comemorações, depois do carreteiro das 17h30, feito pela mulhereda dos Assunção.

A música sertaneja da dupla Edu Lima e Cristiano completam a festa, que só termina ás 21h com discotecagem de Beth Vipe.

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